Um Amor para a Alma, outro para o Coração

Sinopse:

Jimin e Taehyung descobriram que são almas gêmeas há cinco anos, mas ambos não nutrem sentimentos românticos um com o outro. Ainda assim, os dois possuem uma relação que causa inveja em muitas pessoas, até porque, mesmo as almas gêmeas brigam, discutem, mas eles não.

O companheirismo entre os dois sempre foi motivo de elogios e felicidade entre eles que sempre se entenderam perfeitamente e colocavam todo o amor que nutriam um pelo outro acima de tudo.

Todavia, na festa de ano novo que iria acontecer na casa dos Park, Taehyung conhece Jeongguk, o menino que em apenas alguns minutos roubou seu coração e o fez ficar perdidamente apaixonado.


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O corpo de Kim Taehyung se mexeu mais um pouco, de forma preguiçosa e bem sonolenta. Embora a cama de Park Jimin fosse bastante espaçosa, Taehyung se mexia demais enquanto dormia, jogando uma perna pra cá, um braço pra lá, mas sua principal mania era a de deitar em um único canto da cama e puxar o corpo do garoto mais baixo para o mais próximo possível do seu.


Sentia-se bem fazendo aquilo, seu sono parecia melhor quando fazia.


Era bastante confortável e tranquilo de se dormir daquela forma.


Ainda dormindo, resmungou palavras que nem mesmo ele poderia dizer o significado e puxou Jimin para mais perto ainda, ouvindo o Park lhe chamar baixinho, parecia estar resmungando algo importante, mas o Kim nem quis saber.


— Nós temos que acordar, Tae — Jimin falou de forma manhosa, afundando seu rosto no pescoço sempre cheiroso do de fios cinza. O mais novo dos dois garotos não respondeu, apenas deslizou suas mãos pelas costas do loiro, sentindo a pele quentinha de Jimin em seus dedos, sempre parecia certo acariciá-lo, assim como parecia certo e totalmente confortável manter ambas as pernas emboladas umas nas outras.


Os dois estavam bem encolhidos desde que foram dormir tarde na noite anterior por estarem maratonando séries. A madrugada estava bem fria, e por conta disso os dois vestiram conjuntos de moletons cinza - para combinar - e pegaram dois edredons, dormindo de forma completamente grudada, tal como sempre faziam desde que se descobriram alma gêmeas, 5 anos atrás, aos 11 anos de idade.


— Só mais um pouquinho — Taehyung resmungou completamente sonolento, fazendo até mesmo um biquinho, acariciando um pouco mais o corpo do outro, acariciando sua lombar suavemente enquanto sentia as pernas de Jimin se mexendo entre as suas e logo as duas coxas grossas ficaram ao lado de suas que eram mais longas e magras. Ele estava literalmente deitado em cima de si, como um bebê coala.


— Minha mãe vai reclamar, TaeTae — se aconchegou melhor e levou uma das mãos pequenas até o peito do Kim, começando a subir sua palma até às clavículas amorenadas e indo até a nuca, começando a fazer um carinho pequeno ali.


Jimin era completamente apaixonado em fazer carinho em Taehyung, era completamente apaixonado em tocar sua alma gêmea, sabia que podia passar horas segurando sua mão, afagando seu cabelo ou acariciando sua orelha, Jimin amava tocar o mais novo, amava saber que estavam ali, juntos, ambos envolvidos na própria bolha que criavam para se isolar do mundo. Assim como todas as almas gêmeas do planeta.


— Acorda, Tae, hoje é o último dia do ano, você não pode ficar com preguiça assim — resmungou aumentando a intensidade de seu carinho, acariciando toda a área da nuca do bonito Kim enquanto levava os lábios cheios até o queixo amorenado, dando um e depois outro beijo pelo maxilar bonito, nunca desejando chegar aos lábios de fato.


Afundou seu rosto um pouco mais ali. Mesmo que tais palavras de aviso estivessem saindo de seus lábios naquele momento, o Park queria tanto quanto o Kim continuar ali daquele jeito, continuar a tocá-lo, continuar a dormir e sentir o mais novo lhe acordando depois de horas com beijinhos na testa e carinhos em seu braço.


— Ah, Jiminie, — gemeu desgostoso enquanto contorcia seu rosto em uma careta e acabou por virar seu corpo para o lado, trocando a posição dos dois e mantendo o mais velho embaixo de si, abraçando o corpo menor, conseguindo colocar seu rosto no pescoço do Park — eu fiquei com preguiça o ano inteiro, me deixe ficar no último dia também, poxa — sentiu as mãos pequenas adentrarem em seu casaco e começar a acariciar suas costas.


— Ah, Tae, por favor — Jimin reclamou de forma manhosa, se remexendo e dando alguns tapinhas nos ombros do mais novo.


Não estava realmente tão disposto quanto parecia estar afirmando para a sua cara metade, mas Jimin sabia que se não levantassem naquele momento, sua mãe brigaria com ambos e como castigo iam passar três dias sem dormirem juntos já que aquele era o limite. Seus pais já haviam tentado castigá-los pelas travessuras de infância, os mantendo sem poder dormir juntos por dias, o limite havia sido três porque os dois estavam chorando, passavam o dia com aspectos cansados e nem comiam direito.


Seus corpos pareciam necessitar um do outro, suas almas pareciam fracas quando ficavam separados e cheios de saudade, e quando os dois puderam finalmente dormir tranquilos na cama do Kim, o sono que os atingiu durou certa de quase 18 horas com os dois abraçados, parecendo dois gatos que ficavam se acariciando e dando beijinhos nas mãos, bochechas e até nos ombros coberto pelas camisetas iguais com tema do Charmander, pokémon preferido dos dois.


