Um Pequeno Crescimento


14 Anos


O quarto estava escuro, muitas coisas estavam espalhadas pelo chão, a janela estava semi aberta, o que permitia que um ar fresco entrasse por ela e deixasse o cômodo um pouco mais fresco.

A cama estava vazia. Não tinha ninguém em cima do colchão, ninguém para apreciar como ele era macio e bem confortável.

Mas, bem pertinho dali tinha um colchonete.

Haviam dois garotos em cima dele, em cima daquele colchonete que estava forrado com um edredom mais claro e macio. Ao lado tinha papéis, diversos, não daria nem para contar quantos tinham ali. Um celular estava com a tela brilhante, o menino que tinha o cabelo mais claro estava recebendo uma ligação.

Todavia, ele não estava tocando, apenas vibrando em cima do chão e aquilo não parecia ser o suficiente para acordá-lo, ou até mesmo acordar o outro garoto moreno que também estava naquele quarto.

Quando a tela do telefone voltou a ficar escura, a única outra coisa que continuou brilhante dentro daquele quarto foi o fio vermelho que ligava os dois garotos.

Jeon Jeongguk de 14 anos, era alma gêmea de Kim Taehyung de também 14 anos, porém alguns meses mais velho.

As duas pernas do rapaz mais novo estavam circulando o peito do Kim, fazendo com que seus braços contornarem o pescoço do outro que também lhe abraçava como se fosse um bichinho de pelúcia. Estavam completamente embolados, dormindo confortavelmente daquele jeito, no meio daquela grande embolação sem fim.

O fio vermelho ficou mais brilhante quando Taehyung abriu os olhos por breves milésimos de segundo, enxergando o garoto de fios escuros como a noite grudado em si. O corpo dele era tão magrinho que dava vontade ao Kim de protegê-lo de qualquer coisa porque parecia bem real a possibilidade dele ser ferido por tudo existente de perigoso no mundo.

Jeongguk tinha chorado a tarde toda por conta de seu bichinho de estimação que havia morrido naquele dia, um pequeno peixinho dourado que seu pai havia comprado na feira semana passada.

Jeongguk era bastante emocionado.

E o garoto ficou tão arrasado que ligou aos prantos para Taehyung, soluçando sem parar enquanto dizia que havia perdido seu bichinho tão amado e agora seu coração estava doendo demais.

Sem hesitar, o Kim calçou os tênis recém lavados e limpinhos e correu para a casa daquele no qual era ligado, passando por todas as poças de lama que tinham sido formadas naquela manhã devido à chuva forte.

Bateu na porta, cumprimentando rapidamente a senhora Jeon. Subiu as escadas e rumou para o quarto escuro de Jeongguk.

Coriza escorria de seu nariz grandinho e seu corpinho, encostado na cama, não parava de tremer.

“Hyung” foi o que ele quase gritou com a voz embargada enquanto ia até o mais velho, o abraçando e contando a trágica história de como tinha ido alimentar “Steve”, seu bichinho, e gritou quando o viu boiando, já todo falecido.

Tirando os sapatos e colocando um casaco preto, os dois fizeram um enterro para o peixinho em frente ao vaso sanitário do banheiro. Voltaram para o quarto onde colocaram algumas flores do jardim da senhora Jeon dentro do aquário, assim como fizeram diversas cartinhas e mensagens que queriam que Steve pudesse ler. Pegaram o colchonete e o edredom, montando uma caminha simples para eles mesmos ali no chão, conversando baixinho enquanto iam sentindo o sono se aproximar cada vez mais.

Taehyung puxou Jeongguk para seus braços e ninou aquele a qual sua alma e coração pertenciam.

O fio vermelho que os ligava se embolou um pouco nos dois corpos, mas eles não se importaram, foram se aconchegando cada vez mais e mais um nos braços do outro.

Quando seus olhos se abriram, o de fios castanhos ficou apenas observando o rosto completamente sereno daquele que amava. Sorriu ao continuar admirando como suas bochechas grandes e boquinha pequena lhe faziam parecer mais jovem. O cabelo preto e macio cobria parte de sua testa branquinha, e para Taehyung, aquela imagem era a melhor coisa que poderia ter como recompensa depois de ter ajudado sua alma gêmea.



15 Anos


Após tomar seu banho depois de chegar da escola, Jeongguk apenas vestiu rapidamente a sua blusa de manga comprida e sua calça de moletom verde musgo. Colocou as duas meias do homem de ferro nos pés e correu de volta para a sala de casa.

Seu Hyung, sua alma gêmea e o menino que estava fazendo seu coração palpitar cada vez mais rápido estava sentado no sofá vinho da sala, com as pernas bonitas e cheias de melanina dobradas enquanto mexia em seu celular, totalmente despreocupado.

Jeongguk sentou-se ao lado do mais velho e viu ele lhe dar um sorriso retangular bonito.

Sua barriga sacudiu e demonstrou ter diversas borboletas lá, todas agitadas por conta de apenas um sorriso bonito que o Kim havia lhe dado.

O cabelo castanho estava pra cortar, mas aquilo não era realmente um problema, ele até mesmo ficava bonito bem daquela forma. Desajeitado, bagunçado e completamente atraente com seus olhos castanhos bonitos. Ah… Jeongguk o achava tão lindo, gostaria de apreciá-lo a cada segundo de seu dia.

A blusa de seu uniforme estava amarrotada, a calça estava da mesma forma, as meias pretas estavam até mesmo com um cheirinho de chulé, mas tudo que Jeongguk fez foi sorrir para aquela imagem, sorrir para sua alma gêmea um tanto quanto desajeitada, que de forma inesperada, lhe deu um beijinho na bochecha, usando a afirmação “você estava fofo demais todo vermelhinho” como uma desculpa plausível para tal ato.

Na realidade o moreno nem se importou, ele apenas corou mais e se levantou, perguntando o que o Kim queria comer.

“Bolo de chocolate” foi o que ele respondeu naquela tarde e Jeongguk caminhou até à cozinha para pegar o tal pedaço de bolo, orientando Taehyung a escolher logo um jogo que eles iriam jogar.

Depois de quase 3 horas jogando sem parar, o Kim teve que se despedir, calçando seu tênis quando já estava em frente à porta para voltar para casa. Jeongguk estava ao seu lado, segurando o celular do castanho já que tinha tirado fotos de si mesmo, apenas para deixar lá no aparelho dele.

Apoiou-se na parede vendo Taehyung apenas tentar ajeitar sua blusa toda bagunçada e passou a mão no próprio cabelo já bem compridos.

Deu dois passos em sua direção e pegou o celular, colocando-o no próprio bolso da calça, mas não se afastou do moreno, na verdade apenas se aproximou um pouco mais e beijou sua boca rosada.

Foi tão rápido quanto um piscar de olhos, mas foi o suficiente para que Jeongguk gritasse um “céus, Hyung” e cobrisse seu rosto completamente avermelhado.

