O Mais Bonito dos Outonos C.1

Atualizado: Mai 5


Olá!!

Trago-lhes mais uma história que eu espero que vocês gostem <3333

A sinopse está logo embaixo e depois a história que terá mais que um capítulo!

Amo vocês e obrigada pelo apoio sempre <33

Não se esqueçam de votar nesse post e também deixar um comentário legal no final <3333


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Sinopse: Kim Taehyung é um advogado de vinte e oito anos, recém divorciado, que agora precisa cuidar de seus três filhos; os gêmeos Momo e Minseok, de cinco anos, e a pequena Ryujin, de somente dois.

Devido ao grande ao grande conflito e dificuldade de cuidar dos filhos sozinho e ainda trabalhar em um escritório puxado de advocacia, Taehyung recebe o conselho de arrumar uma babá e assim conseguir trabalhar melhor e por mais tempo enquanto as três crianças são bem cuidadas.

Depois de muito refletir, e ter um grande incentivo por parte de Seokjin, seu irmão mais novo, o Kim conhece Jeongguk, o adorável garoto de vinte e um anos que adora crianças e precisa do dinheiro para terminar de pagar a faculdade de pedagogia.





Capítulo 1-


O verão estava bastante próximo de acabar, Momo e Minseok brincavam dentro da pequena piscininha de plástico montada em cima do gramado da casa de seu pai. Os dois, irmãos gêmeos, brincavam com seus brinquedos ali dentro da água, uma barbie sereia toda descabelada, dinossauros de borracha, um ursinho de pelúcia rosa que depois Taehyung teria que lavar direito para não ficar encardido e bloquinhos de plástico que os dois usavam para fazer as mais diversas construções.

Não tão distante de onde as duas crianças brincavam animadas, estava o próprio Taehyung, Hoseok, um de seus melhores amigos, Namjoon, seu outro melhor amigo, e Seokjin, seu irmão dois anos mais novo, que segurava a pequena Ryujin vestida com um sutiã de biquíni e um shortinho do baby shark por cima da fralda.

Os quatro adultos estavam bebendo, era sábado, um churrasco simples estava sendo feito no quintal de Taehyung para comemorar a nova filial da concessionária que Namjoon e Hoseok conseguiram abrir em Gwangju.

Os quatro eram amigos há anos, estavam bem felizes e decidiram comemorar na casa do próprio Taehyung, podendo incluir os filhos do único ali entre os quatro que já tinha se casado, porém, também era o único que também já tinha se divorciado.

— Papai, melancia, papai — Momo resmungou puxando a ponta da blusa de Taehyung que estava parado em frente a grelha, mexendo em alguns pedaços de carne. Mas logo o homem olhou para a própria filha, a vendo apontar para a vasilha de plástico cheio de pedaços de melancias docinhas que queria comer — por favor.

— Tudo bem, calma.

Taehyung pegou um pratinho de plástico que já estava ali, colocou alguns dos cubinhos da fruta e segurou a mão da pequena Momo, caminhando com ela pelo gramado até a piscininha infantil onde Minseok tentava afogar com muito empenho um de seus dinossauros.

— Minseok, aqui, vem comer um pouco com a sua irmã — falou calmo enquanto colocava a menina sentadinha na grama, segurando o pratinho, rapidamente começando a ser acompanhada pelo próprio irmão que se juntou a ela, pegando um dos cubinhos para enfiar na boca com intensidade.

Momo usava um maiô roxo que tinha ganhado da própria mãe no início daquele mesmo verão, e Minseok usava uma sunguinha azul clara com alguns peixinhos amarelos ao redor dela.

Taehyung levantou-se, foi até o murinho que separava a pequena varandinha da casa com o quintal, e pegou o protetor solar, voltando até os dois filhos para passar o creme em seus ombros, costas, rostos, braços e pernas. Já havia sido descuidado uma vez e Momo chorou por vários dias devido a pele ardida demais, e para uma criança, aquilo era perigoso.

— Comam tudo, e só depois podem voltar para a piscina — deu a ordem de forma calma, prendendo melhor o cabelo de Momo que já estava todo embolado.

— E a Ryujin, papai? — Minseok perguntou com a boca cheia, o suco da melancia escorrendo um pouco pelas laterais de seus lábios pequenos.

— O tio Jin vai dar melancia pra ela também, Minseok — comentou mostrando um sorriso e recebendo dois de volta, levantando-se e vendo a bonita imagem dos filhos saboreando os cubinhos de melancia que estava bem docinha, as perninhas esticadas e as bundinhas grudadas na grama.

