Poesia Reversa - Capítulo 1 - Forlorn

Oi, tudo bem?? Cheguei com uma nova shortfic taekook! Essa é totalmente inédita e está no meu docs há séculos. Decidi postá-la aqui como conteúdo inédito para vocês e planejo postar mais conteúdos inéditos futuramente hehe


Creio que terá uns três capítulos por aí que irei postando com o tempo.


É uma história ABO num universo invertido e distópico, ou seja, é um mundo governado por ômegas e betas onde alfas são considerados a classe mais baixa e mais rejeitada pela sociedade, contendo dezenas de leis que os privam de seus direitos, por isso o nome "poesia reversa".


Terão temas de violência, linguagem imprópria, sexo, TALVEZ mpreg (talvez!), e como é uma história distópica, ela possui uma atmosfera extremamente tensa e depressiva, portanto, não leiam se não se sentirem bem com esses temas, okay? Cuidem de vocês, nossa saúde mental vem antes de qualquer fanfic.


AVISO LEGAL:

Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de difamar ou violar as imagens dos artistas.



BOA LEITURA!


Can anybody hear me?

Or am I talking to myself?

My mind is running empty

In this search for someone else

Who doesn't look right through me

It's all just static in my head

Can anybody tell me why I'm lonely like a satellite?



Quando eu era criança, escutei Tia Nana falar para uma das meninas que a solidão era o pior castigo a qual uma pessoa poderia ser submetida e na época, eu realmente acreditei nisso, afinal de contas, o homem não foi feito para ficar sozinho… certo?

É curioso, considerando que vivemos em uma sociedade formada quase que exclusivamente por pessoas solitárias.

E eu estava sozinho. Realmente sozinho. Ao contrário do que possam pensar, não é uma afirmação dramática e exagerada.

Minha sina era viver só. Eu era um alfa. Um pária. Eu não tinha ninguém e o mundo não se importava com a minha existência, e era assim que as coisas funcionavam há mais de setenta e sete anos.

Fazia tanto tempo que a sociedade vivia assim que eu simplesmente não conseguia imaginar como era antes. Nos livros diziam que antigamente, alfas, betas e ômegas viviam em uma sociedade justa e igualitária onde todos partilhavam dos mesmos direitos e deveres, todos eram tratados com a maior estima e respeito, e tudo funcionava, apesar dos diversos defeitos que um grupo social carregava.

Sendo honesto, como eu poderia acreditar naquilo quando o meu próprio nascimento pareceu significar uma espécie de maldição para a minha família? Tia Nana era a mantenedora do orfanato e me dissera várias vezes que isso não era verdade e que meu nascimento tinha sido uma benção, que eu era uma das crianças mais doces, inteligentes e encantadoras que ela tinha conhecido, mas como eu creria nisso sabendo que a velha mulher que dirigia a casa velha e despedaçada do orfanato era uma alfa assim como eu? Uma renegada, assim como eu.

A verdade era que eu era só mais um dos alfas que foram abandonados por sua família assim que descobriram minha classe ao nascer. Cresci num orfanato tendo aulas normais sobre matemática, língua coreana, geografia, ciências naturais e história até meus 18 anos, e aprendi que 77 anos atrás, um grupo extremista e supremacista formado por alfas invadiu uma república universitária onde só viviam ômegas. Após violentarem, agredirem e causarem a maior baderna com os ômegas, esses alfas foram capturados pela polícia.

A sociedade claramente ficou indignada com o que aconteceu (alfas, betas e ômegas em geral) e exigiram que eles fossem julgados e condenados por seus crimes. Houve sim um julgamento e uma condenação, mas algo aconteceu junto a isso.