O sistema de alma gêmeas era levemente dependente desse jeito, sempre fazia um precisar do outro, precisar da aproximação do outro, mas isso sempre depois que as respectivas almas gêmeas se encontravam. Antes, qualquer um vivia sua vida normalmente sem ter essa saudade ou necessidade de estar com alguém.


Mas, se não despertassem e se levantassem naquele momento, Jimin temia que aquele castigo pudesse ocorrer de novo.


— Nada disso, — fez um grande esforço para conseguir girar os dois corpos outra vez e conseguir sair do aperto dos braços do Kim.


Sentou-se na cama e começou a dar diversos tapas fracos no de fios cinza que abraçou sua cintura.


— Pelo amor de Deus, Taehyung! Para com essa preguiça toda, — revirou os olhos e bateu fortemente na bunda do Kim, vendo o mesmo começar a se sentar e beijar a bochecha cheinha do Park que sorriu para ele. Ele nunca ficava realmente bravo com Taehyung, ainda mais por uma bobeira como aquela, e naquele caso a recíproca era extremamente verdadeira — Ainda bem que tomou vergonha na cara! Eu mesmo ia fazer questão te ficar dias sem te ver caso não se levantasse.


— Vai a merda, Jimin — empurrou o mais velho, vendo o mesmo cair de costas no colchão e encher o quarto com uma risada gostosa.


Taehyung bocejou enquanto olhava para o outro, sorrindo levemente para ele. Jimin tinha a risada mais gostosa que já tinha escutado. Era uma risada tão linda que o fazia sorrir também apenas por ouvi-la.


— Vem, vamos — estalou o pescoço e se colocou de pé, esticando seu corpo sabendo que havia deixado sua barriga aparecer levemente. Virou de costas para o Park e esperou que o garoto pulasse no seu colo, contornando as pernas e braços ao seu redor antes de começar a sorrir baixinho.


Jimin era mimado, sempre era mimado por Taehyung e o Park amava aquilo. Taehyung também adorava mimá-lo, amava dar coisas e presentinhos para o mais velho, adorava fazer tudo o que ele queria, adorava o fato de tratar Jimin como se fosse a coisa mais preciosa do mundo, o que do fundo do coração achava que era sim a coisa mais preciosa para si.


O loiro nunca se importou de ser tratado de tal forma, muito pelo contrário, sempre gostou muito e quando passava os dias e Jimin não tinha recebido a cota normal de mimos, fazias manhas até que Taehyung ficasse consigo, lhe fazendo cafunés e carinhos. Com os dois juntos em um canto, entretidos no próprio mundo de forma completamente amorosa.


Afinal, os dois se amavam.


Se amavam muito, eram completamente loucos um pelo outro, mas não da forma como todos esperam que as almas gêmeas sejam. Os dois se amavam, mas não era paixão que sentiam, mantinham uma relação completamente baseada em cumplicidade e confiança. Taehyung contava tudo, completamente tudo a Jimin, desde as informações mais importantes como decisões que poderia fazer ou coisas relacionadas a seus sentimentos, até coisas idiotas e banais como o fato de ter cortado as unhas do pé ou que seguiu uma nova conta em alguma rede social.


Mas aquilo não era estranho para os dois, afinal, Jimin fazia o mesmo.


Não se importavam com alguns olhares estranhos que recebiam quando diziam que não se viam de forma romântica ou com desejos carnais, não se importavam com os resmungos de “vocês são estranhos” quando Taehyung citava algum garoto que tinha achado bonito e Jimin lhe dava incentivos para investir no tal rapaz, coisa que nunca aconteceu já que o Kim sempre fora tímido demais para flertar com alguém.


Claro, eles tinha dezesseis anos e já haviam sim se beijado. Os dois haviam sido o primeiro beijo um do outro. Os dois sentiram coisas mágicas e maravilhosas demais quando as duas bocas se juntaram, quando o beijo calmo se tornou um pouco mais intenso e o sentimento que tinham um pelo outro pareceu triplicar de tamanho. Sabiam quando estivessem prontos para o ato sexual, seria igualmente maravilhoso, sentiriam as melhores sensações de suas vidas, mas não era como se tivessem ansiedade para que tal coisa acontecesse.


Estavam perfeitamente bem do jeito que estavam e mesmo com tanta sensação indescritível causada pela marca de alma gêmea e pelas duas almas que se completavam apesar dos símbolos em seus pulsos, Jimin e Taehyung se amavam de forma absurda, mas sem paixão.


Eles também não entendiam, mas não era algo a ser visto como “errado” ou “estranho”, a relação que mantinham era saudável e forte, e aquilo bastava para eles.


Não queriam forçar seus sentimentos a crescerem e se desenvolverem de forma romântica um com o outro, se aquilo fosse acontecer, seria naturalmente, com o tempo. Embora tivessem dúvidas de que realmente pudesse ter uma relação daquela forma.


Até porque, Jimin era hétero.


Apesar de já ter beijado Taehyung três vezes, isso não o definiu como pessoa, Jimin continuava sendo um ser humano que ainda queria se encontrar, queria identificar quem ele era, e apenas ele poderia fazer isso.


Até porque, para você saber o que é, você precisa buscar, procurar e deixar seus sentimentos florescerem… Você precisa se abrir consigo mesmo para saber o que é.


Uma atitude de Jimin não o definia como pessoa.


