Um Amor para a Alma, outro para o Coração

Sinopse:

Jimin e Taehyung descobriram que são almas gêmeas há cinco anos, mas ambos não nutrem sentimentos românticos um com o outro. Ainda assim, os dois possuem uma relação que causa inveja em muitas pessoas, até porque, mesmo as almas gêmeas brigam, discutem, mas eles não.

O companheirismo entre os dois sempre foi motivo de elogios e felicidade entre eles que sempre se entenderam perfeitamente e colocavam todo o amor que nutriam um pelo outro acima de tudo.

Todavia, na festa de ano novo que iria acontecer na casa dos Park, Taehyung conhece Jeongguk, o menino que em apenas alguns minutos roubou seu coração e o fez ficar perdidamente apaixonado.


XXXXXXXXXXX


O corpo de Kim Taehyung se mexeu mais um pouco, de forma preguiçosa e bem sonolenta. Embora a cama de Park Jimin fosse bastante espaçosa, Taehyung se mexia demais enquanto dormia, jogando uma perna pra cá, um braço pra lá, mas sua principal mania era a de deitar em um único canto da cama e puxar o corpo do garoto mais baixo para o mais próximo possível do seu.


Sentia-se bem fazendo aquilo, seu sono parecia melhor quando fazia.


Era bastante confortável e tranquilo de se dormir daquela forma.


Ainda dormindo, resmungou palavras que nem mesmo ele poderia dizer o significado e puxou Jimin para mais perto ainda, ouvindo o Park lhe chamar baixinho, parecia estar resmungando algo importante, mas o Kim nem quis saber.


— Nós temos que acordar, Tae — Jimin falou de forma manhosa, afundando seu rosto no pescoço sempre cheiroso do de fios cinza. O mais novo dos dois garotos não respondeu, apenas deslizou suas mãos pelas costas do loiro, sentindo a pele quentinha de Jimin em seus dedos, sempre parecia certo acariciá-lo, assim como parecia certo e totalmente confortável manter ambas as pernas emboladas umas nas outras.


Os dois estavam bem encolhidos desde que foram dormir tarde na noite anterior por estarem maratonando séries. A madrugada estava bem fria, e por conta disso os dois vestiram conjuntos de moletons cinza - para combinar - e pegaram dois edredons, dormindo de forma completamente grudada, tal como sempre faziam desde que se descobriram alma gêmeas, 5 anos atrás, aos 11 anos de idade.


— Só mais um pouquinho — Taehyung resmungou completamente sonolento, fazendo até mesmo um biquinho, acariciando um pouco mais o corpo do outro, acariciando sua lombar suavemente enquanto sentia as pernas de Jimin se mexendo entre as suas e logo as duas coxas grossas ficaram ao lado de suas que eram mais longas e magras. Ele estava literalmente deitado em cima de si, como um bebê coala.


— Minha mãe vai reclamar, TaeTae — se aconchegou melhor e levou uma das mãos pequenas até o peito do Kim, começando a subir sua palma até às clavículas amorenadas e indo até a nuca, começando a fazer um carinho pequeno ali.


Jimin era completamente apaixonado em fazer carinho em Taehyung, era completamente apaixonado em tocar sua alma gêmea, sabia que podia passar horas segurando sua mão, afagando seu cabelo ou acariciando sua orelha, Jimin amava tocar o mais novo, amava saber que estavam ali, juntos, ambos envolvidos na própria bolha que criavam para se isolar do mundo. Assim como todas as almas gêmeas do planeta.


— Acorda, Tae, hoje é o último dia do ano, você não pode ficar com preguiça assim — resmungou aumentando a intensidade de seu carinho, acariciando toda a área da nuca do bonito Kim enquanto levava os lábios cheios até o queixo amorenado, dando um e depois outro beijo pelo maxilar bonito, nunca desejando chegar aos lábios de fato.


Afundou seu rosto um pouco mais ali. Mesmo que tais palavras de aviso estivessem saindo de seus lábios naquele momento, o Park queria tanto quanto o Kim continuar ali daquele jeito, continuar a tocá-lo, continuar a dormir e sentir o mais novo lhe acordando depois de horas com beijinhos na testa e carinhos em seu braço.