Taehyung soltou sua famosa risada rouca e gostosa, vendo como coisas tão bobinhas sempre deixavam o mais novo com vergonha daquele mesmo jeito.

Jeongguk voltou a encará-lo, batendo levemente em seu ombro antes de também lhe dar um beijinho na bochecha, correndo em direção a seu próprio quarto logo em seguida.

Não estava acostumado com demonstrações de afeto como aquela. Sempre foram apenas abraços e carinhos trocados entre os dois, partir para beijos era um pouco assustador para o moreno, mas ele nunca havia se sentido pressionado.

Na realidade, eram muitas vezes surpreendido por Taehyung quando o mesmo lhe dava um beijinho suave aqui ou lá, mas nunca mais do que aquilo, Jeongguk sabia que o Kim o respeitava bastante.

De toda forma, horas depois, já estando debaixo dos lençóis da própria cama, Jeongguk ousou mandar uma mensagem para sua alma gêmea de fios castanhos, perguntando o que ele tanto queria saber.


[Você]

Hyung… Eu queria te perguntar uma coisa…

Você realmente quer avançar no que temos?

Você já quer me beijar?


Mordeu os lábios, nervoso.

O seu plano era bem simples, mandar a mensagem, bloquear o celular e dormir, não queria se desesperar de ansiedade enquanto esperava a mensagem do outro chegar, iria dormir tranquilo e ver a resposta depois.

Mas Jeongguk se esqueceu de um pequeno detalhe.

Taehyung tinha posto seu celular para ter um toque próprio para quando as mensagens ou ligações fossem de Jeongguk, tornando possível ele saber que era o moreno e o responder na mesma hora. O Kim sempre lhe respondia na hora, e naquele momento não foi diferente.

Antes mesmo de sair da janela de Taehyung, a resposta veio.


[Minha outra alma]

Sim.

Eu quero avançar, mas quando você quiser.

Eu quero muito beijar você, mas quando você também quiser.

Eu amo você meu Guk <3




16 anos


Por conta do grande barulho que estava na escola naquele dia, foi no telhado daquele mesmo local que Taehyung foi se esconder para poder fazer uma vídeo chamada com Jeongguk. Seu coração estava partido por conta do garoto que se encontrava resfriado em casa, impossibilitado de ir às aulas.

Já estavam no terceiro dia e toda a rotina do Kim havia mudado, ele nem mesmo jogava mais videogame, bola com seus amigos ou dormia na própria casa. Taehyung ia para a escola todos os dias, ele prestava atenção nas aulas e anotava tudo o que os professores escreviam no quadro ou falavam. Jeongguk sempre tinha aquela mania de anotar até o que eles diziam, então o Kim estava fazendo o mesmo que ele.

Quando era liberado das aulas, corria para sua própria casa, tomava banho, arrumava sua mochila, separava uma roupa e ia direto para a casa de seu adorável Jeongguk, em repouso.

Taehyung colocava um colchonete no chão do quarto do garoto e ficava conversando com ele, não o deixando sozinho em momento algum durante aquele terrível resfriado.

Passava a tarde passando tudo a limpo para o caderno de Jeongguk, enquanto lia um pouco da matéria e contava o que aprendeu. Não queria deixar o outro perdido.

Taehyung explicava a matéria, dava comida na boca de Jeongguk, o ajudava a ir ao banheiro quando uma crise de tosse o atingia e sentava em seu colchão para lhe fazer carinho até ele pegar no sono.

O Kim não conseguia sentir a pele do rapaz mais novo quente por conta da febre que ele começava a chorar e se desesperar. Era seu Jeongguk ali, o seu menino lindo com sorriso tímido deitado na cama doente.

Jeongguk atendeu sua chamada de vídeo.

“Oi Hyung, tudo-”

Tossiu.

“Tudo bem?”

“Oi meu amor, você está melhor?”

Esticou o braço, querendo achar um ângulo melhor para filmar a si mesmo. Taehyung estava quase fugindo da escola e correndo para a casa do moreno apenas para abraçá-lo e enfiar seu rosto no pescoço dele, beijando-o várias e várias vezes e admirando toda a fofura de sua alma gêmea vestida com moletom vermelho de capuz.

“Eu estou sim, acabei de tomar banho”.

“Hmm, está cheirosinho pro seu Hyung?”

Jeongguk corou, cobrindo seu rosto com uma das mãos, escondendo as bochechas avermelhadas.

“Hyung, para, você é tão bobo…”

“Não sou não… Estou apenas com saudade Guk”

“Me viu há poucas horas Hyung! Sei que beijou minha bochecha antes de ir pra escola”.

“Em minha defesa elas que pediram um beijo meu”

“Pediram nada! Aigoo, Hyung, você é muito bobo…”

“Amor, quando eu chegar aí eu já posso beijar você?”

Formou um bico nos lábios.

“Só se me trouxer um pedaço de bolo Red Velvet, eu juro que deixo você me dar um beijinho”.

“Ain, mas eu não devia mimar tanto assim você, mas eu gosto muito, ain, não faz essa carinha, Jeongguk! Aish! Maldição, Jeongguk! Você vai fazer meu coração explodir assim!”

Sorriu apaixonado apenas por ouvir a risadinha do mais novo pelo outro lado da tela, ele parecia completamente encolhido em sua cama. Fofo demais.

Formou um beicinho ao ouvir o sinal tocar.

“Tenho que ir agora,não posso ficar muito tempo senão vou descobrir onde estou, mas eu amo você, Guk, muito, muito”

O mais novo bocejou.

“Eu também amo muito você, Hyung, quando chegar durma comigo”.

“Durmo sim meu amor”

“Eu te amo, Tae”.

Soltou de forma completamente manhosa.

“Eu também te amo muito meu bebê”.


[...]


Assim que chegou a casa dos Jeon segurando sua mochila e a sacola com o bolo Red Velvet, a senhora Jeon informou que o filho estava dormindo naquele momento após tomar um remédio. Taehyung colocou o bolo na geladeira e foi para o quarto do garoto, abrindo a porta calmamente e vendo a figura adormecida de sua alma gêmea.

Sorriu vendo o biquinho fofo que ele fazia quando adormecido, a expressão serena e um pouquinho da baba escorrer pela lateral de sua boquinha pequena que já podia dar alguns beijinhos.

Colocou a mochila no chão e tocou levemente seu pulso, pegando sua mãozinha macia. Beijou cada um dos dedos, beijou a palma e foi até o pulso, beijando a marca de alma gêmea que ele tinha idêntica a sua; era uma espécie de cristal de gelo com uma fita dentro. Essa fita formava um “김태형”. E na marca que Taehyung tinha, a fita formava um “전정국”.

Para cada alma gêmea há um símbolo, e desde que descobriram que se pertenciam, o Kim sempre diz que o símbolo deles ser de cristal é porque ele mesmo deve tratar Jeongguk como se fosse o mais precioso dos cristais existentes.

