Memórias Omitidas C.6

Oiiiii!!!

Demorou, mas chegou!!

Aqui está mais um capítulo de Memórias Omitidas! Eu espero demais que vocês gostem do capítulo, e quero agradecer muito por todo o apoio de vocês <333


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Todos estavam em silêncio ao redor da mesa conforme seguiam comendo.

Os pais de Jeongguk haviam chegado bem sorridentes, o cumprimentando com cuidado e lhe enchendo de perguntas sobre a fisioterapia ou como estava se sentindo com relação a tudo.

Jeongguk respondeu o que pôde e agradeceu quando Taehyung terminou de trocar de roupa e logo surgiu diante deles, puxando outros assuntos e desviando um pouco o foco do próprio filho que ainda estava bem perdido e atordoado com o tanto de sentimentos confusos que chegou a sentir momentos antes dos seus pais chegarem.

Uma avalanche de sensações, e Jeongguk não sabia descrever nenhuma.

Naquele momento, os quatro estavam realmente em silêncio, Taehyung e Jeongguk trocavam alguns curtos olhares cheios de perguntas significados, mas realmente não passava disso.

E é claro, Jeongguk também não conseguia sustentar aquele mesmo olhar por muito tempo, porque tinha vergonha, uma grande vergonha tomando conta de si por se recordar do que ele e Taehyung estavam fazendo antes que seus pais chegassem, o momento que estavam tendo…

Pensava em mil finais para ele, e ainda assim seu coração acelerava por imaginar realmente tendo ido em frente com tudo aquilo, tendo realmente o beijado… E céus, parecia horrível.

Beijar um homem… Como poderia ele ser capaz disso?

Taehyung era muito legal, reconhecia isso facilmente e com certeza o devia muito por toda a ajuda que estava lhe dando, mas beijá-lo?

Ele era um cara. Aquele momento não tinha significado nada porque agora quando Jeongguk parava para pensar, não conseguia sequer juntar coragem para acreditar que faria algo como aquilo, porque Taehyung era um homem e Jeongguk sentia em todo o seu ser que não gostava de homens.

Não gostava mesmo e não tinha a menor vontade de beijá-los!

E Jeongguk também percebia o quão arrependido poderia ficar por beijar um homem. E por também dar falsas esperanças para Taehyung.

Era tão errado

Pensar naquilo em tal momento lhe tranquilizava porque era uma coisa que sempre foi certa em sua vida. A própria sexualidade.

Porém, ficava um pouco mais pensativo sobre Taehyung, sobre a possibilidade dele ficar mesmo chateado ou magoado apesar de dizer que não… Não queria usá-lo ou enganá-lo, mas também não queria dar esperanças, assim como sabia que havia dado antes de seus pais chegarem.

Era tão idiota.

Estava se sentindo tão idiota.

E agora sentia medo de que quando seus pais fossem embora, Taehyung achasse que voltariam a como estavam antes.

— Jeongguk? — A voz de sua mãe chamou-lhe atenção, e quando percebeu, todos ao redor da mesa estavam olhando para ele — você está bem? Está enjoado?

— Ah, não, — sorriu fraco — só estava pensando em algumas coisas.

A expressão de todos ficaram de pena imediatamente.

Jeongguk não gostou, mas também não iria reclamar. Somente respirou fundo e encarou os olhos bonitos de sua mãe mais uma vez.

— Você está bem mesmo, meu amor? — Sua mãe perguntou preocupada, e Jeongguk sentiu seu coração amolecer no mesmo segundo, queria chorar e derreter em cima daquela cadeira.

— Nós podemos conversar em particular, mãe? — Jeongguk perguntou mais choroso, formando um biquinho bonito ao se levantar da cadeira, um pouco trêmulo. E quase no mesmo segundo sua mãe se levantou da cadeira também.

— Claro, meu amor! — A mulher falou rapidamente, aproximando-se do filho e indo com ele até o quarto.

Taehyung sentiu seu coração ficar apertado no mesmo segundo.

Já acreditava que Jeongguk fosse contar do momento em que viveram, iria desabafar com a sua mãe sobre como aquele momento tinha sido horrível ou muito bom, que estava confuso ou enojado.