Taehyung voltou até onde os amigos estavam bebendo e rindo de algum assunto que deveria ter perdido, deu o protetor solar para Seokjin que estava sentado em uma cadeira de balanço com Ryujin em seu colo, brincando com uma alpaca de pelúcia.

— Passa nela, por favor — pediu ao voltar a pegar o próprio copo de cerveja, tomando um gole generoso da bebida gelada, sentando-se na cadeira ao lado de Hoseok.

Estavam no fim do verão, Taehyung queria aproveitar bem os restinhos daqueles dias ensolarados e desfrutar do clima gostosinho com seus filhos no quintal, deixando-os brincar com água como tanto gostavam, e como também havia prometido aquilo para as crianças já tinham certos dias, e a cobrança era feita diariamente.

— E como está a Mina? — Foi Hoseok quem perguntou sobre a ex mulher do Kim, vendo-o dar os ombros meio simplista antes de responder qualquer coisa, não mantendo nenhuma irritação no olhar por ver aquele assunto surgindo de repente.

— Não falo com ela já tem uma semana, foi quando ela ligou para cá querendo falar com eles — mirou os olhos rapidamente nos dois filhos que já terminavam suas melancias, os dedos pequenos e rechonchudos todos melados — mas eu sei que ela anda bem ocupada, e ainda é um pouco estranho pensar que ela é minha ex mulher…

— Mas se ela quisesse voltar, você aceitaria? — Namjoon perguntou rouco antes de tomar um gole bem generoso de sua lata de cerveja, terminando com toda a bebida e então colocando o objeto vazio ao pé da cadeira em que estava sentado.

Hoseok se levantou para virar mais uns pedaços de carne na churrasqueira, mas mostrava-se bem atento ao que o amigo iria falar.

Eles sempre faziam aquela mesma pergunta de tempos em tempos porque Taehyung era um homem mais sensível que os outros três, sempre fora muito próximo da ex mulher, muito apaixonado por ela.

— Não, lógico que não… Nossa relação esfriou muito, eu reconheci isso depois da psicóloga… E eu sei que ela estava super infeliz sendo mãe, sempre foi algo que eu quis, uma família, Mina queria conhecer o mundo, queria trabalhar em vários países, ser totalmente independente — soltou o ar pelo nariz, ficando alguns segundos em silêncio — ainda temos muito carinho e respeito um pelo outro, ela me deu três filhos lindos, mas o nosso casamento não era mais feliz, eu também não era, percebi isso — mordeu o lábio inferior por somente breves instantes — mas eu passei seis anos casado com ela, oito anos juntos contando o namoro… É estranho pensar e entender que ela não é mais nada minha, sinto saudade dela pela casa com aquele jeito irritado pela manhã, porém bem animada a noite, sempre querendo maratonar séries — soltou uma pequena risada — mas não desejo voltar, são somente boas lembranças.

Namjoon balançou a cabeça positivamente por alguns segundos, mostrando um sorriso bonito e gentil para o amigo, entendendo o lado dele, tentando entender o que ele sentia, e ficando feliz por ver Taehyung sem rancor ou mágoas. Mostrando superar o tempo difícil para ele que havia sido o divórcio, o baque que sentiu no dia em que Mina disse que desejava se separar.

Hoseok entregou um potinho com alguns pedaços de carne para Taehyung e então deu simples dois tapinhas no ombro dele.

— Fico feliz por isso, Tae, mas já tem três meses que você oficialmente se divorciou perante a lei, tem tecnicamente nove meses que você e a Mina não estão juntos, como vai seu coração? — Hoseok perguntou calmo, também tomando um gole de cerveja.

— Ah, vocês sabem anda se matando pra conseguir dar conta de três filhos sozinho e ainda trabalhar naquele escritório que só sabe sugar a alma dele — Seokjin quem respondeu a pergunta, levantando-se com Ryujin no colo, levando a menina até uma pequena toalha forrada no gramado, colocando-a sentada ali enquanto ia até o muro da varanda guardar o protetor que já tinha passado nela. Voltou e caminhou até o cooler, tirando o copinho roxo de alça e bico que Ryujin amava usar para tomar suco — eu tenho que sempre vir ajudar ele por conta da Ryujin, e porque ele tem que ir trabalhar em algum tribunal da vida e não pode os deixar sozinhos.

— Não trabalho em nenhum tribunal da vida, Jin — Taehyung resmungou revirando os olhos para o irmão mais novo pra lá de folgado que só se tornava mais tolerável por conta da grande ajuda que ele lhe dava e por ser um ótimo padrinho para Ryujin.

