Memórias Omitidas C.5


Oiiii, aqui estou eu de novo!!!

Olá!

Estão gostando da história? Não se esqueçam de comentar sobre o que estão achando da fic meus amores!!! Obrigada por estarem lendo e espero bastante que gostem desse capítulo também <33333


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— Moto? — Jeongguk tombou um pouco a cabeça para o lado ao encarar o veículo que Taehyung lhe mostrou e o apresentou como único automóvel que tinha e os dois usavam no passado sem problema algum.

Mas só havia um pequeno probleminha naquele momento… Jeongguk não era tão fã de motos assim, não tinha muita vontade de experimentar andar em uma.

— Sim… Mas podemos pedir um táxi caso você queira…

— Mas você teria que pedir outro para voltar do hospital, seria caro — Jeongguk comentou baixinho, preocupado, mordendo levemente o lábio inferior — nós podemos ir de moto mesmo.

— Certeza?

— Sim, tudo bem — abriu um pequeno sorrisinho, vendo Taehyung ir até si para lhe ajudar a subir no veículo e então colocar o capacete em sua cabeça.

O Kim subiu também.

— Se segure bem — Taehyung falou e Jeongguk logo o abraçou completamente, realmente com certo medo. Taehyung soltou uma pequena risadinha, parecia Jeongguk nas primeiras vezes em que subiu na antiga moto que tinha. Demonstrava os mesmo sinais de nervosismo que naquela época. — Vamos?

— Vamos.

Taehyung acelerou, fazendo o motor roncar por alguns segundos e então deu partida, não indo tão rápido quanto desejava, sendo cuidadoso para não assustar o garoto.

[...]

— E então, como ele está? — Namjoon perguntou assim que se aproximou do carro que Taehyung estava limpando, vendo quando o rapaz chegou em sua oficina e já foi direto para o trabalho.

Namjoon estava ocupado com dois clientes presentes em seu escritório e depois ainda teria que dar um telefonema para resolver seu problema da peça de carro que tinha encomendado e ela ainda não havia chegado.

Quando terminou de resolver tudo, caminhou até onde o amigo estava trabalhando, querendo realmente saber como Jeongguk estava já que quando esteve no apartamento dos dois na noite anterior, nem teve uma chance de conversar com o loiro. E lamentava demais por isso.

— Ah — Taehyung virou-se quase que completamente para o amigo — ele está na fisioterapia agora, — informou de forma rouca — ele está melhor, fazendo perguntas sobre o passa-

— Ele se lembrou de algo? — Namjoon perguntou rapidamente, olhando bem nos olhos de Taehyung que abriu um pequeno sorriso.

— Lembrou-se só de uma coisinha, mas foi um momento nosso, veio pra ele durante um sonho, nada mais que isso — voltou a manter um semblante mais entristecido. — Mas acho que ele realmente está se esforçando bastante para lidar com tudo isso.

— Quando ele lembrar de algo, você me avisa?

Taehyung soltou uma pequena risadinha, olhando para o rosto do amigo, e chefe.

— Claro que aviso… Vou avisar a todos vocês — passou uma das mãos sobre os ombros do amigo — mas eu já contei algumas coisinhas a ele porque acreditei que poderia ajudá-lo, — aumentou um pouquinho mais o risinho — contei de como vocês já foram pescar e o beijo que você fez ele dar no Jimin.

Namjoon o olhou altamente chocado e depois cobriu parte da cara com a mão.

— Meu Deus, Taehyung, você é ridículo! Pra que foi lembrar o garoto logo disso?

— Ele não se lembrou, só o informei sobre o tipo de amigo pervertido que ele tinha.

— E contou sobre o seu beijo com o Jimin para ele também? — Namjoon cerrou os olhos — ou você só contou os podres dos outros?

— Jeongguk não precisa saber dessas coisas agora — Taehyung revirou os olhos no mesmo segundo — mas eu vou contar.

— Filma quando for contar, quero muito ver a reação dele…

Taehyung o empurrou levemente, soltando uma pequena risada ainda descrente.

— O que? Eu estou errado por algum acaso? — Perguntava sorrindo, e logo Taehyung foi se rendendo a um sorriso mais leve também — e falando nele, Jimin está me enchendo de mensagem, pedindo pra você o responder…

— Ele detestava o Jeongguk tanto quanto eu naquele tempo, mas agora o adora, deve estar super preocupado, perguntando se precisamos de algo…

— Sabe, — Namjoon começou a falar um pouco mais seriamente, porém um sorriso pequeno ainda era visível em seus lábios bem fartos — acredito que vai ter um dia ele vai aparecer do nada batendo na sua porta querendo ver o Jeongguk.