Estava odiando demais aquele sentimento.

E tudo o que Taehyung viu foi a figura de Jeongguk e sua sogra sumindo dentro do quarto e depois a porta sendo fechada.

Jeongguk sentou-se na cama no mesmo segundo, encolhendo-se um pouquinho enquanto sua mãe parecia ficar cada vez mais preocupada com o que seu filho poderia estar passando.

— O que aconteceu, meu amor? — a mulher falou suavemente, pegando a mão de Jeongguk no mesmo segundo para acariciá-la. — Você está bem?

Jeongguk começou a chorar em resposta, balançando a cabeça negativamente e cobrindo parte do rosto enquanto sentia sua mãe sentando-se ao seu lado, abraçando-lhe com carinho.

— Não… E-eu não sei o que estou pensando, não sei o que estou sentindo de verdade, mãe, está tudo uma bagunça — foi admitindo enquanto soluçava baixinho. — E-eu e o Taehyung estávamos muito próximos antes de vocês chegarem…

— Próximos como? — Ela perguntou bem preocupada, dando um pequeno beijo no topo de sua cabeça.

— Próximos demais, e eu me sinto muito estranho, mãe… Tipo, ele é homem! — Rebateu o que ninguém havia afirmado, as lágrimas começaram a escorrer fininhas, estremecendo somente por se lembrar daquilo, por nem conseguir definir direito o que estava sentindo naquele momento. — Ele ficou tão próximo, e-

— Meu amor, se você está desconfortável com ele, me diga que você volta pra casa conosco no mesmo segundo, meu amor — sua mãe falou mais preocupada, tocando no rosto de Jeongguk, em suas duas bochechas bem fofas. — Eu conheço o Taehyung, realmente ele vai entender, vai ficar chateado e eu posso até lamentar por isso porque gosto muito dele, mas você é minha prioridade, Jeongguk. Você é tudo pra mim e eu vou sempre te colocar em primeiro lugar.

— Não, mãe! Eu não estou desconfortável assim, o Taehyung é legal, ele tem me tratado muito bem, ele é gentil e educado, me dá espaço, não me pressiona em nada — esclareceu rapidamente, porque não queria que sua mãe tivesse uma visão distorcida de quem Taehyung era ou o que poderia estar fazendo.

Taehyung nem tinha culpa de nada.

— A questão é comigo! — Jeongguk continuou esclarecendo. — Totalmente comigo. E-eu que me sinto estranho, muito estranho. Quando nos aproximamos…

Não terminou.

Mas sua mãe entendeu.

— Você se sente atraído, meu amor? — Sua mãe perguntou mais melancólica, continuando a passar as mãos pelas bochechas dele.

— Não! — Respondeu o mais rápido possível. — Não, claro que não, ele é homem! Eu não me atraio por homens!

Sua mãe respirou fundo.

— Então não sabe o que sentiu quando ele se aproximou de você? — Questionou e levantou uma das sobrancelhas.

— Não…

— Mas com certeza não foi atração? — Insistiu para ter certeza.

— Não, não foi. Não senti nada, mãe, mas foi altamente estranho — continuou tentando colocar em palavras o que estava sentindo e sua mãe optou por respeitar.

— Mas você não está desconfortável com o Taehyung e nem quer se mudar? — Perguntou para se certificar de que Jeongguk tinha certeza absoluta do que estava querendo dizer.

— Não estou desconfortável com ele, e nem acho que seja necessário eu me mudar — esclareceu mais uma vez. — Eu sei que vou me lembrar das coisas em breve, acredito que só tenho que me habituar um pouco mais com essa vida que eu devo ter, e se eu não me lembrar, eu vou para outro lugar, busco um rumo novo na minha vida.

— É uma boa ideia, meu amor — sua mãe abriu um sorriso mais confiante para ele, limpando os últimos resquícios de lágrimas que haviam em seus olhos e bochechas. — E você sabe que se tiver qualquer problema, ou precisar de algum apoio, vai ter a mim e ao seu pai.

— Sim, eu sei disso mãe — comentou com um sorriso pra lá de feliz.