Havia um sentimento de ressentimento muito grande junto à população ômega, até porque viviam todos em paz e igualdade, no entanto, isso foi conquistado com muita luta, sangue, suor e lágrimas por parte dos ômegas. Ômegas homens e mulheres lutaram por muitos e muitos anos para conquistar o respeito e espaço na sociedade, afinal, foram anos de muita subjugação pelos alfas, e foi justamente isso que alimentou de forma absurda o ressentimento. Tantos anos de sofrimento culminaram nisso. Para eles, era como se aquele incidente provasse que nem quando havia direitos iguais, eles estavam livres e seguros.

Existiam sim alfas mal-intencionados como em qualquer lugar, mas também existiam alfas bons e decentes, que prezavam pela segurança dos ômegas e pela igualdade das classes, porém, nada disso fez qualquer diferença quando o ressentimento veio. Todos sofreriam com o acerto de contas e com a repercussão do caso. Todos pagariam pelo erro daquele grupo de alfas extremistas e pelos erros que seus antepassados alfas tanto cometeram.

O momento de pagar a conta finalmente chegara à população alfa.

Começou aos poucos, mas as mudanças foram radicais. Ômegas decidiram que alfas apresentavam um perigo real à humanidade como um todo, eram verdadeiras bestas, até porque eles claramente gostavam de se comportar assim, então, deviam ser tratados como tal. Com isso, começaram as leis de segregação em que para tudo havia uma sessão exclusiva para ômegas e betas, e de forma separada, uma para alfas. Trouxeram leis de discriminação que colocavam alfas nos piores empregos, lhes davam os menores salários, dificultava seu acesso à educação e os proibia terminantemente de respirarem perto de ômegas e betas sem autorização. À medida que tudo foi progredindo, todos os alfas foram rebaixados a vermes, uma classe que não devia ser respeitada e considerada.

E os betas concordaram.

Foi um caos completo, de acordo com Tia Nana. Os ômegas justificavam tudo como formas de proteção e sempre que algum alfa tentava protestar e se impor, eles faziam questão de repetir quantas vezes fosse necessário que haviam sofrido coisa pior durante séculos, então era tudo uma causa e ação justas.

Isso destruiu milhões de famílias. Ômegas e alfas, e, betas e alfas casados foram forçados a se separar e a tomar medicamentos para diminuir os efeitos da marca que possuíam. Haviam famílias com filhos alfas, ômegas e betas e como consequência, os filhos alfas precisaram se separar de seus pais e mães que não fossem alfas, assim como filhos ômegas e betas se separaram de seus pais e mães que não fossem betas e ômegas.

Era irônico pensar que uma classe que lutou tanto tempo por igualdade virou toda uma sociedade de cabeça para baixo e tornou qualquer busca por direitos iguais uma verdadeira piada, se tornando tudo aquilo que eles tanto lutaram para combater.

Eu não entendia muito bem como isso funcionava quando criança, e nem a profundidade disso, afinal, por que eu não podia brincar com a garotinha ômega filha da família cuja casa ficava ao lado do orfanato? Ela era tão bonita e corava toda vez que se aproximava de mim, claramente atraída pelo o meu cheiro, e eu me encantei de primeira por ela.

Lembro bem que certa vez ela caiu da bicicleta e ralou o joelho, e como eu estava por perto brincando no parquinho ao lado, todos concluíram que eu a empurrei. Simplesmente porque eu era alfa. A mãe ômega da garota lançou um tapa tão forte em meu rosto que eu apenas comecei a chorar, assustado e sem entender o que eu havia feito. Fui xingado dos nomes mais baixos e ofensivos que uma criança poderia ouvir, e sinceramente, nunca me esqueci deles. Tia Nana foi em minha defesa após isso, alegando que denunciaria a mulher por abuso infantil, e ela apenas deu de ombros, dizendo que não aconteceria nada com ela porque nós éramos alfas e a lei não tinha quaisquer pretensões de nos ajudar, independentemente de nossa faixa etária.