Uma falha que ele cometeu não o condena, assim como um acerto não o deve glorificar.


Jimin, mesmo ainda estava tentando se encontrar, continuava sendo um ser humano perfeito para Taehyung, embora o Kim soubesse plenamente que a perfeição não existia.


Para si, Jimin era tudo.


E não importasse o que fosse ocorrer, nada mudaria sua opinião.


Jimin continuaria sendo o pessoa mais preciosa de sua vida e ele sabia que o Park sentia o mesmo com relação a ele.


Sem contar que a ligação que os dois mantinham era absurdamente diferente das demais não apenas por aquele aspecto. Os dois também eram muito apegados um com o outro, tinham uma necessidade absurda de estarem juntos, perto um do outro, tocando o outro, coisa que não era nada relacionada a marca de alma gêmea que tinham.


Jimin era uma pessoa carente, assim como o Kim que também necessitava de certos contatos.


Para resumir todo o sentimento e relação que tinham um com o outro, bastava apenas entender que os dois simplesmente não conseguiam ficar um dia sem se ver ou tocar.


Parecia uma tortura muito grande.


Naquele dia, os Park dariam uma festa de ano novo, algo simples, apenas para alguns amigos mais próximos. Contudo, Taehyung estava dormindo ali a semana toda, dizendo que queria ajudar os pais de Jimin quando na realidade apenas queria ficar o máximo de tempo possível com sua alma gêmea, coisa que todos já sabiam.


Antes de ir até o banheiro com o mais baixo, Taehyung pegou o óculos do garoto, segurando e indo até o cômodo para que os dois fizessem suas higienes matinais e pudessem enfim, iniciar aquele dia que sabiam que seria bem turbulento e cheio de afazeres.


Desejavam muito voltar para a cama.


[...]


— Aqui, toma — Jimin mexendo o molho na frigideira mergulhou a colher ali e tirou parte do molho de tomate completamente avermelhado no qual iam colocar na macarronada, prato que os dois escolheram fazer para servir na festa de ano novo.


Jimin esticou o braço e deu o molho na boca do Kim, que degustou e abriu um sorriso animado pelo gosto bom que invadiu sua boca.


— Está uma delícia, Jimin — caminhou até o mais velho, abraçando-o por trás enquanto pousava seu queixo no ombro do Park.


Respirou fundo e soltou uma arfada baixa, quase bocejando enquanto abraçava com um pouco mais de força o corpo do mais baixo, esse que estava completamente concentrado em continuar misturando o molho vermelho que já começava a borbulhar e encher a cozinha com o cheiro gostoso.


— Você ainda está com sono, Tae? — Jimin perguntou baixinho.


— Estou sim — resmungou baixo, piscando de forma lenta antes de bocejar e se afastar lentamente do corpo do mais velho.


— Ora, Ora, Ora — a voz sorridente de Bogum entrou pela cozinha, o irmão mais velho de Jimin, com seus 22 anos, abriu um largo sorriso ao se aproximar de Taehyung e lhe oferecer um pouco do biscoito que estava comendo —, vocês já estão agarrados assim a essa hora da manhã?


— Sempre estamos agarrados, Bogum Hyung — Jimin comentou cerrando um pouco os olhos, nem hesitando na hora pegar um dos biscoito do pacote da mão de seu irmão mais velho, cujo a existência às vezes lhe irritava.


Taehyung soltou um sorriso pequeno.


Os dois não se odiavam, longe disso, mas também não eram extremamente afetuosos um com o outro. Passando muitas horas do dia trocando farpas e provocações. Bogum tinha certa inveja de Jimin por ser tão jovem e já ter o seu alguém predestinado, já que ele mesmo não tinha.


Nem todos tinham a sorte de ter a marca da alma gêmea, de serem ligados com alguém, nem todos encontravam o amor verdadeiro tão cedo. Bogum com vinte e dois anos não tinha achado aquela pessoa certa que faria seu coração disparar e lhe fazia ter vontade de estar com ela a cada segundo do dia.


Jimin com onze anos já tinha.


Tinha Taehyung ao seu lado, lhe abraçando todas as noites, lhe confortando, se preocupando, cuidando de si, lhe amando profundamente…


Havia uma pequena inveja que o fazia soltar algumas farpinhas para o mais novo.


— Você não vai chamar ninguém pra você também poder se agarrar não? — Jimin perguntou desligando o fogo e tampando a panela com o molho, passando por Taehyung para pegar uma vasilha de vidro com diversas almôndegas dentro, começando a colocar uma por uma dentro da panela depois de voltar a abri-la.


— Eu vou chamar os Jeon, a Soyeon é linda demais e eu quero ficar com ela — Bogum explicou simples, apoiando a lateral de seu corpo no balcão de mármore.


— Jeon? — Taehyung perguntou baixinho, olhando para Jimin que lhe ofereceu uma das menores almôndegas, lhe dando na boca e lavando a mão antes de voltar ao trabalho. Taehyung começou a mastigar, fazendo o barulho que fazia diversas pessoas se incomodarem, mas não o loiro.


O Park mais novo gostava daqueles barulhinhos, achava fofo e sentia-se como se estivesse vendo e ouvindo um bebê mastigar.


Era como se nenhum dos dois tivessem defeitos ou manias feias aos olhos um do outro.


— Ah, são uns novos moradores do final da rua, nunca os vi, mas o Bogum gosta deles, mais especificamente da filha dos senhores Jeon, — Jimin explicou baixo, revirando os olhos e dando outra almôndega para o Kim. Podia morrer apenas com a sensação boa que sentia ao ficar mimando Taehyung daquele jeito também.