Jeongguk sempre corava quando ouvia e Taehyung sempre sorria apaixonado pelos dentinhos grandinhos do outro ficarem à mostra.

Beijou o pulso do menino outra vez e em silêncio se sentou no chão, pegando os cadernos e começando a escrever toda a matéria a limpo para o mais novo adormecido ao seu lado.

Esperaria Jeongguk acordar e aí lhe cobraria o beijinho que ele lhe prometeu por trazer o bolo.



17 anos


A voz alta e melodiosa de Jeongguk ecoou alto pelo quarto do Kim quando ele gritou um “Hyung” extremamente feliz, pulando no colo de Taehyung quando o outro rapaz estava deitado em sua cama.

Vestido com uma samba canção, o de fios castanho estava com suas costas apoiadas na cabeceira da cama, vestido apenas com uma regata bem folgada azul, as pernas abertas e o celular na mão, mandando mensagens para o grupo de amigos que tinha.

Jeongguk sempre achou que os momentos em que Taehyung mais estava lindo era daquele jeito, um pouco largado, completamente à vontade.

Pulou na cama maior que a sua, aconchegando-se ali apesar da vergonha, sentindo um dos braços do mais velho já o abraçar e os olhos castanhos e bonitos lhe fitarem de forma completamente apaixonada.

Jeongguk amava receber aquele olhar, amava ver como Taehyung lhe via como algo que merecia ser amado, algo que sempre valia seu tempo e esforço. O moreno sempre notou como o Kim lhe olhava como estivesse transbordando ternura.

Era um pouco confuso a forma como agora, com 17 anos, estavam se relacionando. Não eram namorados, não usavam tais palavras para se definir porque sentia que nem mesmo aquilo conseguia ser o suficiente para os definir. Sabiam que se pertenciam e mesmo que não fossem almas gêmeas, todos sabiam que não havia ninguém melhor para ficar com Jeongguk do que Taehyung, e vice e versa.

Os dois trocavam beijos, lentos, ousados, carinhos, beijos que já tinham a língua, e ficavam absurdamente envergonhados com aquilo, então só compartilhavam momentos como aquele em casa, quando estavam completamente a sós e podiam desfrutar de absolutamente todas as sensações que um provocava no outro.

Nunca haviam conversado sobre algo a mais que beijos, não sentiam vontade e nem queriam na realidade.

Estava perfeito daquele jeito, e enquanto fosse perfeito, não iriam mudar nada.

Beijos suaves antes de dormir, andar na rua de mãos dadas e compartilhar um sorvete no parque estava ótimo para os dois.

Jeongguk sentia-se amado, sentia-se protegido e sabia que não precisava de mais nada.

Todavia, certas inseguranças sempre se tornam presentes em um momento ou outro.

— Hyung, — chamou baixinho, cutucando o rosto de Taehyung, tocando na pintinha de seu nariz e depois na pintinha de sua boca — Hyung — chamou com mais manha, remexendo-se um pouco no colo do outro já que praticamente havia se jogado em cima do Kim, ficando no meio de suas pernas, a cabeça na direção de seu peito, sua postura toda largada. — Hyung…

O castanho sorriu, revirou um pouquinho os olhos e voltou a olhar Jeongguk com seu beicinho lindo. Acariciou de leve a pequena cicatriz que ele tinha na bochecha, lembrando-se do dia que estavam andando de bicicleta e o moreno havia caído.

Taehyung chorou mais do que o próprio Jeon ao ver o filete de sangue se formando ali.

— O que foi, meu bebê?

Passou a mão na orelha do mais novo.

Jeongguk começou a quase fechar os olhinhos, sentindo aquele carinho maravilhoso ser feito em si. Amava sentir as carícias do mais velho, sempre lhe dava uma tranquilidade absurda.

— Hoje eu estava pensando em uma coisa — falou baixinho, inflando as bochechas e deixando a voz mais fofa. Taehyung bloqueou o celular no meu segundo, colocando-o de lado e se ajeitando na cama enquanto puxava o corpo do mais novo para deitar em seus braços.

Jeongguk sentia seu corpo ser segurado com delicadeza e firmeza, sentia o Kim lhe abraçar e envolver os braços ao redor de seu corpo, fazendo sua cabeça apoiar nos ombros largos e amorenados. Se o moreno tivesse coragem, sabia que beijaria cada centímetro daquela pele macia e cheirosa.

— Que coisa? — Deu toda à atenção que sempre dava, deixando tudo de lado pelo par de olhos grandes, pretos e doces que tanto amava.

— Muitas almas gêmeas na nossa idade namoram…

Taehyung arregalou os olhos, acariciando o rosto do mais novo.

— Você quer namorar Jeongguk? — Perguntou baixo, fazendo o moreno ficar mais tímido e receoso com relação aquilo. Sabia que não era uma boa ideia puxar aquele assunto, agora sentia-se completamente inseguro, e pior, tinha deixado Taehyung inseguro também, achando que ele não estava completamente satisfeito com a relação que tinham — podemos namorar sim, Jeongguk, se você quiser, mas esse título não vai mudar muita coisa — beijou a testa do mais novo — eu sou seu, sempre fui e sempre serei. Meu coração pertence a você, você é a pessoa que eu mais amo no mundo, Jeongguk, eu não suporto ficar um dia sem ver esse seus dentinhos, sem ouvir sua risadinha… Meu sentimento tem crescido tanto que eu me pego quase chorando por te amar tanto. — Passou o dedo pelos olhinhos marejados do mais novo — eu percebo como você me olha, é como se eu fosse seu mundo inteiro, eu percebo como me observa dormir ou estudar, e eu me sinto tão mal por pensar que não retribuo esse olhar.

— Retribui sim Hyung, você retribui! Eu me sinto muito amado por você, eu — sentou-se, sentindo os braços do Kim a sua volta — meus sentimentos também estão crescendo… Eu sou feliz desse jeito, mas eu não tenho mais 14 anos, Hyung, eu não choro mais por um peixinho dourado, eu choro por medo de perder você, estamos crescendo e-

— E eu vou continuar com você, vamos crescer juntos. Faremos 19, 25, 40, um ao ladinho do outro, eu vou te amar ainda mais e estaremos assim, desse jeito… — Lhe olhou com doçura.

Jeongguk colocou as duas mãos nas bochechas amorenadas.

— Promete isso pra mim, Hyung?

Taehyung sorriu, vendo o fio vermelho que os ligava brilhar mais.

— Eu prometo, meu amor.

Selou os lábios rapidamente e Jeongguk deitou a cabeça na curvatura do pescoço do Kim, fechando os olhos e sentindo o cheiro da sua alma gêmea.