— Ah, Jiminie, — gemeu desgostoso enquanto contorcia seu rosto em uma careta e acabou por virar seu corpo para o lado, trocando a posição dos dois e mantendo o mais velho embaixo de si, abraçando o corpo menor, conseguindo colocar seu rosto no pescoço do Park — eu fiquei com preguiça o ano inteiro, me deixe ficar no último dia também, poxa — sentiu as mãos pequenas adentrarem em seu casaco e começar a acariciar suas costas.


— Ah, Tae, por favor — Jimin reclamou de forma manhosa, se remexendo e dando alguns tapinhas nos ombros do mais novo.


Não estava realmente tão disposto quanto parecia estar afirmando para a sua cara metade, mas Jimin sabia que se não levantassem naquele momento, sua mãe brigaria com ambos e como castigo iam passar três dias sem dormirem juntos já que aquele era o limite. Seus pais já haviam tentado castigá-los pelas travessuras de infância, os mantendo sem poder dormir juntos por dias, o limite havia sido três porque os dois estavam chorando, passavam o dia com aspectos cansados e nem comiam direito.


Seus corpos pareciam necessitar um do outro, suas almas pareciam fracas quando ficavam separados e cheios de saudade, e quando os dois puderam finalmente dormir tranquilos na cama do Kim, o sono que os atingiu durou certa de quase 18 horas com os dois abraçados, parecendo dois gatos que ficavam se acariciando e dando beijinhos nas mãos, bochechas e até nos ombros coberto pelas camisetas iguais com tema do Charmander, pokémon preferido dos dois.


O sistema de alma gêmeas era levemente dependente desse jeito, sempre fazia um precisar do outro, precisar da aproximação do outro, mas isso sempre depois que as respectivas almas gêmeas se encontravam. Antes, qualquer um vivia sua vida normalmente sem ter essa saudade ou necessidade de estar com alguém.


Mas, se não despertassem e se levantassem naquele momento, Jimin temia que aquele castigo pudesse ocorrer de novo.


— Nada disso, — fez um grande esforço para conseguir girar os dois corpos outra vez e conseguir sair do aperto dos braços do Kim.


Sentou-se na cama e começou a dar diversos tapas fracos no de fios cinza que abraçou sua cintura.


— Pelo amor de Deus, Taehyung! Para com essa preguiça toda, — revirou os olhos e bateu fortemente na bunda do Kim, vendo o mesmo começar a se sentar e beijar a bochecha cheinha do Park que sorriu para ele. Ele nunca ficava realmente bravo com Taehyung, ainda mais por uma bobeira como aquela, e naquele caso a recíproca era extremamente verdadeira — Ainda bem que tomou vergonha na cara! Eu mesmo ia fazer questão te ficar dias sem te ver caso não se levantasse.


— Vai a merda, Jimin — empurrou o mais velho, vendo o mesmo cair de costas no colchão e encher o quarto com uma risada gostosa.


Taehyung bocejou enquanto olhava para o outro, sorrindo levemente para ele. Jimin tinha a risada mais gostosa que já tinha escutado. Era uma risada tão linda que o fazia sorrir também apenas por ouvi-la.


— Vem, vamos — estalou o pescoço e se colocou de pé, esticando seu corpo sabendo que havia deixado sua barriga aparecer levemente. Virou de costas para o Park e esperou que o garoto pulasse no seu colo, contornando as pernas e braços ao seu redor antes de começar a sorrir baixinho.


Jimin era mimado, sempre era mimado por Taehyung e o Park amava aquilo. Taehyung também adorava mimá-lo, amava dar coisas e presentinhos para o mais velho, adorava fazer tudo o que ele queria, adorava o fato de tratar Jimin como se fosse a coisa mais preciosa do mundo, o que do fundo do coração achava que era sim a coisa mais preciosa para si.


O loiro nunca se importou de ser tratado de tal forma, muito pelo contrário, sempre gostou muito e quando passava os dias e Jimin não tinha recebido a cota normal de mimos, fazias manhas até que Taehyung ficasse consigo, lhe fazendo cafunés e carinhos. Com os dois juntos em um canto, entretidos no próprio mundo de forma completamente amorosa.


Afinal, os dois se amavam.