Nunca mais me atrevi a chegar perto de ômegas depois daquele dia. A garotinha ômega até tentou se aproximar de mim diversas vezes depois, mas toda vez eu me afastava com uma expressão extremamente assustada, temendo levar outro tapa da mãe dela e ignorando completamente seus olhares tristonhos toda vez que eu o fazia. Nunca mais tive coragem para falar com um ômega diretamente, e eu sentia como se estivesse reprimindo meus instintos como alfa a cada dia que passava, sentindo a repreensão diária por todos ao redor por eu ser quem eu era.

Acho que foi nessa época que eu realmente entendi o que significava a solidão. E entendi também que eu estava sozinho. Assim que fiz 18 anos, fui despejado do orfanato para dar lugar a outras crianças alfas e por causa das leis que determinavam o despejo de alfas maiores de idade. Tia Nana se despediu de mim com um abraço sofrido e o rosto banhado de lágrimas, colocando algumas notas amassadas de dinheiro no bolso da minha mochila velha e surrada para que eu pudesse comprar comida até encontrar um emprego e um lugar para morar. Dormi na rua por uma semana, abraçado à minha mochila e com o capuz de meu moletom cobrindo minha cabeça enquanto contava cada centavo para comprar comida, até que finalmente achei um emprego como faxineiro de uma universidade da elite, um lugar onde só estudava gente rica. O tipo de emprego que os ômegas nunca exerciam.

Aluguei um quarto em um prédio de aparência jeitosa atrás do terreno da universidade e ali moro desde sempre. Tinha completado 25 anos no último dezembro e não via a chance de conseguir outro emprego, mesmo tentando arduamente e sempre sendo rejeitado. Ninguém queria me contratar para cargos melhores porque eu não tinha ensino superior, e isso era uma coisa rara para os alfas, poucos alfas prestavam o ensino superior na sociedade atual, não com tantas leis e tantas coisas contra nós.

Considerando tudo o que eu sabia, vivenciara e testemunhara, eu acreditava piamente que os ômegas só não causaram a nossa extinção porque precisavam de nós para procriar. Nos primeiros anos da segregação, dezenas de crianças deformadas nasceram como resultado da tentativa sistemática de não usarem alfas para procriação. Uma coisa ficou clara: um ômega não era capaz de ter bebês saudáveis com outro ômega. Graças a isso, todos os anos, muitos alfas eram retirados de suas casas à força, levados para as Clínicas de Coleta, e lá, seu sêmen e material genético era coletado para permitir que casais ômegas pudessem ter filhos saudáveis. Alfas mulheres e alfas homens não tinham problemas de deformação física com seus filhos caso procriassem (embora, seus filhos saíssem com cheiros anormalmente fortes e extremamente enjoativos), mas ômegas tinham, e esse problema foi logo solucionado.

Aconteceu justamente isso comigo. Fui concebido através de fertilização in vitro, e assim que nasci, meus pais ômegas descobriram que eu era um alfa e fui jogado fora como se fosse um verdadeiro lixo, mandado diretamente para o orfanato. Quando famílias alfas, por algum acaso, tinham filhos ômegas, essas eram obrigadas a ceder seus filhos às autoridades para que famílias ômegas e betas adequadas os adotassem e criassem. Como resultado, mais da metade da população não conhecia um ou os dois pais biológicos, os ômegas e betas eram ensinados a tratarem alfas como seres inferiores, e os alfas eram ensinados que sua condição de alfa os tornava animais. Betas e ômegas podiam ter relacionamentos entre si, mas nunca com um alfa.

Fora Tia Nana quem me vira crescer, quem me ensinou a falar, quem me viu engatinhar e andar pela primeira vez. Embora eu não pudesse chamá-la de mãe, ela era o que eu tive de mais próximo do que seria uma figura materna. Cheguei a questioná-la certa vez porque os alfas eram inferiores se nossa força era superior fisicamente, se éramos mais resistentes, se nossa função era proteger nossos ômegas e betas ao invés de nos humilharmos a eles. Ela apenas suspirou e me disse que era proibido por lei alfas usarem sua "voz" e "presença" com ômegas, correndo o risco de pegarem mais de 30 a 50 anos de reclusão dependendo da gravidade. Basicamente, minha vida se baseava a reprimir quem eu era, me diziam que eu devia ter vergonha de ser quem eu era, devia odiar a pessoa que eu era, e que eu tinha sorte dos ômegas serem tão piedosos mesmo com todos os séculos de opressão que eu, um alfa, lhes submeteu.