— Eu vou te amar pra sempre Hyung, eu vou ser tudo o que você precisar…



18 anos


O cheiro de biscoitos recém assados invadiu a casa. Era fim da tarde, o sol já estava quase indo embora e tudo estava escurecendo. Jeongguk estava em sua casa, colocando uma luva na mão para colocar a bandeja quente em cima do balcão de mármore.

Um a um, colocou os biscoitos em um pote de acrílico, caminhando até a geladeira e pegando um frasco grande de leite fermentado. Limpou tudo, colocou as duas coisas em cima de uma bandeja e caminhou até seu próprio quarto.

Assim que ficou em frente a porta, respirou fundo, tinha que manter a calma.

Girou a maçaneta e viu Taehyung encolhido em sua cama, o outro rapaz ainda chorava.

Fazia algumas horas desde que o Kim foi até sua casa, lhe dando diversos beijinhos e dizendo todo feliz que sua carta da faculdade havia chegado.

Era para a faculdade de seus sonhos.

Mas ele não foi aceito.

Os dois, principalmente Taehyung, haviam feito diversos planos para o futuro dos dois. E em todos, ele mencionava aquela faculdade, mas agora isso parecia distante demais já que pagar não era uma opção por ser cara demais. Então lá estava o de fios castanhos, aos prantos porque tinha perdido sua grande chance, seu sonho tinha passado pelos seus dedos e ido embora.

Jeongguk colocou a bandeja em cima do tapete do chão e se aproximou da cama, tocando no ombro do mais velho.

— Hyung — chamou de forma mansa — eu fiz biscoito pra você, Hyung — contou baixinho, passando sua mão pelos fios do cabelo bonito do Kim, sentindo seus dedos deslizarem por sua cabeça, sentindo toda a extremidade dela. — Eu fiz de chocolate, come um pouquinho?

O outro fungou, se rastejando na cama e sem hesitar, jogando-se no colo do mais novo entre os dois, como se voltasse a ter 7 anos de idade e tudo o que ele queria era o colo confortável de sua mãe.

— Hyung, — abraçou o mais velho, — você tem que comer um pouquinho — sussurrou entristecido — vem.

Puxou o mais velho, fazendo o mesmo se levantar e os dois se sentarem no tapete, de frente para a bandeja. Jeongguk que sempre foi pequeno e magrinho, agora estava com o corpo mais desenvolvido, tinha um pouquinho de músculo em seus braços e sua altura já não era tão diferente da do Kim.

Por ser antigamente daquele jeito, quando pequenos, Jeongguk sempre buscava o colo do mais velho, enfiando-se em seus braços e se mantendo quentinho e confortável ali como um verdadeiro bebê coala. Mas agora era um pouco diferente, os dois garotos estavam se tornando homens feitos de pouquinho em pouquinho, ambos ainda buscavam conforto nos braços um do outro, mas agora Jeongguk também sentia-se bem e confiante para pegar Taehyung no colo ou fazê-lo dormir com seus carinhos, como costumava ser sempre ao contrário.

Pegou um dos biscoitos e colocou na mão do de fios castanhos.

— Come Hyung, eu fiz com muito amor pra você — sussurrou vendo como ele encolhia-se no meio de suas pernas, deitando em seu peito como um filhote de tigre acanhado.

Lhe olhou nos olhos, formando um beicinho ao ouvir aquelas palavras.

— Só um pouquinho Hyung, você tem que comer — implorou entristecido.

Depois de alguns minutos com os dois no chão, Taehyung começou a tirar pequenas lascas dos biscoitos. Os comendo lentamente enquanto Jeongguk colocava um canudinho em um dos frascos de leite fermentado e dava para sua alma gêmea que bebia em goles curtos.

— Está gostoso — sussurrou rouco, arrancando um sorriso do mais novo que o fez dar diversos beijinhos em sua cabeça, voltando a acariciar seu cabelo e depois suas costas. — Desculpe estragar nosso futuro, Guk…

— Você não estragou, Hyung, aish, você é tão bobo — olhou com tristeza para o mesmo — vamos pensar em mil outras maneiras de realizarmos nossos sonhos Hyung.

O mais velho o olhou nos olhos.

— Meu maior sonho é estar com você, o resto eu posso ir aceitando perder — confessou abraçando o castanho com um pouco mais de força. O ouviu fungar, voltando a deitar a cabeça em seu peito — nós só estamos apenas enfrentando um obstáculo agora, mas para cada um que enfrentamos significa que estamos crescendo de alguma forma, estamos evoluindo. — Sussurrou beijando o topo da cabeça do Kim outra vez — não enfrentar nada, significa que estamos apenas parados em um único lugar.

— Acho que tem razão… — as palavras saíram completamente embargadas.

— Eu sempre tenho razão, Hyung, eu sou sua alma gêmea, — olhou nos olhos castanhos bonitos.

O Kim estava se tornando um homem cada vez mais bonito, não tinha muitos músculos, mas tinha seus ombros largos, sua clavícula desejosa e seu rosto que ia amadurecendo lindamente… Muitas pessoas, tendo almas gêmeas ou não, suspiravam por ele, flertavam na cara dura mesmo sabendo que ele tinha alguém, mesmo sabendo que de todas as formas possíveis ele já amava outro.

Jeongguk não se preocupava muito, confiava em Taehyung em seus braços, mas as vezes sentia-se incomodado com o jeito que ninguém parecia respeitá-lo, o parecendo enxergar as vezes apenas como um rosto bonito ou um candidato bom para se fazer sexo.

Ninguém via Taehyung como Jeongguk, ninguém via o menino doce, sensível que ele era, o menino inteligente e gentil.

Taehyung era visto como idiota infantil por alguns garotos, ou como máquina de sexo por várias garotas.

Apenas Jeon via o verdadeiro Kim, via seus momentos ruins e bons, via à criança e o homem que ele era, sabia que ele não poderia ser apenas uma coisa, e sim uma mistura de cores e sabores que estavam todos ali dentro dele, se revelando aos poucos e o tornando aquela pessoa única no mundo.

E era daquele Taehyung que Jeongguk jurou amar e cuidar, como fazia naquele momento.

— Você vai fazer faculdade, eu sei que vai Hyung — contou com traços de animação na voz — vai ser o mais inteligente e bonito também, você vai chamar muita atenção, todo mundo vai querer ser seu amigo, os professores vão amar sua genialidade e você não vai parar de falar disso comigo antes de dormir — sorriu feliz ao arrancar uma risadinha simples e rouca do mais velho em seus braços. — Você vai falar tanto disso que eu vou até reclamar que não recebo mais atenção.

— Aí eu vou beijar você, dizer que te amo mais do que tudo — sussurrou, fazendo Jeongguk sorrir largo, enrugando levemente seu nariz ao olhar para o mais velho que também começou a lhe olhar.

— Sim, nós vamos nos beijar muito e eu vou pedir desculpa por ter sido um verdadeiro bobo — beijou o boca bonita do Kim.

— Eu vou dizer que te amo de novo, muitas outras vezes e vou te beijar mais...