Namjoon era o padrinho de Minseok, e Hoseok o padrinho de Momo.

Os três mimavam as três crianças demais.

— Mas você vai a vários tribunais e eu quem tenho que cuidar deles — resmungou, por mais que amasse incondicionalmente os três sobrinhos, e a afilhada, Jin tinha uma vida. Estava quase terminando mais um semestre da faculdade de odontologia, ganhou um aumento no trabalho e podia jurar que estava se apaixonando pela atriz do novo dorama que estava vendo… E muitas vezes tinha que adiar certos compromissos, saídas com os outros amigos, encaixar seus horários de estudo para poder ajudar o irmão com os filhos…

— Eu já falei, contrata uma babá — Namjoon falou sério, tomando um gole de outra lata de cerveja que Taehyung nem o viu pegar antes.

Namjoon era o que mais bebia dentre os quatro, e o que mais rápido fazia aquilo sem que os demais percebessem. Somente depois notavam a quantidade de latinhas ou garrafas vazias ao seu lado.

— Não quero deixar uma pessoa estranha com meus filhos assim — resmungou, reprovando a ideia rapidamente como sempre, nem querendo pensar ou cogitar o assunto.

— E vai ficar aí, se matando de trabalhar em casa sem poder dar atenção direito a eles? Se prejudicando no trabalho por nem sempre conseguir alguém pra cuidar deles e ter que perder reuniões ou pior, perder casos? Chamando o Jin toda hora como se ele fosse a babá de emergência? — Hoseok foi pontuando vários tópicos realmente falhos que estavam ocorrendo na vida do Kim, de fato Taehyung estava dando o seu melhor, mas estava prejudicando os dois lados por estar fazendo as coisas daquele modo.

— Mas eu não gosto dessa ideia, deixar alguém aqui, com eles, sozinhos, e se me roubar? E se fizer mal a eles? — Foi falando, mais preocupado. As três crianças eram tudo em sua vida, quis tanto ter filhos… Agora não suportava a ideia de não conseguir os criar, não queria aceitar que um estranho cuidasse delas, que fosse um pai postiço para elas somente porque Taehyung tinha que ir trabalhar.

— Se fizer qualquer coisa de ruim você sabe que a Momo vai ser a primeira a contar tudo — Jin resmungou, lembrando-se bem de quando a sobrinha ligou para o próprio pai na discagem direta de emergência salva no telefone da casa, para contar que Seokjin estava pedindo pizza de janta para eles e aquilo era contra as regras do dia de semana.

Taehyung soltou uma risadinha, cheio de orgulho da filha que aprendia rápido tudo o que tinha que fazer caso as coisas não estivessem em ordem. Era bem mandona e com fortes traços de controle que havia puxado da própria mãe.

— Mesmo assim…

— Olha, não estamos falando pra chamar qualquer estranho na rua não, Taehyung, pelo amor de Deus — Hoseok retrucou revirando os olhos e pegando vários pedaços de carne para enfiar na boca, mastigando de boca cheia — procura uma pessoa bem recomendada.

— Meu ciclo de amizade são vocês, e eu não vou sair perguntando no trabalho “alguém pode me recomendar uma babá?” — bufou, bem descontente com tudo aquilo.

Ryujin soltou uma risadinha linda assim que viu um passarinho pousar no muro da varanda, parecendo um enfeite ali.

— Mas eu posso te recomendar um bom ué — Namjoon comentou colocando mais uma latinha vazia ao lado da própria cadeira, ajeitando-se melhor enquanto olhava diretamente para o rosto do melhor amigo — ele é babá d-

— Homem? Babá homem? Nem fodendo eu deixo um homem aqui com meu-

— Deixa eu terminar, caralho — Namjoon reclamou revirando os olhos — ele é ótimo, é babá daqueles filhos da minha prima, lembram? Aquela que os filhos são tudo atentado e vivem brigando…

— Nossa, essas crianças — Hoseok comentou colocando a mão no rosto, realmente se lembrando de quando conheceu a tal prima de Namjoon e os filhos dela conseguiram estressar quase todos na festa por conta da falta de educação.