Hoje, eu estava acostumado a ser julgado apenas pelo meu cheiro, a ser alvo de olhares de repulsa, nojo e julgamento por parte de pessoas que nunca trocaram uma palavra sequer comigo, cochichando coisas horríveis sobre mim e insinuando que esperavam que eu fosse agir como um verdadeiro animal e atacar alguém, afinal, era isso que elas achavam que eu era.

Enquanto tudo isso acontecia, era claro que os betas nada faziam. Houve uma indignação por parte dos betas que precisaram se separar de seus alfas, mas eles foram rapidamente ignorados. A verdade é que em geral, para a população beta, se nada os afetava, nada os preocupava. Eles até ajudaram a derrubar um grupo de alfas que tentou se opor à opressão há sessenta anos atrás, agindo de forma direta para que os membros desse grupo fossem condenados à prisão perpétua por "conspirar contra a ordem, ameaça da paz e da segurança pública".

Então, aqui estava eu, assim como centenas de outros alfas na sociedade, desamparados e sozinhos, vivendo cada dia como se fosse uma verdadeira tortura, com constantes humilhações e desprezo. Não tinha nem como eu tentar entrar em contato com meu pai alfa, já que pela fertilização in vitro era impossível saber. E eu nunca me arrisquei a tentar descobrir quem foram meus pais ômegas, nunca ousei sequer cogitar a ideia de contatá-los. Para que diabos eu faria isso? Fui despejado para um orfanato de Seul com poucos dias de vida.

As leis deixavam bem claro que eu não era desejado. Nunca fui.

•••••

Eu vivia minha vida. Trabalhava como faxineiro da universidade e evitava o máximo de contato com ômegas e betas, em especial ômegas. Eu me sentia ansioso perto deles, como se fosse um mau presságio; basicamente, eu acreditava que a mera interação com ômegas era ruim e não trazia nada de produtivo ou positivo para mim. Meu supervisor era beta e era o único com quem eu falava e me dirigia ali. Claro que vez ou outra os estudantes jogavam insultos contra mim, e eu simplesmente abaixava a cabeça e ignorava, embora meu instinto, meu lobo rugisse dentro de mim, inconformado por eu estar reprimindo-o e aceitando aquilo.

No entanto, eu não podia arriscar meu emprego. Eu trabalhava ali fazia sete anos, e durante esse período, aproveitei para usar a gigantesca biblioteca secretamente no período noturno. A universidade estava sempre bem vazia de noite, a biblioteca em especial, então, eu informava meu supervisor que tinha limpado tudo e ele me liberava para o descanso. Ao invés de descansar na sala afastada e no andar de baixo do campus reservada para alfas funcionários, eu escapulia para a biblioteca, pegava alguns livros e lia escondido atrás da última estante, a que não continha muitos livros.

Eu gostava muito de biologia e direito. Eram as minhas matérias favoritas na escola, me fascinava descobrir coisas e mais coisas sobre o corpo humano, células, moléculas, códigos genéticos e DNA. E claro, sobre todas as formas e vertentes do direito e da lei. Não sei dizer se isso era resultado do fato de eu não saber quem eram os meus pais, e sendo fruto de fertilização, era como se uma pequenina chama de esperança acendesse dentro de mim, como se algum dia eu pudesse ter a chance de pesquisar isso a fundo e descobrir quem foi meu pai alfa. Ou até mesmo de procurar na lei algo que pudesse usar para meu bom uso futuramente.