— Eles têm um filho também, mas não gravei o nome dele, ele é mais novo que vocês, talvez venha — explicou virando o pacote, comendo todo o farelo que havia restado.


— Minha mãe vai ficar me obrigando a interagir com ele, — Jimin resmungou fazendo uma cara completamente desgostosa — já basta a chata da Dahyun que enche a porra do nosso saco toda vez que vem aqui.


— Ela ainda quer ficar com o Taehyung?


— Toda vez! — Jimin acabou batendo a mão na pia, sentindo a irritação lhe atingir em cheio. Era sempre assim quando tocava naquele assunto — eu odeio aquela garota, mas minha mãe a acha super educada e gosta dos pais dela, mas eu odeio! — Virou-se para o irmão mais velho — ela fica se esfregando no Tae sempre que tem chance, tocando nele, fingindo que não sabe de algumas coisas pra pedir ajuda a ele, fica se insinuando só porque não temos um relacionamento como o esperado!


— Nunca gostei dessa garotinha — Bogum resmungou torcendo o nariz levemente — muito mimadinha desde pequena.


— Eu odeio quando ela deixa o meu Tae desconfortável — Jimin soltou se forma irritada, apertando a ponta da pia enquanto falava de uma forma como se Taehyung nem estivesse ali, ouvindo tudo aquilo.


O Kim abaixou a cabeça por alguns segundos, lembrando-se de todas as vezes que a garota tinha investido em si apesar de sempre dar foras nelas, nunca corresponder a nada, bloqueá-la em todas as redes sociais… Não gostava dela, não gostava também de como ela fazia Jimin se sentir.


Taehyung caminhou até o mais baixo, o abraçando por trás antes de começar a beijar sua nuca devagar.


— Eu vou ficar o tempo todo no seu colo — sussurrou rouco.


— Eu queria comemorar no meu quarto, com você comigo, só isso, a gente comendo besteiras e vendo algum filme — confessou baixinho — não queria ficar tendo que puxar assunto com esse filho dos Jeon caso eles venham ou tendo que dar atenção a Dahyun e muito menos vendo você desconfortável perto dela, sabe que eu odeio isso!


Taehyung deu outro beijo em sua nuca, tudo de forma suave para que o mais velho parasse de sentir aquelas coisas também. O Kim não gostava nem um pouco.


— Hoje a noite vai ser ótima, Jiminie — se afastou um pouquinho, roubando uma pequena almôndega e fazendo o Park mais novo sorrir ao ver aquela cena.


[...]


Não demorou muito para os primeiros convidados da festa chegarem. Jimin até tentou se esconder de alguns de seus parentes ficando dentro de seu quarto, dando para à sua progenitora à desculpa de que estava ajudando o Kim a se vestir quando na verdade, os dois apenas estavam deitados enquanto faziam carinho um no outro.


Os dois eram assim.


Assim como pessoas com pressão baixa devem comer coisas salgadas quando se sentem tontas, Jimin e Taehyung precisavam se tocar e acariciar.


Mas, por mais que tivessem despistado a senhor Park por uns 15 minutos, logo eles realmente tiveram que sair dali e ir cumprimentar os demais.


Ficaram de mãos dadas a todo o momento, mesmo que fossem se curvar para alguém, ou até mesmo abraçar quem fosse mais jovem e tivessem mais intimidade, ainda assim, continuavam de mãos dadas.


Isso, até ver Dahyun.


A garota abriu um sorriso enorme, o direcionando para Taehyung e praticamente correr até o Kim, o abraçando com força.


— Ain, Tae! Tudo bem? — Esfregou seus seios no peito do mais alto enquanto trocava aquele abraço. Jimin já estava completamente enfurecido ao seu lado e não hesitou nem um pouco antes de segurar o braço de Taehyung, o puxando com força para sair dos braços da garota que fez uma careta pra lá de feia.


— Sai de perto dele, — rosnou revirando os olhos, — não fique perto dele!


Colocou-se à frente do mais novo, em uma posição completamente defensiva enquanto soltava aquelas palavras. Jimin realmente odiava Dahyun, odiava como ela fazia o mais novo se sentir mal.


Puxou o Kim para longe, caminhando até uma das mesas cheias de comida e olhou nos olhos de Taehyung.


— Você está bem? — Jimin perguntou tocando na bochecha do outro, fazendo um carinho suave ali.


— Estou Jimin, está tudo bem — abriu um sorriso discreto, segurando as duas mãos pequenas do mais velho, beijando-as em seguida — eu amo você meu anão revoltado — resmungou beijando a testa do Park que soltou uma risada, segurando a cintura do mais alto, se aproximando um pouquinho mais.


— Todo minuto até esse dia acabar, vamos ficar juntos, tudo bem?— Jimin perguntou baixo, passando uma de suas mãos pelos fios acinzentados, tirando alguns fios dos olhos do mais alto, olhando todo o rosto bonito que ele tinha. — Eu amo você.


— Eu também te amo, Jimin — afundou os dedos nos fios loiros do mais velho, entrelaçando seus dedos longos pelos fios loiros enquanto ia se aproximando um pouco mais do outro — muito.


Selaram brevemente as duas bocas e se afastaram, caminhando até uma sacada e ficando ali por vários minutos. Os dois conversaram, comeram diversas coisas que pegaram na mesa, cumprimentaram mais alguns convidados e logo Taehyung estava apenas sentado no colo de Jimin enquanto marcavam de ir ao cinema antes das aulas voltarem.