— Pois é, minha prima recebeu uma indicação de duas mulheres sobre esse mesmo garoto, ela aceitou e agora os pestinhas lá estão bem melhores! — Comentou mais empolgado — minha prima diz que esse garoto é ótimo, ele, pelo o que entendi, cursa pedagogia e ama crianças, então é babá pra ter dinheiro para pagar essa faculdade, vocês tem que ver como minha prima baba o ovo dele, até aquele chato do marido dela gostou do garoto e elogiou sobre como ele é reservado, carinhoso com os filhos deles…

— Aí, Nam, não sei não — Taehyung coçou a nuca. Ainda era um cara, e aquilo lhe incomodava um pouco, o deixando com vários pés atrás.

— Só tenta conhecer ele, se não gostar, te ajudo a achar outra pessoa, mas só tenta dar uma chance — resmungou mais sério, insistindo naquilo porque sabia que faria bem ao amigo.

— Tudo bem, vou ver… — comentou sem muita seriedade, querendo mudar de assunto.

E agradeceu demais quando Momo e Minseok surgiram à sua frente, querendo comer um pouquinho de carne também, e é lógico, Hoseok logo se levantou para tentar impressionar as crianças com suas habilidades na churrasqueira, jogando um pouco de água no carvão quente somente para a fumaça subir e arrancar risadas empolgadas dos gêmeos que acharam aquilo uma das coisas mais legais que já haviam visto no mundo da culinária.

Ryujin continuou rindo para o passarinho e depois focou em brincar com um elefante e a mesma alpaca de pelúcia em cima da toalha em que estava.

[...]

Seokjin colocou a própria afilhada dormindo com cuidado em cima do sofá, deixando uma almofada ao lado dela para que a impedisse de cair caso se mexesse demais. Não que Ryujin realmente se mexesse muito, mas era apenas um cuidado que todo mundo sempre teve com crianças tão pequenas quanto ela.

Momo e Minseok já tinham tomado banho e agora colocavam os próprios brinquedos espalhados da sala dentro da caixa organizadora ao lado da mesinha de centro, entulhando tudo ali dentro sem nenhuma preocupação.

Taehyung estava colocando as vitaminas nos dois copos dos gêmeos antes de voltar a lavar a louça suja dentro da pia, levando os dois copos até a sala, colocando-os em cima da mesa.

— Podem beber quando terminarem de guardar as coisas, e podem ver televisão lá no quarto do papai, o tio Jin e eu vamos conversar aqui. — Informou beijando o topo da cabeça de Minseok que estava mais perto de si. Recebeu acenos positivos e então voltou para a cozinha que era ligada à sala em questão, tendo um espaço mediano entre os dois que dava aos corredores para acesso a outros cômodos da casa, e então o balcão largo da cozinha.

Voltou a lavar a louça, vendo o irmão ir guardando o que já tinha sido limpo.

— Sabe que os rapazes têm razão, né? — Jin perguntou depois de alguns minutos em silêncio, tendo esperado o momento certo em que as duas crianças pegaram seus copos de plástico e foram para o quarto do pai.

Era bem capaz que Momo quem ligasse a televisão e ela sozinha fosse escolher o que iriam assistir. Minseok seguiria apenas a onda da irmã mais oito minutos mais velha.

— O que?

— Da babá, Hyung — Jin comentou mais sereno, guardando os pratos em seu devido lugar, fechando a porta do armário e então mirando seus olhos bem pretos para os castanhos escuros de seu irmão mais velho que agora tinha os fios de cabelo em tom de mel — sei que não gosta dessa ideia, mas sabe que você precisa dessa ajuda.

— Ah, Jin — já foi soltando resmungos insatisfeitos por conta daquele assunto sendo retomado, queria somente esquecer aquilo — eu disse que ia pensar e-

— E você acha que o mundo vai parar enquanto te espera pensar, Hyung? — Perguntou e logo levantou uma das sobrancelhas, e o Kim mais velho rapidamente mirou seus olhos no irmão mais novo, surpreso com aquela fala sendo proferida de uma forma mais ríspida. — Vai chegar um momento que ou você vai ser demitido, ou vai perceber que está perdendo de verdade o crescimento dos seus filhos… Porque mesmo estando em casa, seu foco e sua mente está todo no seu trabalho.

Taehyung olhou para baixo, a pia ainda com algumas louças sujas, suas mãos cobertas com luvas de plástico e seus dedos dentro da água acumulada ali, pensou sobre aquilo.

— Mas é um cara, Jin, um car-

— Não precisa ser ele, Hyung, foi como o Namjoon disse, só o conheça e se não gostar, veja outra pessoa.

— Mas e se eu gostar e ele fizer alguma coisa de errado? — Taehyung perguntou mais uma vez, voltando a manter dúvidas em sua cabeça, o medo assumindo um pouco de controle de seus pensamentos.