— Viu — colou as duas testas — como pode pensar que estragou nosso futuro se ele vai ser tão bonito assim Hyung?

Taehyung tentou abaixar o olhar, envergonhado, mas o moreno segurou suas bochechas.

— Você vai superar esse obstáculo Hyung, eu vou ajudar você…

Taehyung suspirou baixinho, enfiando sua cabeça na curvatura do pescoço pálido do Jeon, beijando o local algumas vezes e inspirando seu cheiro bom. Fechou os olhos.

— Muito obrigado Jeongguk…



19 anos


— AIN HYUNG! PARA! — Jeongguk se sacudiu, mantendo o pé no peito do Kim, sendo segurado pelo tornozelo por Taehyung que não parava de sorrir, vendo a imagem de Jeongguk apenas com uma cueca deitado em sua cama. — Ain Hyung — contorceu-se ainda mais, vendo como o mais velho ia se colocando cada vez mais entre suas pernas.

— Ain mas que coelhinho mais lindo esse na minha cama — comentou risonho, passando as duas mãos pelas pernas bonitas de Jeongguk, sentindo sua pele macia. Abaixou-se, beijando as duas pintinhas de sua coxa.

O moreno cobriu o rosto no mesmo segundo.

— Hyung eu estou com vergonha, para — resmungou de forma abafada pelas mãos cobrindo as bochechas ruborizadas.

Taehyung se afastou um pouquinho, pousando sua bochecha na virilha do mais novo, o olhando com os olhos doces enquanto aproveitavam daquela intimidade que estavam desfrutando desde algumas semanas atrás quando haviam dado um passo a mais na relação.

Os dois já se tocavam de forma mais madura, com malícia e excitação, mas ainda mantendo o carinho sempre presentes em cada toque.

— Não tem ninguém aqui pra você ter vergonha — sussurrou olhando Jeongguk tirar aos poucos as mãos de seu próprio rosto. O olhando também.

— Mas eu tenho Hyung — resmungou em muxoxo, arrancando um risinho de Taehyung que se levantou e ficou de quatro em cima da cama enquanto observava o corpo bonito de seu namorado.

Haviam oficializado a relação. Ocorreu de forma inesperada já que duas meninas estavam assediando Taehyung, dizendo coisas baixas a ele e exigindo que ele as acompanhasse para sair, insinuando até que ele passasse a noite com ambas.

Completamente desconfortável, o Kim afirmou um “não” e completou dizendo que estava namorando Jeongguk, vendo o menino caminhar naquela mesma hora. Foi até o garoto e o beijou.

Suavemente e doce. Um beijo com gosto de pedido mudo para que o ajudasse, e compreendendo perfeitamente o que o mais velho queria, o Jeon retribuiu.

Se beijaram por pouco mais de um minuto, corando em seguida e saindo dali.

Quando chegaram em casa, conversando sobre, expressaram o que estavam sentindo e por fim decidiram oficializar aquilo, oficializar o amor que sentiam.

— Você é lindo demais, Jeongguk — abaixou seu corpo, beijando o pescoço com menos melanina, fechando os olhos e deslizando o lábio pela pele macia e cheirosa, sentindo quando ele se arrepiava, sentindo quando as mãos tímidas do mais novo tocavam seus ombros.

Um gemidinho manhoso e baixo saiu dos lábios do mais novo que corou ainda mais.

— Posso segurar sua coxa? — Implorou baixinho, continuando a dar mais beijos por ali, ousando até mesmo dar uma mordida no lóbulo da orelha do outro.

Com os olhos fechados, imerso no prazer que estava sentindo, Jeongguk balançou a cabeça positivamente, mordendo o lábio de forma leve enquanto apertava um pouquinho mais os ombros amorenados e igualmente nus como os seus.

Taehyung apertou a carne macia da coxa do mais novo, levantando-a levemente enquanto a juntava com a lateral de seu corpo.

Outro gemido baixo saiu dos lábios do mais novo.

— Hyung? — Chamou manhoso, atraindo a atenção do mais velho que o olhou na mesma hora, acariciando todo o seu corpo de forma carinhosa.

— Quer que eu pare, bebê? — Perguntou preocupado, olhando nos olhos escuros e grandes do garoto.

— Não, — respondeu e também balançou sua cabeça negativamente — eu, Hyung — olhou para baixo, corando enquanto apertava um pouquinho mais os ombros do Kim.

— Pode me falar, meu amor, confia em mim — sussurrou beijando a ponta do nariz redondinho dele — eu amo você meu Guk…

Jeongguk corou e olhou em seus olhos também.

— Eu, — fechou os olhos por alguns segundos — eu quero mais… — Sussurrou inseguro — eu quero que a gente se complete — olhou nos olhos do mais velho, banhado em insegurança.

Taehyung recuou um pouquinho.

Tinha muito acanhamento ali.

— Você tem certeza? De verdade? Você acha mesmo que está pronto pra isso?

— Sim — balançou a cabeça positivamente — eu quero, Hyung, eu quero nós dois, agora, sendo um só — passou suas mãos até os fios do cabelo castanho, massageando a área.

— Eu vou cuidar de você, meu amor, — selou os lábios — você é a coisa mais preciosa pra mim, meu Guk…

Jeongguk sorriu timidamente, corando e ousando começar um beijo quente com o mais velho.



20 anos


Saiu de dentro de Jeongguk, beijando toda a suas costas, beijando cada pedacinho daquela pele macia, suada e com várias pintinhas minúsculas e secretas.

Levantou-se, tirou a camisinha e foi para o banheiro. Olhou para o mais novo e apenas o viu quase adormecendo. Sorriu.

Jeongguk era bem preguiçoso depois do sexo, ficava absurdamente manhoso e resmungão, querendo apenas dormir.

Tomou um banho rápido e voltou com uma toalha para o mais novo, passando por todo o seu corpo de forma suave enquanto o moreno resmungava coisas aleatórias.

Taehyung sorria, passando a toalha pela bunda do garoto, limpando todo o seu corpo e depois apenas se sentando a o seu lado, cruzando as pernas e começando a passar uma pomada no outro.

— Eu odeio tanto essa parte — enfiou sua própria cabeça debaixo do travesseiro, envergonhado.

— Eu sei, meu amor — sussurrou, beijando a lombar do mais novo, — mas tenho que cuidar de você.

Passou mais da pomada ali e a colocou em cima da cômoda, indo até o banheiro para lavar as mãos.

Voltou, diminuiu a temperatura do ar condicionado, vestiu o mais o novo com uma cueca e se juntou a cama com Jeongguk, puxando uma das cobertas para se cobrir e cobrir o outro, sentindo quando, mesmo quase adormecido, o moreno começou a se aninhar em seu braço, enfiando seu rosto no pescoço amorenado.

— Eu amo você, meu bebê — beijou a pele do mais novo, fechando os olhos e se pondo a dormir também.