Não tinham mais sido incomodados por Dahyun e mesmo quando a garota passava por eles, não conseguindo se segurar em olhar para o Kim, os dois apenas a ignoravam.


Já era dez da noite e tudo estava indo melhor que o esperado, Jimin ajeitava à jardineira escura que o Kim vestia por cima do moletom amarelo e Taehyung ajeitava à jardineira clara que o Park vestia por cima do moletom preto e branco listrado. Os dois escolheram se vestir daquele jeito.


— Falta um pouquinho mais e aí poderemos dormir juntinhos e-


— JIMIN! OS JEON CHEGARAM! — À senhora Park gritou do outro lado da sacada, balançando levemente seus braços — venha cumprimentar eles!


Revirando os olhos levemente, Jimin pegou a mão do Kim e entrelaçou seus dedos, caminhando juntos até os Jeon.


Para Jimin foi um ato completamente rápido, se curvar para as quatro pessoas de fios pretos ali.


Mas para Taehyung, o ato demorou por conta do mais novo entre os Jeon, o menino baixo, porém um pouquinho maior que Jimin, que estava todo envergonhado e encolhido no canto, deixando suas bochechas infladas e um pouco mais fofas.


O Kim sentiu seu coração acelerar no mesmo segundo.


— Leve Jeongguk pra brincar com vocês, Jimin — à senhora Park orientou sorridente, tocando nos ombros do mais novo que abaixou o olhar, ficando ainda mais envergonhado. — Ele tem quase à mesma idade que vocês — comentou parecendo bastante animada com aquilo.


Jimin se segurou para não revirar os olhos, afinal, quantos anos tinha para que sua mãe falasse assim? "O leve para brincar com vocês"... Não tinha dez anos!


— Ah! Vocês são almas gêmeas — a senhora Jeon exclamou animada. Era sempre fácil notar quem era alma gêmea uma da outra, não se precisava de muito para descobrir. Almas gêmeas sempre exalavam um brilho próprio, e esse brilho aumentava ainda mais quando estavam juntos.


E para ajudar a senhora Jeon nessa descoberta, também tinha a senhora Park que havia contado toda feliz que seu filho mais novo era uma das pessoas que tinham a alma compartilhada com seu amor verdadeiro.


— Somos sim — Jimin abriu um grande sorriso, amava contar sobre como ele e Taehyung eram ligados para sempre.


O mais alto abaixou um pouco o olhar, envergonhado não só pelo o que estava sendo dito, mas também porque estava sendo encarado por Jeongguk e seus olhos grandes.


— Vocês tem muita sorte — o senhor Jeon comentou sorrindo, — vá brincar com eles, Jeongguk, vão ser bons amigos pra você — deu dois tapinhas nos ombros do mais novo que apenas balançou a cabeça positivamente antes de começar a seguir os dois mais velhos com as mãos dadas.


De pouquinho em pouquinho, Jimin ia conseguindo fazer o mais novo, completamente tímido, ir começando a falar. Perguntava seu nome, o que gostava de fazer, se tinha algum jogo que mais gostava… E Taehyung continuava ali, com Jimin em seu colo enquanto ouvia a conversa dos dois, mas prestava total atenção em Jeongguk.


Prestava atenção em seu rostinho bonito, prestava atenção nos dentinhos que ele tinha e na pequena cicatriz que ele tinha na bochecha. Ele reparou no cabelo escuro e no nariz redondinho que ele tinha, reparou que fazia beicinhos e que não parava de mexer uma mão na outra enquanto falava.


Reparou na roupa completamente amarela, um casaco de moletom que vestia para aquela simples festa. Reparou em como ele era fofo e tinha a voz doce, como um gatinho ronronando.


O traços dos olhos grandes eram bonitos, e combinavam bem com o queixo curtinho que ele tinha.


Não precisou esperar mais algumas semanas, ou ter uma conversa franca, longa e verdadeira com o Jeon para perceber à verdade.


Estava apaixonado pelo garoto.


— Jeongguk — falou o nome de forma calma, atraindo a atenção do mesmo e vendo o garoto formar um biquinho nos lábios.


— Oi, Hyung.


— Você tem namorado? — Tanto o Park quanto o moreno arregalaram seus olhos, olhando completamente chocados para acinzentado que não expressava nenhuma outra reação que não fosse a de uma calmaria tranquila. — Você gosta de alguém?


— Mas por que você quer saber disso? — Jimin cerrou os olhos, antes mesmo que o mais novo pudesse responder aquelas perguntas.


— N-não, eu não namoro e nem gosto de alguém, Hyung — o moreno respondeu baixinho e aquilo arrancou um sorriso involuntário do Kim que apenas se levantou, levantando o mais velho junto e segurou seu pulso.


— Vem comigo, Jimin!


E puxando o mais baixo, começou a correr em direção ao quarto do Park.


Entrou no cômodo e puxou Jimin para o seu lado, vendo ele lhe olhar completamente desacreditado.


— Mas o que diabos aconteceu? — Abriu os braços e soltou a pergunta de forma alta e completamente confusa.


— Eu acho que estou apaixonado, Jimin!


— O QUE? — Gritou completamente assustado, recuando dois passos e cerrando os olhos.


— Jeongguk, você viu como el-


— Você está apaixonado pelo Jeongguk? — Perguntou como se aquilo fosse o maior absurdo do mundo. — Você o conheceu tem quase vinte minutos e já está apaixonado?