— Então você enfia milhões de processos na cara desse garoto! — Seokjin comentou como se tal coisa fosse a solução mais plausível possível.

— Não sei…

— É só uma entrevista, Taehyung, só pra você conhecer, e se não gostar, procuramos outro — foi falando de forma mais mansa, observando como o irmão mais velho estava mostrando um pouco mais de aceitação quanto aquilo, mesmo que minimamente, só ia tentando dar desculpas ao invés de cortar logo aquele assunto como ele já era acostumado a fazer.

Alguns minutos de silêncio foram o suficiente para que Taehyung pensasse a respeito mais um pouco, e logo depois, o mais velho dos irmãos soltou um suspiro mais cansado e derrotado.

— Tudo bem, pegue então o número desse garoto com o Namjoon — comentou rouco, já vendo Seokjin abrir um sorriso animado. Feliz porque o irmão tinha aceitado enfim a ideia, e feliz porque poderia ter mais um tempo para si, fazendo planos sem medo de que Taehyung lhe ligasse de repente pedindo sua ajuda com as crianças. — Mas vou marcar com ele em alguma cafeteria, não quero que venha ainda na minha casa.

Seokjin soltou uma risada alta enquanto já pegava o próprio telefone.

— Aí, Hyung, meu Deus, nem todo mundo é um serial killer em potencial, relaxa — comentou mais suavemente, começando a gravar o áudio — louve ao senhor, Nam Hyung, ele aceitou, me passa o número aí desse babá milagroso.

Taehyung resmungou alguns xingamentos e voltou a se concentrar na louça que ainda tinha que lavar.

O fim do dia foi cercado de Seokjin e Taehyung vendo um filme e comendo os restos do churrasco que tinha sobrado. O Kim mais velho se despediu do irmão e depois foi até o próprio quarto para pegar os dois filhos que estavam apagados em cima de sua cama, adormecidos devido ao cansaço por terem brincado tanto naquele dia.

Taehyung os levou para o próprio quarto, e depois colocou Ryujin no berço que ainda dormia no outro quartinho que tinha, tomou banho e dormiu profundamente, também cheio de sono.

[...]

Era quinta feira, os primeiros ventos do outono pareciam estar chegando, e Taehyung apenas o via do lado de dentro daquela cafeteria, sem sentir ainda realmente a brisa mais fresca. Pousando a xícara em seus lábios para tomar um gostoso chocolate quente junto de alguns biscoitos de morango, Taehyung continuou encarando o lado de fora.

Odiava café, não gostava de coisas amargas em seu paladar, mas marcou o encontro com aquele tal babá ali porque parecia sofisticado.

Chegou dez minutos adiantado, já fazendo seu pedido e olhando para o lado de fora, as várias pessoas que iam e vinham por aquela rua, imaginando qual das pessoas ali poderia ser Jeongguk, o garoto que Namjoon havia lhe recomendado e agora sabia o nome.

Jeon Jeongguk, vinte e um anos.

Era o que sabia sobre o garoto.

“Novo demais” pensava, mas se lembrava já que aos vinte já estava namorando Mina e naquele tempo já fantasiava com a ideia de formar uma família.

Engoliu em seco, tomando mais um gole da bebida quentinha.

E então, como um passe de mágica, um rapaz de fios loiros apareceu diante da mesa de Taehyung, as mechas do cabelo bem bonitas iam até quase seu nariz redondinho, os olhos eram igualmente redondos, escuros demais. Era um rapaz alto, talvez um ou dois centímetros menor que si, usava uma calça jeans escura não muito apertada, tênis all star, uma blusa branca de manga longa e um suéter regata xadrez, nas cores branca, azul escuro e vermelho.

A alça de uma pasta preta atravessava seu corpo.

Era diferente do que imaginava, esperava alguém mais velho, que mostrasse experiência, mas tudo o que ele parecia era somente um jovem que pinta de modelo.

— Olá, senhor Kim — curvou-se educadamente — fiz o senhor me esperar por muito tempo?

— Ah, — Taehyung curvou a cabeça também para cumprimentá-lo — não, não… Cheguei um pouco mais cedo mesmo, não se preocupe, e não precisa me chamar de senhor, sente-se.