Se amavam muito, eram completamente loucos um pelo outro, mas não da forma como todos esperam que as almas gêmeas sejam. Os dois se amavam, mas não era paixão que sentiam, mantinham uma relação completamente baseada em cumplicidade e confiança. Taehyung contava tudo, completamente tudo a Jimin, desde as informações mais importantes como decisões que poderia fazer ou coisas relacionadas a seus sentimentos, até coisas idiotas e banais como o fato de ter cortado as unhas do pé ou que seguiu uma nova conta em alguma rede social.


Mas aquilo não era estranho para os dois, afinal, Jimin fazia o mesmo.


Não se importavam com alguns olhares estranhos que recebiam quando diziam que não se viam de forma romântica ou com desejos carnais, não se importavam com os resmungos de “vocês são estranhos” quando Taehyung citava algum garoto que tinha achado bonito e Jimin lhe dava incentivos para investir no tal rapaz, coisa que nunca aconteceu já que o Kim sempre fora tímido demais para flertar com alguém.


Claro, eles tinha dezesseis anos e já haviam sim se beijado. Os dois haviam sido o primeiro beijo um do outro. Os dois sentiram coisas mágicas e maravilhosas demais quando as duas bocas se juntaram, quando o beijo calmo se tornou um pouco mais intenso e o sentimento que tinham um pelo outro pareceu triplicar de tamanho. Sabiam quando estivessem prontos para o ato sexual, seria igualmente maravilhoso, sentiriam as melhores sensações de suas vidas, mas não era como se tivessem ansiedade para que tal coisa acontecesse.


Estavam perfeitamente bem do jeito que estavam e mesmo com tanta sensação indescritível causada pela marca de alma gêmea e pelas duas almas que se completavam apesar dos símbolos em seus pulsos, Jimin e Taehyung se amavam de forma absurda, mas sem paixão.


Eles também não entendiam, mas não era algo a ser visto como “errado” ou “estranho”, a relação que mantinham era saudável e forte, e aquilo bastava para eles.


Não queriam forçar seus sentimentos a crescerem e se desenvolverem de forma romântica um com o outro, se aquilo fosse acontecer, seria naturalmente, com o tempo. Embora tivessem dúvidas de que realmente pudesse ter uma relação daquela forma.


Até porque, Jimin era hétero.


Apesar de já ter beijado Taehyung três vezes, isso não o definiu como pessoa, Jimin continuava sendo um ser humano que ainda queria se encontrar, queria identificar quem ele era, e apenas ele poderia fazer isso.


Até porque, para você saber o que é, você precisa buscar, procurar e deixar seus sentimentos florescerem… Você precisa se abrir consigo mesmo para saber o que é.


Uma atitude de Jimin não o definia como pessoa.


Uma falha que ele cometeu não o condena, assim como um acerto não o deve glorificar.


Jimin, mesmo ainda estava tentando se encontrar, continuava sendo um ser humano perfeito para Taehyung, embora o Kim soubesse plenamente que a perfeição não existia.


Para si, Jimin era tudo.


E não importasse o que fosse ocorrer, nada mudaria sua opinião.


Jimin continuaria sendo o pessoa mais preciosa de sua vida e ele sabia que o Park sentia o mesmo com relação a ele.


Sem contar que a ligação que os dois mantinham era absurdamente diferente das demais não apenas por aquele aspecto. Os dois também eram muito apegados um com o outro, tinham uma necessidade absurda de estarem juntos, perto um do outro, tocando o outro, coisa que não era nada relacionada a marca de alma gêmea que tinham.


Jimin era uma pessoa carente, assim como o Kim que também necessitava de certos contatos.


Para resumir todo o sentimento e relação que tinham um com o outro, bastava apenas entender que os dois simplesmente não conseguiam ficar um dia sem se ver ou tocar.


Parecia uma tortura muito grande.


Naquele dia, os Park dariam uma festa de ano novo, algo simples, apenas para alguns amigos mais próximos. Contudo, Taehyung estava dormindo ali a semana toda, dizendo que queria ajudar os pais de Jimin quando na realidade apenas queria ficar o máximo de tempo possível com sua alma gêmea, coisa que todos já sabiam.


Antes de ir até o banheiro com o mais baixo, Taehyung pegou o óculos do garoto, segurando e indo até o cômodo para que os dois fizessem suas higienes matinais e pudessem enfim, iniciar aquele dia que sabiam que seria bem turbulento e cheio de afazeres.


Desejavam muito voltar para a cama.