[...]


— HYUNG! — Jeongguk gritou enquanto pulava na cama do mais velho, sacudindo seu corpo enquanto mostrava o grande pijama de coelho amarelo que estava vestindo.

Uma gargalhada rouca saiu da garganta do mais velho que passava a toalha vermelha pelo cabelo recém pintado de loiro.

— Gostou Hyung? — Abriu os braços e sacudiu um pouco mais seu corpo, mexendo seu quadril e sua bundinha bonita. O sorriso lindo que ele tinha estava grande em seu rosto, seus olhinhos quase sumiam e seu nariz estava bem enrugado.

Taehyung sentiu-se mais apaixonado ainda, colocando a toalha em uma cadeira e passando a mão pelos fios loiros.

— Eu comprei em homenagem ao seu novo cabelo loiro — sacudiu o corpo outra vez.

Taehyung não resistiu, se aproximou do garoto, sentindo o cheiro bom de seu sabonete de verbena. Pegou suas mãos e entrelaçou os dedos, puxando ele um pouco mais para frente e em poucos segundos, Jeongguk pulou em seu colo. Sorrindo todo feliz, enchendo o rosto do loiro de beijos.

O moreno antes era bem mais tímido do que ele andava agora. Aos poucos ele ia melhorando, mas em momentos mais íntimos ainda morria de vergonha com certas coisas. Taehyung acreditava realmente que ele estava daquela forma por conta do novo trabalho que tinha.

Jeongguk estava realizando seu sonho e trabalhando em dois locais diferentes em meio período. De manhã trabalhava em uma biblioteca imensa onde ajudava na organização e de tarde trabalhava em uma loja livraria com partes exclusivas para mangás onde o mais novo se acabava e tirava várias fotos.

Aquilo o fazia interagir com mais pessoas e aos pouquinhos ir se soltando, se tornando menos tímido e envergonhado. O Kim morria de orgulho, por mais que achasse fofa a timidez do moreno, sabia que ele não gostava muito daquilo, tal coisa o limitava demais. E agora isso estava mudando.

Taehyung sempre ia buscar Jeongguk, e na maioria das vezes passavam em alguma sorveteria ou lanchonete. As vezes iam para a casa do moreno, às vezes iam para a do Kim.

Já ele continuava estudando, estava em uma faculdade mais simples, mas que lhe abriria grandes chances no futuro da arquitetura.

Certa noite já havia confessado para o moreno o seu desejo de construir a própria casa para os dois, planejá-la do jeito que os dois iriam querer.

— Vamos pedir comida chinesa, Hyung? — Pediu se remexendo no colo do Kim, beijando todo o seu rosto enquanto sorria animado. Seu salário tinha sido depositado no dia anterior e Jeongguk queria gastar, assim como já gastou naquele pijama.

— Vamos, tudo bem — beijou a boca do mais novo — você pode ficar fazendo carinho em mim?

— Eu faço, Hyung — foi jogado na cama, soltando uma risadinha animada — eu faço sim, — enfiou os dedos pelo cabelo loiro do outro, vendo como até com aquela cor ele ficava bonito daquele jeito, parecia mais maduro e aquilo excitava um pouco o moreno. Nunca pensou que os fios claros pudessem combinar tanto com o tom de pele amorenada que ele tinha.

Taehyung beijou sua testa.

— Você ficou a coisa mais linda do mundo com essa roupinha — se afastou e olhou para o mais novo deitado na cama. Queria abraçá-lo e não soltar mais. Se contentava em não comer, dormir, estudar, nada… não precisava fazer mais nada que não fosse dormir agarradinho com Jeongguk.

— Aigoo Hyung, — rolou na cama, cobrindo parte de seu rosto.

Taehyung sorriu de lado, vendo a cena e se inclinando um pouco mais para segurar o pulso do mais novo e o puxar para que o mesmo ficasse em pé outra vez.

— Pede a comida chinesa, eu vou ligar o notebook pra vermos alguma coisa…

— Homem de Ferro, Homem de Ferro, Hyung!

O Kim revirou os olhos.

— Tudo bem, meu amor — selou a testa e foi em direção ao aparelho.



21 anos


Crescer pode ser muito assustador, mas para Jeongguk estava sendo verdadeiramente aterrorizante. Sentado na cama, Jeon observava Taehyung arrumando as malas, ele estava indo embora.

O moreno ouviu perfeitamente seu coração se partindo quando ouviu o Kim lhe dizer que precisava ficar um ano fora para concluir a faculdade na China. Era uma oportunidade única, muito importante para o loiro e Jeongguk não poderia intervir, então forçou um sorriso e o apoiou completamente.

Os dois estavam crescendo, evoluindo e conhecendo o mundo.

Mas para Jeongguk estava sendo assustador demais.

Os dois permaneceram juntos na noite antes da viagem. Promessas foram ditas, declarações proferidas, os dois se entregaram mais uma vez e no dia seguinte ambos foram juntos para o aeroporto.

Jeongguk sentia seu coração se partindo mais e mais, os dias iam passando, as semanas e Jeongguk ia para o trabalho, ele conseguia estar vivendo melhor do que esperava já que sua alma estava dividida.

Conversavam todos os dias, trocavam centenas de mensagens diariamente e antes de dormir, mas como era de se esperar, aquilo foi diminuindo um pouco com o tempo, já que as responsabilidades e obrigações de Taehyung cresciam demais.

Era doloroso, era como se Jeongguk estivesse cada dia mais doente, como se estivesse com falta de ar. Enrolava-se nas cobertas de Taehyung, sentindo seu cheiro, vestia muitas de suas roupas, apertava seus travesseiros, olhava suas fotos… Tudo, Jeongguk tentava fazer de tudo para sentir o cheiro do mais velho, para se sentir mais próximo a ele.

O fio vermelho que ligava os dois estava fraco, tudo por conta da distância entre eles.

— Se está fraco assim, é porque ele está te traindo — Jimin comentou folheando um dos livros da biblioteca em que trabalhavam.

— O que? — Jeongguk olhou rapidamente para o mais velho, seus olhos já estavam completamente marejados. Apenas citar tal coisa já o fazia querer morrer. Era absurdamente errado, mas não conseguia não se sentir daquela forma.

— Ouvi casos de quando as pessoas que são alma gêmeas se distanciam, o fio continua normal, mas quando traem e te trocam por outra pessoa o fio fica bem fraco — explicou sério, mas mantendo um pequeno sorriso divertido no canto dos lábios por conta do desespero que se formava na feição do Jeon.

A primeira lágrima caiu.

— Mas quando é traição, a alma gêmea — engoliu em seco, triste — traída, não vomita flores?

— Isso é só uma lenda — revirou os olhos — o fio fica fraco como o seu Jeongguk, o Taehyung deve estar se divertindo lá na china — sorriu cruel, voltando sua atenção ao livro em suas mãos que deveria estar sendo limpo ao invés de folheado.