— Tudo bem então — mostrou um sorriso pequeno e então sentou-se na cadeira em frente a Taehyung — fico feliz que o senhor tenha me chamado — continuava sorrindo ao mostrar que continuaria chamando Taehyung de senhor — tive a liberdade de trazer algumas de minhas recomendações — abriu a pasta e tirou de lá algumas folhas com escrituras diferentes — são cópias dos originais, mas são de várias famílias com quem já trabalhei e acho que possa passar mais segurança ao senhor sobre o meu trabalho — falava baixo, parecendo quase gaguejar em algumas coisas, mas a dicção era boa, o tom da voz mostrava certa energia que ele parecia ter.

— Me desculpe, mas você sabe quem eu sou? — Perguntou rouco, cerrando os olhos ao fazer tal pergunta, porque era estranho como ele falava como se tivesse plena consciência de que Taehyung estava incerto sobre aquilo.

— Ah, o senhorita Areun disse que um primo dela queria meu contato, mas que o amigo para quem ele iria passar meu número não era tão adepto ao fato de ter babás, — respondeu sincero, olhando em seus olhos — e imagino que para alguém assim, contratar um garoto como babá é ainda mais difícil e até mesmo “inaceitável” — fez as aspas com os dedos — e é compreensível também, afinal os tempos de hoje são terríveis e toda preocupação é válida demais. Ninguém quer colocar a segurança de seus filhos em risco.

— Sim… — Foi a única coisa que conseguiu dizer, estava surpreso com a sinceridade dele e surpreso com o fato de que sua aversão por ter babá já deveria ser de conhecimento e motivo de conversa por toda a família de Namjoon.

— Mas estou contente, acredite se quiser nunca trabalhei com gêmeos — Jeongguk informou mostrando um sorriso largo. Era verdade, informou sobre as idades das crianças na hora de marcar o encontro porque chegou a pensar que falando que eram três, e tão novos, talvez o garoto desistisse. — Teve um casal que teve duas filhas com idades bem próximas, mas gêmeos ainda não.

— E gosta da ideia de cuidar de gêmeos? — Levantou a sobrancelha escura — mesmo sabendo que ainda tem mais uma criança com idade menor?

Jeongguk mostrou um sorriso sem revelar os dentes bem alinhados.

— Bom, senhor Taehyung, ainda não disse como trabalho… — Passou a língua pelos lábios rosados — e eu sou bem transparente quanto a isso.

— Então diga-me — comentou rouco, pegando o último biscoito de morango para comer, ofendendo-se um pouco mentalmente por nem ter oferecido algo para que ele pedisse assim que se sentou ali, mas Jeongguk também já chegou falando sobre as recomendações dele, sendo totalmente direto com o assunto que iriam tratar.

Talvez não gostasse de perder tempo com enrolações e apreciasse ir direto ao ponto, Taehyung gostava daquilo.

— Eu tenho um contrato de três meses, senhor, até quatro dependendo da necessidade da família. E eu pratico essa profissão porque me permite trabalhar para ganhar dinheiro para pagar minha própria faculdade e a lidar com crianças, o público alvo para a profissão futura que desejo exercer assim que me formar.

— Porque só três meses?

— Eu pretendo lidar com o máximo de criança possível. Cada uma é de um jeito, e eu tenho a ambição de conhecer várias e saber como responder a elas quando estiver trabalhando no que verdadeiramente ambiciono, senhor — mostrou outro sorrisinho bonito e simples — o tempo em que trabalho com cada família me permite conhecer os jeitos e manias de cada criança, as personalidades que possuem, — levou o dedo até algumas mechas loiras e então as colocou atrás da orelha — eu trabalho todos os dias, atendendo ao horário de trabalho que os pais possuem, mas nunca passando das nove da noite, que é quando eu preciso estar na faculdade.

Fez uma pequena pausa.

— Eu recebo semanalmente, mas posso aceitar receber a cada quinze dias dependendo da rotina dos pais em questão. Não trabalho aos domingos, não somente porque é minha folga, mas porque acredito como futuro pedagogo que os pais devem sempre tirar um dia da semana para ficar com os filhos. E por isso aos sábados não fico até depois das cinco da tarde. Sei cozinhar para as crianças, posso educar com questões que posso ver que sejam necessárias e sei repreendê-las também. Jamais saberá que bati em alguém, que ofendi, humilhei, falei palavrão ou qualquer coisa com teor erótico para uma criança, repudio tudo isso com grande veemencia.

Ele falava de forma firme cada palavra. Era ensaiado, era o discurso de apresentação dele, mas ao mesmo tempo era forte ao ponto de parecer estar respondendo a alguma insinuação ruim feita a si.