— Sim, acho que sim, Jimin — apoiou as costas na porta, respirando fundo enquanto olhava para o mais velho, querendo buscar as melhores palavras para explicar o que estava acontecendo ao seu coração para sua alma gêmea.


— Você não acha que só está afim de beijar ele não, Taehyung? — Cruzou os braços, sentindo um gosto estranho na boca ao fazer aquela pergunta.


O Kim corou na mesma hora, ficando completamente envergonhado e desviando o olhar do mais velho.


— Eu não sei, Jimin… Eu — mordeu o lábio inferior — eu só sinto que estou apaixonado por ele.


O Park revirou os olhos.


— Você é tão — passou as mãos pequenas pelo próprio rosto, caminhando até sua cama e se sentando na mesma — porque você tem que ser tão sensível sobre essas coisas?


Taehyung soltou uma risadinha, sabia que Jimin estava mais tranquilo com questão àquilo. Caminhou até o mais velho e sentou-se em seu colo, olhando em seus olhos pequenos enquanto sentia os braços curtos lhe abraçarem. Passou os dedos pelos fios loiros de Jimin, fazendo um carinho suave ali.


— Se você quiser que eu me afaste dele, ou se sinta mal com-


Os dois corpos foram girados rapidamente. Jimin se colocou em cima do mais alto, olhando-o em seus olhos, segurando seus pulsos enquanto mantinha o Kim preso à cama.


— Me diga que tipo de alma gêmea eu seria se te proibisse de fazer as coisas! — Soltou como se estivesse ofendido. — Se você gosta dele, eu vou te ajudar de alguma forma Tae, eu amo você, mas sua felicidade é o que mais importa pra mim!


— Agora você está falando de uma forma como se fosse realmente sério — soltou em um resmungo — eu-


— Se você acha que está apaixonado, então vamos descobrir isso! — Levantou-se e ajudou o Kim a se levantar também — vem, vamos — chamou entrelaçando seus dedos com o do mais alto. — Mas se você me trocar eu vou bater em você!


— Eu nunca trocaria você, Jimin — soltou junto com uma risada, abraçando-o por trás e beijando levemente seu pescoço. — Você é tudo pra mim, seu bobo.


Jimin sorriu, passando suas mãos pelos braços do Kim que o abraçavam. Amava estar daquela forma.


— Acho bom mesmo — recebeu outro beijo no pescoço.


Saíram do quarto e estabeleceram um plano simples. Jimin lhes daria espaço e Taehyung e Jeongguk iriam conversar um pouco, tendo privacidade e podendo se conhecer melhor.


O moreno continuava no mesmo local, sozinho enquanto observava os demais na festa. Tomando certa coragem o Kim logo se aproximou, exibindo um sorriso bonito enquanto chamava o moreno para irem para algum outro lugar mais reservado.


Mesmo envergonhado, Jeongguk aceitou.


Seguindo as instruções de sua alma gêmea, Taehyung foi com o mais novo até o terraço, mostrando o céu negro que logo estaria repleto de fogos de artifício estourando.


— Uau, aqui é lindo, Hyung — sussurrou, olhando ao redor, para o espaço grande que logo teria muita gente.


— Sim, quando mais jovem eu vinha muito aqui — comentou nostálgico.


— Com o Jimin? — Perguntou baixo, ficando envergonhado depois de soltar aquilo — com a sua alma gêmea…


— Ah, sim, mas olhe, eu e o Jimin não temos essa relação — contou baixo — eu e ele nos amamos, mas não dessa forma tradicional — sussurrou, se aproximando um pouquinho mais do mais novo.


— Nossa, sério? — A boquinha pequena perguntou baixo, curioso.


— Sim, o Jimin é hetero — riu baixinho —, ele ainda é tudo pra mim, mas nós podemos nos apaixonar por outras pessoas…


Jeongguk engoliu em seco, corando violentamente enquanto ouvia aquilo.


— E isso já aconteceu? — Perguntou de forma tão fofa que Taehyung teve vontade de apertar o garoto, abraçá-lo e cuidar dele com todo o carinho do mundo.


— Eu não sei, — sussurrou. — Mas eu queria ficar apaixonado, deve ser uma sensação boa…


— Frio na barriga — comentou soltando uma risada envergonhada — um amigo meu diz que ele fica muito nervoso quando vê a pessoa que ele gosta…


— Eu também ficaria, mas deve ser legal — falou baixinho, se aproximando um pouquinho mais do mais novo —, ficar bobo perto de quem você gosta, perceber que está gostando de alguém e ficar nervoso.


— E quanto tempo demora até alguém gostar de outra pessoa assim?


Taehyung arregalou um pouco mais os olhos, respirando fundo enquanto olhava nos olhos do mais novo que sem perceber fazia um beicinho nos lábios fininhos e rosados. O Kim queria tocar neles, não com os seus, mas apenas com seus dedos, com a ponta deles, deslizar suavemente pela carne de sua boca para checar se ela é mesmo macia.


— Eu não sei, podem ser anos, meses, semanas… — Em um impulso de adrenalina e coragem, levou o dedo indicador até os fios pretos do cabelo do garoto, tirando suavemente de sua vista. — Às vezes pode ser à primeira vista.


Engoliu em seco.


— Parece um pouco impossível, Hyung — comentou corando, parecendo um pouco descrente, olhando nos olhos castanhos do Kim e recuou um pouquinho. Tímido, completamente tímido.


— Nesse momento eu não acho que seja — nem conseguia definir em uma só palavra o que estava acontecendo com seu coração. Parecia um circo. Ele estava saltando, dando pirueta, rodopiando e brincando com elefantes gigantes que poderiam lhe pisotear a qualquer momento.