— Taehyung não faria isso — o mais novo sussurrou entristecido, derramando mais lágrimas enquanto apertava o pano em suas mãos — nós nos amamos, — comentou soluçando, os lábios completamente trêmulos — ele me am-

— Ele te amou antes de ir pra China, Jeongguk, agora ele deve estar apenas transando com garotos mais bonitos do que você lá, ele é humano, é normal — resmungou e fechou o livro, colocando-o no mesmo lugar que havia pego. — Seja um bom garoto e se conforme com isso, quando ele voltar vocês estarão bem de novo.

Foram tantas lágrimas que Jeongguk derramou naquele momento que o garoto apenas permaneceu quieto, terminando seu tempo de trabalho e se despedindo de Jimin que nem mesmo fez questão de o olhar.

Seu coração doía tanto que não foi para o outro emprego, Jeongguk apenas se enfiou debaixo de seu edredon e observou dois moletons de Taehyung que estavam ali.

Derrubando mais lágrimas e pensando nas coisas que Jimin havia dito, o mais novo desejou baixinho que Taehyung nunca tivesse ido para a China.

Sentindo o cheiro do mais velho ali, no mesmo segundo em que fechou as cortinas e disse para sua mãe do outro lado da porta que não iria querer comer nada, o moreno recebeu três mensagens do Kim.

Desbloqueou o aparelho e viu o que o loiro tinha mandado.


[Minha outra alma]

Me desculpe por não ter falado com você ontem

Eu fiquei muito ocupado

Dormi de madrugada e acordei agora.


Mais lágrimas escorreram pelas bochechas do mais novo, imaginando Taehyung com outro garoto na noite anterior, dormindo com ele e somente agora lembrando-se da existência de sua alma gêmea.

Desligou o celular no mesmo segundo, sentindo-se destruído por conta daquilo e jogou longe as peças de roupas do Kim que estavam em seu colchão.

Encolheu-se e chorou ainda mais.

E pelos próximos meses até o fim daquele ano, Jeongguk não fez mais contato com Taehyung já que o fio que os ligava estava tão fraco que quase não parecia existir e a marca em seu pulso estava cada dia mais ardente.

Ela gritava desesperada em silêncio informando que os dois precisavam se encontrar.



22 anos


O soco atingiu com força o rosto do Park.

— Nunca mais diga coisas assim pra ele! — Taehyung urrou.

Assim que o Kim chegou a Coreia, a primeira coisa que foi fazer assim que saiu do aeroporto foi ir até o emprego de Jeongguk, invadindo a biblioteca ainda segurando todas as malas da viagem. Visualizou o moreno e perguntou aos berros porque ele o havia abandonado, gritou perguntando porque o magoou daquela forma, gritou perguntando porque havia machucado sua alma gêmea daquele jeito.

A única explicação que recebeu foi a de que Jimin tinha dito a ele que o Kim o estava traindo.

Movido a raiva, Taehyung jogou tudo no chão e foi atrás do Park o socando e ouvindo Jeongguk gritar um “não” e chorar em seguida.

— Eu sou a porra da sua alma gêmea! Eu sou seu namorado! Eu sou o garoto que ama você há anos! Nós nos conhecemos desde os 6 anos Jeongguk! Eu não acredito que você pensou mesmo que eu iria trair você! Eu não acredito que você me evitou por meses por conta do que esse babaca te falou! — Colocou tudo pra fora, irado, completamente enfurecido enquanto as lágrimas escorriam em abundância pelo seu rosto.

— Me desculpa, me desculpa, Tae — correu até o loiro, o abraçando fortemente enquanto chorava da mesma forma. Queria se fundir a ele, mas o Kim apenas o afastou.

— Eu dei tudo a você, mas nem a sua confiança eu mereci…

— Não, não é verdade, eu fiquei com medo, nosso fio estava tão fraco, eu achei que fosse verdade o que ele falou, que a traição faz isso com os fios — falou de forma apressada, soluçando enquanto via mais e mais lágrimas escorrendo pelas bochechas amorenadas do mais velho.

— Nosso fio estava fraco por conta das desconfianças e tristezas que você estava sentindo com relação a mim, é isso que envenena nossa relação, não a distância Jeongguk! — Levantou a mão, mostrando como o fio dos dois continuava bem fraco — olhe! Ele ainda está fraco mesmo comigo na sua frente, mas ele está assim porque eu estou triste, porque eu estou magoado com você por não ter acreditado em mim! Por nem ao menos ter me perguntando o que estava acontecendo ou me contado o que estava sentindo! Eu percebi que algo estava errado conosco por conta do fio, mas em nenhum momento eu pensei em traição, não pensei nem que você estava doente, pensei que você tinha parado de me amar, de me querer! Porque eu confio em você, porque eu sei que você nunca seria capaz disso!

Seu rosto estava completamente avermelhado, ele não gritava mais, estava falando de forma altamente dolorosa, como se estivesse sofrendo muito ao dizer aquelas palavras, e Jeongguk sabia que Taehyung estava sofrendo, ele sentia isso.

— Você está terminando comigo?

Taehyung revirou os olhos, passando a mão pelo rosto. Frustrado.

— Eu não seria capaz de terminar com você, nunca, mas eu estou magoado com você, muito magoado por ser tão inocente e acreditar em qualquer coisa que podem dizer sobre mim…

Jeongguk derramou mais lágrimas, passando as mãos pelas suas bochechas.

— Eu juro que vou melhorar, eu vou acreditar em você, eu vou-

— Você tem que ter mais confiança em si mesmo, não apenas em mim, Jeongguk, eu amo você, amo mais que tudo na minha vida, e por mais que eu ame demais o seu jeito doce, eu odeio o fato de você parecer ser completamente indefeso e vulnerável para acreditar em qualquer coisa! Isso me deixa triste e me deixa preocupado, e eu não vou terminar com você, mas eu também não quero continuar me relacionando com alguém que não confia ou conversa comigo.


[...]


Os dois dormiam juntos, fazia três semanas desde que Taehyung tinha voltado. Os dois dormiam juntos todas as noites, o Kim não suportava mais passar uma noite sequer sem Jeongguk nos seus braços. O abraçava com carinho, beijava seus braços, seu pescoço, seu rosto, mas não sua boca.

Ainda estava um pouco afastado apesar daquilo e o mais novo sentia isso, porém não forçava uma aproximação mais íntima como namorados e não como alma gêmea. E apesar de estarem mais próximos e de alguma forma mais carinhosos, o fio dos dois ainda estava fraco.

E era pensando naquilo que Taehyung chorava enquanto tomava um banho, olhando para o fio fraco no qual estava preso e o ligava ao menino que estava no próprio quarto.