— Sei dar banho e qualquer coisa básica sobre os cuidados com uma criança também, assim como também posso ajudar com deveres de casa, mas não assumirei jamais seu papel como pai deles, somente meu papel como cuidador por tempo definido pelo senhor. Caso meu trabalho não esteja sendo do seu agrado, não hesite em me mandar embora, mas peço que pague pelo tempo em que trabalhei pelo senhor. E peço que eu próprio me apresente às crianças, primeira impressão em tudo, e — mordeu o lábio inferior — acredito que seu receio pode interferir em suas palavras e sentimentos na hora de passar a mensagem que agora eles irão ser cuidados por uma pessoa estranha.

Tirou outro papel da própria pasta.

— Aqui está meu cronograma. — Informou calmo — essa é minha última semana com a senhora Areun, e então posso começar logo na semana que vem com o senhor caso deseje. E como já disse, eu que faço questão de me apresentar, porém, o meu método é que o senhor traga as crianças um dia até mim, passaremos o dia juntos para que eles me conheçam e fiquem mais confortáveis comigo, sem contar que a opinião das crianças são altamente válidas e se elas reportarem a você que não gostaram da minha presença, ou demonstrarem desconforto ao final do dia, eu mesmo irei me retirar, e o senhor não precisará pagar por nada.

Taehyung arregalou os olhos.

— Mas e se eles só não gostarem de você por ser um estranho? — Perguntou um pouco confuso e curioso, achando aquela última parte um pouco radical.

— É um risco que corro, senhor. Como já disse, a primeira impressão é tudo, e uma criança é sincera, tem a aura pura, elas muitas vezes conseguem sentir quando alguém é ruim… Embora a inocência atrapalhe isso. Eu acredito que se não conquistar a criança no primeiro dia, ela crie uma trava quando eu vá ficar com ela todos dias sozinho e pode ser bem desconfortável não estar na presença dos pais para ir ao socorro de alguém que eles veem como porto seguro.

— Você está certo — comentou mais sério, refletindo sobre aquilo e vendo que fazia um real sentido sobre aquela questão. — Tudo bem… — Respirou fundo, vendo a postura correta que ele mantinha enquanto estava sentado, os olhos jovens, a pele sem rugas da idade, a raíz de seu cabelo começando a mostrar o verdadeiro tom preto de seus fios. — Mas então, quanto você cobra?

— Cobro dois mil wons por hora. Chego em sua casa no horário estipulado pelo senhor, e saio quando o senhor achar que foi o suficiente, estabelecendo o quanto irei receber no dia.

Taehyung arregalou um pouco os olhos, surpreso com o valor que acreditou que seria alguns wons mais baixo.

— Achou salgado? — Jeongguk perguntou — é meu preço fixo, tanto para uma criança a ser cuidada, quanto para três, quatro… Não mudo o preço com base na quantidade e nem o deixo estipulado com base na dificuldade de cuidar da criança. É sempre o mesmo valor.

— Esperava que fosse menos que isso, ainda mais para mim que já nem sou tão fã da ideia — comentou rouco, passando o dedo pela xícara que não continha mais o chocolate quente porque ele próprio já havia tomado tudo.

— Eu entendo, senhor, mas dado ao meu trabalho que é bem elogiado, o preço acaba sendo esse mesmo — foi falando mais baixinho, os lábios até mesmo formando um biquinho bonito — sem contar que não preciso somente pagar minha faculdade e sim a casa onde moro — soltou uma pequena risadinha e Taehyung mirou seu olhos para ele novamente.

— Mora sozinho?

— Moro sim, passei a me sustentar por conta própria assim que fiz a maior idade — mostrou um sorriso bonito, mas certa opacação no olhar, como se não estivesse tão interessado em comentar sobre aquilo. Taehyung via aquele mesmo olhar quando algumas pessoas queriam mudasse de assunto no meio do tribunal, mas não podiam demonstrar tal coisa para não parecer suspeito.

— Já quis morar sozinho tão novo? — Perguntou, querendo aumentar o assunto porque viu-se curioso com o porque daquilo, era advogado, tudo o que Jeongguk tinha falado até então era ótimo, e realmente mostrava um nível profissional que Taehyung gostaria de ver, porém ele tinha sede investigativa, queria fatos e verdades, e se soubesse de qualquer a que o garoto tinha feito para prejudicar alguma criança e que até mesmo poderia fazer com seus filhos, enfiaria tantos processos nele que jamais seria um rapaz livre novamente.