— Então se precisar de ajuda-

— Eu sei, eu sei… — Respirou fundo — eu só quero pensar bem sobre tudo isso que posso estar sentindo. E toda essa confusão quando Taehyung se aproxima.

— Diga para ele, totalmente franco, para não se aproximar mais e continuar te dando espaço até você entender melhor tudo o que sente… — Sua mãe voltou a aconselhar, a voz saindo suave e acolhedora demais. Jeongguk a amava tanto. — O Taehyung é ótimo, realmente maravilhoso, ele vai entender perfeitamente tudo o que você pedir para ele nessa situação em que os dois se encontram.

Jeongguk respirou fundo.

— Entendo… — Respondeu baixinho. — E-eu vou tentar fazer isso — prometeu.


[...]


Os pais de Jeongguk já tinham ido embora, Taehyung estava limpando tudo enquanto Jeongguk ficava sentado no sofá, um pouco sem graça e sem ter muita noção do que fazer.

Bom, na verdade ele sabia sim.

Jeongguk sabia que poderia se levantar e ajudar Taehyung, mas ainda assim parecia não conseguir. Seu corpo travava, suas pernas estavam moles demais e uma culpa gigante, seus sentimentos lhe esmagando porque nem mesmo conseguia encarar os olhos de Taehyung.

Sentia culpa.

E se Taehyung acreditasse mesmo que tinha uma chance consigo?

E se quando Jeongguk negasse, Taehyung fosse embora? E se lhe deixasse no completo escuro, sem nenhum tipo de informação a mais sobre os últimos anos que haviam se passado?

Como iria encarar as pessoas que supostamente conhecia?

Era tão sufocante…

E tornava-se ainda mais quando Jeongguk recapitulava toda a conversa que os dois haviam tido momentos antes de seus pais aparecerem. Os diálogos sobre beijos, o envolvimento mais próximo que tiveram, a forma como seus corpos pareceram se comportar diante do assunto.

Era tão absurdo.

Jeongguk queria gritar desesperadamente, chorar como nunca e realmente arrancar todos os fios de cabelo por sentir o que estava sentindo.

Mas não fazia nada.

Permanecia imóvel vendo Taehyung terminar de colocar toda a louça na pia e então começar a lavar todos os pratos, em silêncio absoluto, a cabeça abaixada, o cabelo próximo dos olhos… Tão tenso.

E os minutos foram passando.

Passando, passando, passando…

E então Taehyung terminou de limpar tudo. Até mesmo varrer o chão e passar um pano na área onde haviam jantado.

Só quando terminou tudo, Taehyung pareceu respirar fundo e então sentou-se ao lado de Jeongguk no sofá, olhando diretamente para ele com os olhos levemente confusos, mas ainda assim desejando algumas respostas.

— Eu fiz alguma coisa? — Perguntou baixinho, preocupado por toda aquela reação de Jeongguk após ter saído do quarto com sua mãe.

Taehyung até perguntou para o sogro se ele sabia de algo, mas o homem afirmou não saber.

Após aquilo Jeongguk ficou em completo silêncio, ficou quieto e recluso dentro de si mesmo. Sem conversar direito, apenas com expressão chorosa e uma linguagem corporal que dizia totalmente que estava mal, desconfortável.

Taehyung odiou aquilo.

Odiou que Jeongguk estivesse sentindo aquilo dentro da própria casa, perto dos pais, perto de si.

— E-eu… — Jeongguk começou a falar, mas nem conseguiu terminar.

— Foi sobre o que estávamos falando mais cedo? Antes dos seus pais chegarem? — Taehyung perguntou seriamente e Jeongguk, mesmo sem olhar diretamente para o rosto daquele rapaz bonito que dizia ser seu marido, balançou a cabeça positivamente.

Taehyung respirou fundo.

— Jeongguk, eu não vou tocar em você enquanto você não quiser… Sim, foi uma conversa intensa, sim, eu desejei muito, muito beijar você, mas eu jamais faria sem te perguntar antes. Ainda mais diante dessa situação que estamos passando, você entende? — Taehyung tinha uma voz rouca e forte, e naquele momento ela estava bem mais séria do que Jeongguk já estava acostumado.