— Tenho que avisar ao porteiro que não permito mais a visita de ninguém lá no prédio — Taehyung resmungou revirando os olhos.

— O Jimin mora lá seu abestado — Namjoon o retrucou na mesma hora.

— Affz…

— Mas falando sério, Tae, sabe que não precisava vir trabalhar hoje, e nem essa semana realmente, era pra ficar com o Jeongguk… — Namjoon falou mais suavemente, passando a mão na nuca do Kim somente um ano mais novo.

— Eu sei, mas ele está na fisioterapia, não queria ficar em casa sem fazer nada, queria fazer algo, distrair minha mente… Eu também preciso disso.

— É, por um lado é bom, realmente.

— Então vou voltar aqui, tudo bem... — Taehyung comentou rouco, voltando a se concentrar no carro.

— Tudo bem, Tae, qualquer coisa que precisar e tal me avise então, se o Jeongguk se lembrar de mim, me avise, por favor, quero ir lá dar um abraço nele.

— Obrigado, Namjoon — mostrou um pequeno e então voltou a trabalhar.

[...]

Não demorou muito para Taehyung ir buscar Jeongguk na clínica de fisioterapia que o hospital havia recomendado. O Kim ficou em não se atrasar nem por um minuto sequer para buscá-lo, levando consigo três bolsas retornáveis que o próprio Jeongguk havia decorado no passado.

Buscou o garoto e rumou em direção ao mercado, estacionando e o dando instruções sobre como chegar ali partindo do local onde moravam. Falava os nomes das ruas e avisava que iria anotar tudo para o facilitar quando quisesse ir até o mercado sozinho.

Os dois conversaram um pouco, Taehyung perguntou a Jeongguk como foi a fisioterapia, e depois apenas foi contando sobre como o preço de algumas coisas aumentou absurdamente nos últimos cinco anos.

Naquele momento, caminhavam empurrando um carrinho simples de compra enquanto passavam por alguns corredores, pegando o que a casa precisava e o que Jeongguk poderia gostar de comer, e o fazer lembrar de mais algum momento de sua antiga vida.

— Hm, eu adoro esse molho — apontou para um frasco de vidro com molho italiano bem caro, mostrando um sorriso animado para Taehyung, pegando dois potes e se lembrando quase na mesma hora de já ter visto até mesmo sua avó com um pote daqueles em seu armário.

— Ah, eu sei — Taehyung comentou sorrindo quadrado, os olhos se fechando um pouco — você tinha uma receita ótima de pizza, usava esse mesmo molho, eu implorava toda semana pra você fazer e você teimava dizendo que eu ia engordar muito daquele jeito e ter algum problema de saúde por só comer besteira — contou com um pequeno sorriso.

E um sorriso largo também se abriu no rosto de Jeongguk. Nunca foi ótimo cozinhando, sempre se considerou bem mediano, então ouvir aquilo era bom. O fazia se sentir bem.

— Jura? — Perguntou mais baixinho.

— Juro mesmo — respondeu rapidamente, abrindo um sorriso também — se quiser podemos levar os molhos e você tentar fazer sua pizza amanhã, que tal? — Propôs vendo os olhos do garoto mais novo ficarem vacilantes.

— É que eu não lembro da receita… — Mordeu o lábio inferior — eu tinha a receita anotada em algum lugar?

— Não, foi algo que você inventou — lamentou baixinho — mas você pode tentar ir lembrando enquanto faz… — Se afastou um pouco — vou comprar uns sacos de farinha, ok?

— Taehyung, não precisa se preocupar com isso, sério, você vai gastar muito dinheiro com essas coisas — comentou mais entristecido e Taehyung no mesmo segundo voltou a se aproximar dele, acariciando suavemente sua bochecha.

— Olha, o meu antigo Jeongguk sabia de um segredo que ninguém mais sabia — Taehyung sussurrou bem rouco, atraindo a atenção de Jeongguk no mesmo segundo, fazendo ficar lhe observando, sua pele amorenada, seus olhos escuros, seus lábios que a qualquer momento poderiam soltar aquela informação.

— O que?

— Quando eu era bem pequeno, com uns dezesseis anos, quase dezessete, eu ainda estava me descobrindo e o único da minha família que me apoiou foi uma tia minha — contou bem baixinho — até aí, todos os nossos amigos sabem, mas ninguém sabe que por ela também ser lésbica, o pessoal da minha família não reagiu muito bem e meus avós pior ainda… Minha tia se mudou para a Itália, ela vive lá como estilista e é casada com a Michela, uma italiana que ela conheceu por lá.

Jeongguk estava surpreso, mas não conseguia entender ainda o que aquele segredo estava relacionado com a situação atual dos dois.