— Querer não, mas realizei isso por certos conflitos com meus pais e o desejo da independência mesmo — mostrou novamente um sorriso bonito, e verdadeiro, ao explicar aquilo, juntando as duas mãos em cima da mesa — mas e então senhor Taehyung, o senhor gostou do que posso ofereço com meus serviços?

O próprio Kim se viu novamente focado nele e naquele olhos bonitos e escuros, o sorriso doce. Esqueceu-se, e, viu-se até o momento, satisfeito com a resposta que tinha recebido sobre seu questionamento anterior.

— Sendo sincero, gostei sim, você parece ter mais profissionalismo do que eu esperava mesmo sendo jovem — pressionou os dois lábios um no outro — sem contar que pelo o que me disse, se importa mesmo com o fato de estar lidando com os cuidados de uma criança, parece saber bastante do necessário para cuidar de uma, e pela quantidade de folhas de elogios, teve bastante experiência com diversas famílias…

— Obrigado por isso, senhor.

— A questão é, eu sou advogado, então conheço bem das leis e muitos bem de processos, e realizar um contra alguém que machucar meus filhos é fácil para mim — foi mais duro, sério, os olhos bem ameaçadores — não quero deixá-los sobre o cuidado de qualquer um, e muito menos saber que por um minuto você possa ter feito mal a eles.

— Isso jamais, senhor.

Taehyung balançou a cabeça positivamente.

— Podemos sim então marcar para você os conhecer na semana que vem. — O gosto era amargo em sua boca, sabia que precisava ceder devido à necessidade, mas seu orgulho de pai estava ferido por saber que precisava tanto de ajuda naquela questão que poderia ser bem simples. — Eu trabalho de oito às seis, mas tem vezes que posso passar o dia inteiro em um tribunal, mas caso vá ocorrer eu avisarei previamente e pedirei que meu irmão vá para a casa e libere você.

Jeongguk ia balançando a cabeça positivamente, parecendo concordar com tudo que ia ouvindo.

— Saio de casa sempre quando é quase sete e meia — informou, mas nem era totalmente verdade porque nem todo dia Taehyung saia de casa, muitas e muitas vezes o homem trabalhava em casa porque não tinham com quem deixar os filhos e aquilo gerava um grande conflito com seu trabalho. — então acho que você pode chegar quando for esse horário. Os gêmeos já vão para a pré escola, pegam de dez da manhã até às duas da tarde, a caçula ainda não foi matriculada, somente quando tiver três anos, assim como foi com os outros dois.

— Entendo… — Balançou a cabeça positivamente — a mais nova ainda usa fralda?

— Usa sim.

— O senhor já quer tirar dela, ou algo assim?

— Eu e o padrinho dela estamos ensinando aos poucos, mas sabemos que não devemos forçar que o processo seja rápido, cometi esse erro com a gêmea mais velha e o resultado não foi bom — comentou mais por cima, não dando a informação dos nomes deles ainda, como se ainda se sentisse inseguro para tal.

— Sim, o senhor está certo. Não é bom forçá-los, e sim ir acompanhando o tempo deles, mas com certas orientações de como aprender a fazer as necessidades sem o uso da fralda. — Comentou baixinho, os lábios se movendo suavemente — bom, acredito que uma lista de alergias, coisas que não fazer ou o que eles detestam o senhor possa fazer após o nosso encontro com as crianças presentes, e acredito que muitas coisas eu mesmo vou perguntar a eles com o tempo para os conhecer.

— Entendi, acho que tudo certo então. Te mando a mensagem com o horário assim que eu decidir.

— Sim, senhor, ficarei no aguardo — sorriu docemente mais uma vez, recolhendo tudo o que tinha mostrado, devolvendo para o interior da pasta antes de se levantar e se curvar para Taehyung mais uma vez — fico feliz que tenha gostado da forma como trabalho e estou ansioso para conhecer as crianças, senhor Taehyung, até breve.

Sorriu mais uma vez e retirou-se dali, caminhando calmo por entre o espaço da cafeteria até chegar à porta da saída, atravessando-a sem olhar para trás, caminhando pela rua sem preocupação alguma em sua pose.

Taehyung permaneceu ali, sentado, pensando se estava fazendo realmente a coisa certa ou se estava cometendo um grande engano desejar contratar Jeongguk.

Levantou a mão, querendo chamar o garçom para poder pedir mais uma xícara de chocolate quente, queria ficar pensando mais um pouco no rumo que estava dando para as coisas de sua vida.




E é isso, espero que tenham gostado :)

Em breve terá mais, então curtam e deixem algum comentário sobre o que acharam <33