O Kim sorriu levemente apesar das lágrimas enquanto via os shampoos e cremes que Jeongguk guardava no próprio banheiro. Vaidoso, sempre querendo estar bonito. Jeongguk era um menino lindo, Taehyung sabia que tinha sorte por tê-lo, mas ainda assim chorou um pouco mais, ainda sofrendo por saber que realmente Jeongguk era inocente em muitos aspectos, o que facilitava muito dele ser manipulado por pessoas ruins. E o pior era que o mais novo apenas acreditava e guardava para si, não dialogava.

Terminou seu banho esperando profundamente que coisas como aquela melhorasse, que os dois aprendessem a lidar com aquelas coisas.




23 anos


Taehyung estava sentado em uma das escadas grandes de azulejo da grande piscina da casa de Min Yoongi, um grande amigo que Jeongguk fez em seu trabalho e que era uma companhia muito boa para ele, segundo o Kim.

Desde que se conheceram, Jeongguk estava um pouquinho mais seguro já que o Min conseguia colocar o garoto em diversas situações embaraçosas e o mandava se virar. Dizia coisas a ele para que ele aprendesse a não acreditar em tudo, para ser mais seguro, até mesmo consigo mesmo.

Para conseguir se virar sozinho.

Taehyung tinha certa parte da culpa disso tudo. Mimava demais o mais novo, fazia tudo para ele, desde comprar coisas que ele citava estar precisando, até mesmo colocar pasta de dente em sua escova e o levar no colo para o banheiro enquanto o enchia de beijinhos na bochecha.

Acostumou Jeongguk a viver dentro de uma bolha em que o mundo dele era apenas o Kim porque o próprio fazia absolutamente tudo para si. Que era a única companhia que precisava interagir.

Ao perceber isso, desculpou-se diversas vezes com o moreno, pediu desculpa por ter o impedido de aprender a voar como deveria, por ter se acostumado demais com o jeito manhoso do garoto e ter feito tudo o que ele queria, às vezes sem nem mesmo ter pedido.

Pediu desculpas pelas palavras que disse também. Não foi certo apenas jogar a culpa no garoto e aos poucos os dois iam se ajeitando com suas novas rotinas e hábitos de convivência.

Ainda sentiam que iam morrer caso não se vissem todo dia, ou caso não dormissem um nos braços do outro, trocando beijinhos e carinhos. Mas Taehyung e Jeongguk estavam dando espaços para si mesmos. O Kim não buscava mais o mais novo todos os dias no trabalho, se limitava a apenas duas ou uma vez por semana.

O resto das vezes Jeongguk voltava sozinho e houve até mesmo algumas vezes que saiu com Yoongi, indo sozinho comprar uma roupa ou lanchar, coisa que anos atrás iria parecer absurdo já que só fazia aquilo com o Kim.

Os dois estavam menos dependentes um do outro, demorou e ainda iria demorar um pouco mais para alcançar uma relação mais saudável, mas estavam se entendendo, se esforçando e ficando cada vez mais felizes.

E lá estavam os dois, em uma piscina na festa que Yoongi estava dando. Os dois com blusa e bermuda, mas debaixo d’água. Jeongguk estava em seu colo, não desgrudava de si, conversa com os demais, os cumprimentava e brincava um pouco, mas não saia de perto do loiro que contornava os braços ao redor da cintura malhada e beijava as bochechas cheinhas do mais novo.

Estavam melhorando, mas estavam indo no tempo deles…

— Está com fome? — Perguntou baixo, olhando para o garoto que sorriu baixo enquanto lhe olhava, aconchegando-se em seu colo e recebendo um beijo na bochecha.

— Um pouquinho, mas vamos ficar mais aqui — sussurrou, fazendo um beicinho e recebeu outro beijo.

Os dois ficaram na piscina por mais algum tempo, nadando juntos. Jeongguk mergulhava e quando se levantava, sacudia-se todo, espirrando água no rosto do Kim que apenas tentava desviar e sorria vendo o mais novo se divertir.

Passou as mãos pela cintura do moreno e o puxou para mais perto de si.

— Eu amo você, meu bebê — sussurrou beijando o garoto, tocando no lóbulo de sua orelha enquanto com o outro braço puxava o mais novo para mais perto.

— Aigoo, Hyung — corou desviando o olhar, mas beijando rapidamente os lábios do Kim. Envergonhado.

— Diz que me ama também…

Jeongguk corou um pouco mais.

— Diz que me ama, Guk — fez um beicinho.

— Eu te amo, Hyung — beijou os lábios do Kim.

Mas Taehyung não se contentou apenas com aquilo, aprofundou um pouquinho mais o ósculo, abraçando o corpo do garoto e fechando os olhos enquanto sentia a língua tímida de Jeongguk se enroscar na sua, de forma gostosa e doce.

Poderia beijar Jeongguk para sempre.

Se afastaram.

— Somos o casal mais bonito daqui — murmurou arrancando uma risada gostosa do mais novo que apenas lhe deu um tapa fraco no ombro. — Mas nós somos.

Abaixou-se à frente do garoto e permitiu que ele subisse em suas costas, saindo da piscina e indo até uma das mesas de comida.

— Pode deixar que eu me sirvo, Hyung — saiu de cima do Kim e começou a caminhar para longe, pegando um prato e começando a se servir, trocando uma palavra ou outra com os demais que iam cumprimentá-lo.

Taehyung sorriu lembrando-se do menino absurdamente tímido no qual iniciou um namoro, no qual era sua linda alma gêmea, lembrou-se de cada coisa que passaram juntos e lembrou-se de seu rostinho com 14 anos quando Jeongguk chorou tanto após perder seu peixinho dourado.

Lembrou-se de como ele parecia triste e sozinho com aquele beicinho lindo se formando enquanto dormia, e ficou feliz ao ver o sorriso largo se estendendo pelo rosto de Jeongguk agora quase da sua altura, com músculos, uma personalidade ainda doce e mais confortável para estar com outras pessoas.

Seu menino havia crescido.

Ele mesmo havia crescido.

Os dois estavam crescendo, de pouquinho em pouquinho, Um Pequeno Crescimento de cada vez…




Fim~~


Espero que tenham gostado gente <3333

#Vkook #Soulmates #Romance #Fluffy


384 visualizações10 comentários

Posts recentes

Ver tudo

Memórias Omitidas C.1

Oiiii Já voltei com mais um capítulo cheirosinho para vocês, espero que gostem <3333 E muuuuuito obrigada por todas as visualizações, todos os votos e todos os comentários bem incríveis a respeito da

Memórias Omitidas

SINOPSE: No dia 6 de abril, Jeon Jeongguk foi empurrado nas escadas de seu prédio. Dia 5 de junho, ele acorda pensando que sofreu um acidente, mas desperta sem se lembrar de absolutamente nada devido

O Mais Bonito dos Outonos C.2

Oiii Venho aqui com mais um capítulo dessa história que está tomando um grande espaço no meu coração e eu espero que esteja tomando no de vocês também <333 Obrigada de verdade pelos maravilhosos comen