Levou a ponta de seu dedo indicador até o lábio inferior do mais novo, tocando levemente aquele pequeno pedaço do corpo do mais novo, passando por ali de forma suave e absurdamente lenta, tendo a certeza de que era realmente macio.


— Acabamos de nos conhecer, Hyung — recuou um pequeno passo, corando e segurando com suavidade o dedo do mais velho, conseguindo começar a entrelaçar seus dedos nos dele sem nem se dar conta.


— Eu sei, me desculpa — recuou, soltando suas mãos das deles e abaixando a cabeça, um pouco envergonhado pela série de coisas que disse e fez.


— Hyung, — desviou o olhar para o céu completamente negro — você e Jimin Hyung já se gostavam antes de descobrirem que eram almas gêmeas?


Taehyung soltou uma risada, ficando ao lado do moreno que abraçou o próprio corpo, formando um beicinho. O nariz redondinho já estava ficando avermelhado por conta da corrente de vento frio que fazia ali.


— Não muito, sempre nos gostamos, mas era muita briga, o que nos fazia ficar alguns dias sem nos falar, — passou a mão nos fios cinzas — e aos 11 anos, quando começamos a ter nossas marcas, vimos que estávamos ligados e nos sentimos com uma necessidade muito grande de estarmos juntos e então nenhuma outra briga ocorreu, passamos a nos entender perfeitamente.


— E é assim até hoje? — Perguntou baixinho.


— Sim, fico absurdamente feliz com isso, há muitos casos de almas gêmeas que brigam, mas eu e o Jimin não somos assim, eu amo isso, amo amar tanto o Jimin que eu não consigo brigar com ele, conseguimos resolver tudo com calma — sussurrou feliz, abrindo um grande sorriso enquanto olhava o negro céu.


— Por que vocês não namoram então? — Perguntou confuso, fechando um pouquinho os olhos e lhe olhando com certa atenção.


— Porque Jimin é hetero — sorriu de forma descontraída —, e porque eu não consigo vê-lo desse jeito, nós já nos beijamos e já nos vimos nus mais vezes que eu posso contar, mas nunca rolou nada, não conseguimos — sem perceber, foi falando sobre sua relação com o mais velho. As palavras foram sendo faladas de forma suave e descontraída, com tranquilidade apesar do assunto ser um tanto quanto íntimo. — Ele é minha outra metade, ele é tudo aquilo que minha alma precisa, é o amor da minha vida, mas — olhou para o moreno — ele não é o do meu coração.


— Isso é complicado — resmungou aumentando o biquinho nos lábios.


— Há um boato que diz que pessoas com almas gêmeas são mais sensíveis a sentimentos assim — sussurrou baixo, — eu passei a acreditar e-


— Taehyung! — A voz de Dahyun soou alta e logo o corpo da garota apareceu completamente no campo de visão do acinzentado, o abraçando de forma apertada.


O Kim voltou a se encolher rapidamente.


— O que está fazendo aqui sem aquele chato do Jimin? — Perguntou abraçando com força um dos braços do Kim, apertando-se contra ele e fazendo Jeongguk recuar alguns passos, olhando para baixo como se tal imagem fosse demais para que ele olhasse.


— Não fale assim dele — Taehyung murmurou olhando para baixo, tentando ao máximo se desvencilhar, mas a garota parecia implacável.


— Qual é, o Jimin é um porre e não me deixa chegar perto de você porque é um ciumento, — cuspiu as palavras de forma irritada — não sei como você aguent-


— Porque eu o amo, Dahyun — conseguiu soltar rapidamente —, eu não gosto de você — baixou o olhar enquanto falava — eu amo o Jimin e — levantou o olhar, vendo como Jeongguk parecia cada vez mais encolhido — se eu gosto de mais alguém, isso não é problema seu, você me deixa desconfortável e eu não gosto quando fala obscenidades pra mim — deu um passo até Jeongguk e entrelaçou sua mão na dele, começando a puxá-lo para fora dali.


Respirou fundo e olhou para a garota parada ali, olhando irritada.


— Nunca mais fale mal do Jimin — comentou olhando-a seriamente — vamos Jeongguk.


O menino não disse nada, apenas desceu as escadas junto com o mais velho e permaneceu quieto.


Os dois não conversaram muito depois daquilo, Jeongguk pareceu ficar com mais vergonha ainda e Taehyung passou uns bons minutos contando tudo o que aconteceu para Jimin que gritou revoltado por conta da atitude de Dahyun, porém beijou todo o rosto do Kim enquanto dizia estar orgulhoso por pelo menos ter a enfrentado.


Taehyung comentou também sobre como estava se sentindo com relação ao mais novo, o que fez Jimin achar fofo a situação. Depois de alguns minutos, a senhora Park apenas gritou Jimin outra vez, querendo que o filho fosse lá para fora, ajudar a levar as coisas para o terraço.


Os minutos foram se passando rápido e a cada segundo, Taehyung sentia mais um carinho vindo do Park e sentia seu coração querer se aproximar um pouquinho mais de Jeongguk sentado em um banquinho próximo dali.


— Tae, — Jimin chamou baixinho, sentando-se no colo do mais alto e aproximou seu rosto do Kim, brincando um pouquinho com o lóbulo da orelha do outro — eu acho que seria legal você dar um beijinho no Jeongguk na queima de fogos.


O acinzentado arregalou os olhos.


— O que?