Estávamos em março e era uma noite de sexta-feira. Como de costume, eu estava escondido na biblioteca e lia um livro sobre genética avançada, escondido e encolhido, buscando camuflar meu cheiro o máximo possível. Após tantos anos de leitura, estudo pessoal e conhecimento no assunto, cheguei num ponto onde poderia facilmente ler códigos e símbolos, entender cada um deles, além de conhecer exatamente como funcionava nossa lei. A chuva forte preenchia a atmosfera silenciosa da biblioteca e eu agradecia mentalmente por ter alugado um quarto atrás do campus. Não gostaria de correr o risco de adoecer por tomar um baita banho de chuva ao voltar para casa mais tarde, afinal, minhas economias dos últimos cinco meses seriam direcionadas a comprar um aparelho celular para mim e não medicamentos. Não que eu tivesse amigos para me comunicar ou pessoas para quem ligar, apenas achei que eu merecia aquele mimo para ter acesso livre à internet após trabalhar tão duro.

— ...eu já falei que não, Hyungjo. Não vou sair com você! — Uma voz masculina gritou irritada no meio da biblioteca, me fazendo dar um pulo, surpreso. Levantei-me do canto onde estava sentado e espiei através da prateleira o que estava acontecendo.

— Ah, qual é, cara! Deixa de ser esnobe, porra! — O outro garoto reclamou. — Eu ‘tô te chamando para sair faz mais de dois meses e você só me trata assim!

Eram dois ômegas. Eu podia sentir seus cheiros daqui. E só haviam os dois junto da bibliotecária ali. Um deles tinha mais ou menos a minha altura, cabelos negros e cheirava a macadâmia, enquanto que o outro era mais baixo, tinha um corpo claramente entupido de suplemento, daqueles que eu via na televisão, os cabelos castanhos e tinha um cheiro estranhamente... podre. Era muito estranho. Eu conseguia ver o rosto dele, mas não via o rosto do outro garoto, já que estava de costas para mim.

— Você é muito babaca! — O garoto com cheiro de macadâmia afirmou. — Eu não sou obrigado a sair com você, e não quero sair com você! Que coisa mais chata, larga do meu pé!

— Então, é assim, né? Você aceitou sair com o Seokjin porque ele é de família influente como a sua, mas não aceita sair comigo porque eu sou bolsista — resmungou, amargurado.

Paft!

Arregalei os olhos, chocado com a força daquele ômega. O tapa que ele lançou no rosto do outro fora tão forte que pude ouvir o barulho de seus dedos estalando contra a bochecha alheia. Mesmo de costas, percebi como ele estava muito puto, os punhos vermelhos e apertados.

— É justamente por isso que eu não aceito sair com você! — Exclamou. — Eu saí com Seokjin porque ele era um cara legal, não tem nada a ver com a condição financeira dele.

— Mentiroso — Hyungjo, o garoto do cheiro podre falou, entredentes. Sua palma encontrava-se descansada no lado que foi acertado pelo tapa, enquanto que de seus olhos queimava uma fúria evidente e uma promessa de vingança. Ele parecia estar disposto a revidar aquele tapa.

No entanto, se limitou a se virar, juntar suas coisas que estavam em cima de uma das mesas de estudo e marchar em disparada para fora da biblioteca. A própria bibliotecária o encarou com as sobrancelhas arqueadas sob os óculos pela forma esbaforida e fulminante com a qual o garoto saiu.

— Me desculpe por isso, Sra. Choi — o ômega moreno falou, suspirando pesarosamente.

— Não se preocupe com isso, querido — tranquilizou. — Porém, acho que é melhor você ir para casa, já está ficando muito tarde e a chuva está engrossando.

De cabeça abaixada, o ômega cheiroso concordou, pegou seu caderno e livro, colocando-os dentro de sua mochila e com um aceno de cabeça, saiu da biblioteca, deixando a mim e a Sra. Choi sozinhos ali.

— Você também, garoto da limpeza — a voz da mais velha soou mais alta, fazendo-me arregalar os olhos. — Você está aqui tem mais de duas horas, não vai querer adoecer por conta da chuva.