Olhou para Taehyung.

Viu seus olhos.

— Ela estava certa…

— Quem? — Taehyung perguntou um pouco confuso.

— A minha mãe, eu desabafei com ela e ela me disse que você é muito compreensível…

— Ah — Taehyung soltou, sem conseguir esconder um pequeno sorriso formando nos lábios cheios e rosados. — Foi sobre isso que vocês conversaram? — Perguntou e Jeongguk balançou a cabeça positivamente. — Ela está certa, eu sou bem compreensível, Jeongguk… O que você quiser compartilhar comigo, eu vou sempre me esforçar muito para entender o seu lado.

— Consegue entender agora que eu posso estar me sentindo muito, muito mal por achar que te dei esperança de algo que jamais vai acontecer? — Jeongguk perguntou de forma séria, mesmo que estivesse bem receoso de ser tão direto daquele jeito.

Taehyung ficou magoado.

Por alguns segundos Taehyung ficou magoado e jurou ter sentido seu coração se apertando.

— Consigo, e vou te respeitar quanto a isso, Jeongguk — respondeu, sentindo ser muito mais difícil do que pensou não chamá-lo de amor. Não pegar em sua mão para lhe dar carinho, não se esticar um pouco para beijar seus lábios como geralmente fazia na hora de consolar o marido por algum motivo que o tivesse chateado anteriormente.

E aquilo não estava acontecendo.

E poderia nunca mais voltar a acontecer outra vez.

Machucava.

— Eu sei que vai, eu já percebi isso — Jeongguk concluiu baixinho, respirando fundo e engolindo em seco antes de voltar a falar. — Mas ainda assim quero ter certeza de que não vou te dar nenhuma falsa esperança.

— Então você tem cem por cento de certeza de que jamais sentirá qualquer coisa por mim? — Taehyung perguntou incerto, magoado, claramente magoado por pensar naquela hipótese e aquilo verdadeiramente chateou Jeongguk também.

— Acredito que sim, eu sou hetero, Taehyung.

— Você era casado comigo — Taehyung conseguiu resmungar, o coração apertado, as mãos ficando bem suadas porque aquela conversa estava lhe magoando muito por haver a real possibilidade de perder Jeongguk para sempre. Por isso, aquela foi a única frase que soltou em um único fio de voz.

— Mas não me lembro disso, eu não me lembro de você, Taehyung — Jeongguk tentava não soar rude. — E eu não vejo como sentir o que sentia antes, porque eu não sinto nenhum tipo de atração por caras… — Jeongguk falou baixinho, também magoado por saber que estava deixando Taehyung magoado não importasse o quanto se esforçasse para aquilo não acontecer.

Até porque, Jeongguk realmente não queria aquilo. Gostava de Taehyung, ele estava lhe tratando muito bem desde que acordou. E também conseguia imaginar como poderia estar sendo muito ruim para ele, não queria ser um babaca e o tratar mal.

Por tal motivo quis ser mais aberto e permitir aceitar o carinho dele.

Mas não queria que envolvesse nada romântico, jamais!

— Tudo bem então — Taehyung falou depois de alguns minutos em silêncio.

O homem respirou fundo. Passou a mão na própria nuca e então olhou nos olhos de Jeongguk.

— Eu vou tomar banho e dormir, pode ficar com a cama, eu vou dormir no sofá hoje de novo, tudo bem? — A voz rouca saiu bem baixinho e em poucos instantes depois, Taehyung rumou em direção ao próprio quarto, pegou seus pertences e caminhou em direção ao banheiro.

Jeongguk ficou sozinho ali.

E mais tarde naquela mesma noite, ficou sozinho no quarto, chorando baixinho e implorando para que conseguisse se lembrar de alguma coisa na manhã seguinte.


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Se você chegou até aqui, muuuito obrigada <333


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Oiiiii! Tudo bem com vocês? Antes de tudo peço perdão pela demora em postar esse capítulo, era para ele ter saído uns dias atrás, mas como a ida para São Paulo foi uma correria, eu trabalhei o dia tod