— Calma, apenas um beijinho na bochecha — abriu um sorriso travesso — é normal, sabe, nos Estados Unidos, quando da meia noite, eles se beijam — beijou a bochecha alheia — você pode usar isso como desculpa para dar um beijinho nele — e rapidamente deu um selinho no mais velho, esticando seu braço para pegar um tomate cereja em cima da mesa, comendo metade e dando a outra parte da fruta para o mais novo.


— Você tem certeza? — Perguntou enquanto mastigava.


— Mas depois você vai ficar comigo, não vem começando a me trocar não — comentou fingindo seriedade e sentiu os braços do Kim lhe apertando.


— Já disse que não vou fazer isso, seu bobo.


— Olha, você tem que ir aos poucos com ele, não diga ainda que é paixão por mais que sinta isso, você pode o assustar, ele parece ser bem tímido — fez um carinho nas bochechas amorenadas — tudo bem?


Taehyung balançou a cabeça positivamente.


— Tudo bem — sussurrou, vendo Jimin se levantar e ir até o irmão, começando a conversar com o mesmo parado ao lado de uma garota com fios longos e negros, de forma calma.


Faltando cinco minutos para o ano novo, Taehyung juntou toda a sua coragem e foi até o mais novo, sentando-se ao lado dele e o cumprimentando de forma baixa. Era como se tivesse voltado ao início de tudo. Estava nervoso outra vez.


— Me desculpa, pelo o que aconteceu — sussurrou baixinho.


— Tudo bem Hyung — comentou abrindo um sorrisinho antes de comer uma das batatas no potinho que estava segurando.


— Jimin me contou que nos Estados Unidos, eles tem um tipo de tradição para quando dá meia noite... — comentou baixinho, puxando algum tipo de assunto.


— Eles se beijam — falou de forma calma, olhando de soslaio para o mais velho que apenas abriu a boca e a manteve em um “o” perfeito. — Eu vejo vários filmes Hyung — abriu um sorrisinho.


— Ah — coçou a nuca, de forma envergonhada.


— Você vai fazer isso com o Jimin? — Perguntou curioso, colocando outro pedaço de batata na boca.


— Eu queria dar um beijinho em você…


O moreno cuspiu a batata começando a tossir de forma desesperada. Olhando assustado para o Kim.


— O- o que? Porque?


— É um beijinho na bochecha — explicou rapidamente, balançando as mãos de forma apressada — só para comemorar o ano novo, eu vou entender se você não qui-


— FELIZ ANO NOVO!


A queima de fogos começou no mesmo segundo que os champagne foram estourados. Todos começaram a se abraçar e gritar em comemoração.


Taehyung olhou rapidamente para o moreno que mordeu seu lábio inferior e olhou para si de forma forma ansiosa.


Se aproximaram devagar como se estivessem sendo puxados pela gravidade que queria juntar os dois.


— Pode recuar se quiser — sussurrou aproximando-se mais ainda da bochecha do mais novo. Beijou aquela parte de seu rosto de forma suave, fechando seus olhos e sentindo o garoto se arrepiar rapidamente, tremendo um pouquinho só seu corpo.


Se afastou de forma suave e se nem esperar, Jeongguk se virou e deu um beijinho simples em sua boca, ato que durou menos de um segundo, provocando apenas um estalo baixinho apesar dos grandes barulhos que estavam ecoando ao redor de ambos.


— Não vou recuar Hyung — sussurrou, sorrindo de forma doce enquanto se virava para seu pote e comia outra batata.


— Você pode me dar seu número, eu iria gostar de me aproximar de você Jeongguk — sussurrou pegando a mão do mais novo, acariciando de forma calma os dedos branquinhos do garoto. Eram macios, mas eram bem menos do que os de Jimin. Tudo no Park era macio, suave.


Tudo em Jimin era lindo.


Apertou um pouco mais seus dedos nos do moreno que sorriu para si, corando enquanto virava o rosto para os fogos de artifício. Jeongguk era lindo.


Todavia tudo aquilo eram belezas tão diferentes que provocavam diversas coisas distintas no acinzentado.


Olhou em frente, vendo como Jimin sorria para alguns dos convidados. Ele parou e olhou para si também, abrindo o sorriso mais lindo do mundo — na opinião do Kim — e fez seus olhos se encolherem. Um dos dedinhos do Park movimentou-se calmamente, lhe chamando para que ele se aproximasse.


Pediu uma rápida licença ao moreno e caminhou quase correndo até Jimin, o abraçando com força, o tirando do chão e apertando seu corpo magro nos braços.


— Eu te amo, — sussurrou, afundando seu rosto no pescoço do loiro — eu te amo muito Jimin, feliz ano novo — sussurrou.


Uma gargalhada gostosa saiu do garoto.


— Eu também te amo — afundou seus dedos pequenos nos fios cinzas do Kim, fechando os olhos por alguns segundos.


Taehyung o colocou no chão, olhando em seus olhos enquanto beijava diversas vezes a face do loiro.


— Você é o garoto mais lindo do mundo — beijou rapidamente o queixo e o canto dos lábios do Park.


Começou a fazer um carinho nas orelhas do mais alto.


— Sou mais bonito que o Jeongguk mesmo — formou um biquinho nos lábios fartos, ouvindo o outro sorrir. — Eu estava vendo vocês, são fofos — sussurrou.


— Ele é mais — comentou de forma manhosa.


— Você é mais — deu uma piscadela para o Kim, passando uma das mãos pelos fios do Kim — feliz ano novo, minha alma gêmea.




#Vkook #Soulmates #Romance #Fluffy

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