— Digamos que Michela te adotou como um sobrinho amado já que ela própria nunca teve um, e foi ela que te ensinou muitas coisas… E quando seu acidente aconteceu, elas ficaram bem desesperadas, mas não podiam vir para cá por tanto tempo já que você foi induzido ao coma… Então — respirou fundo, — elas começaram a enviar dinheiro para pagar minha faculdade de veterinária que eu queria largar pra pagar o hospital, e se ofereceram para pagar até eu me formar porque sabiam que seu coma poderia durar muito tempo, mas você acordou, e elas quiseram continuar pagando, então tenho um dinheiro guardado para gastar com essas coisas que podem ajudar você e te fazer ficar mais relaxado na nossa casa.

Jeongguk ainda tinha seus olhos bem arregalados, bem surpresos com tudo o que estava ouvindo bem naquele momento.

— O prédio não cobrou nosso aluguel enquanto você estava em coma por sinal de boa fé e desculpas por não haver câmeras nas escadarias, o que poderia ter feito o segurança te encontrar mais rápido — contou mais rouco, passando o polegar por aquela bochecha bem bonita — a nossa situação financeira não é a das melhores, mas ainda vamos sobreviver se eu gastar dinheiro agora para comprar coisas para você tentar fazer sua deliciosa pizza amanhã…

Jeongguk mostrou um pequeno sorriso.

— Ninguém mesmo sabe disso da sua tia?

— Bom, o Jimin chegou a saber que tenho uma tia lésbica casada com uma italiana, mas não faz ideia de que vocês são tão próximos assim e nem que elas me ajudaram depois do seu acidente, sendo que eu recusei a ajuda de todos eles… — Taehyung comentou com um pequeno sorriso, pegando os dois frascos de molho e os colocando no carrinho — isso era um segredo nosso, só você sabia mesmo sobre as tretas da minha família.

— E você vai me contar elas de novo? — Jeongguk perguntou rapidamente, colocando-se ao lado de Taehyung enquanto o olhava com expectativa, e logo o Kim soltou uma risadinha baixa.

— Se você se lembrar de mais uma coisa nossa, eu conto pra você sim — provocou e Jeongguk fez a sua linda e típica carinha de emburrado.

— Não é justo… — Resmungou.

— É sim — deu os ombros — agora vou lá pegar a farinha e ver o preço das carnes.

— Sem carne de-

— Porco, você não gosta, eu sei, neném — Taehyung comentou já virando de costas — eu te conheço.

Jeongguk ficou ali, parado, corado com aquilo que ouviu, sentindo sua respiração ficar levemente desregulada. Estava sentindo tantas coisas estranhas, um quebra cabeça com muitas peças faltando e novas peças sendo postas em cada encaixe seu, algumas pareciam certas demais, outras bem erradas.

— E-eu vou ver o preço de alguns biscoitos…

— Tudo bem! Eu te encontro depois.

E os dois rumaram para suas direções, Taehyung resolveu rapidamente o que queria, mas Jeongguk demorou um pouco mais, ficando indeciso sobre quais biscoitos Taehyung poderia gostar ou odiar. Não queria levar algum errado, e sentia-se bobo por ter ido ali sozinho e nem perguntado nada.

Mas logo, a luz no fim do seu túnel surgiu, materializado como a visão de um Taehyung empurrando um carrinho de compras indo em sua direção.

— Eu amo os de limão e doce de leite, — gosto dos de morango e detesto os de recheio de chocolate — Taehyung informou sem que Jeongguk sequer lhe perguntasse alguma coisa, fazendo-o rir e pegar logo os biscoitos que tinham aquele recheio para colocar no carrinho.

— Gosta desses biscoitos salgados? — Apontou para umas torradinhas e os biscoitos de cream cracker.

— Adoro, e já peguei o cream cheese pra gente comer de amanhã de manhã com eles — piscou, apontando para os dois potes e Jeongguk sorriu corando mais uma vez. — Temos que comprar leite e pastas de feijão — comentou mais rouco.

— Vermelho ou preto? — Jeongguk cerrou um pouquinho os olhos.

— Pasta de feijão preto doce — Taehyung respondeu, sabendo que o garoto estava se referindo ao tipo preferido de Jeongguk, e logo o garoto realmente soltou uma pequena risadinha — eu sei tudo de você, Jeongguk.

— Eu duvido um pouco.

— Ah, é? — Levantou uma das sobrancelhas e então foi se aproximando cada vez mais de Jeongguk, parcialmente grudando seus lábios no ouvido do moreno — eu sei até mesmo da pequena verruguinha que você tinha próximo do testículo esquerdo e retirou em uma consulta médica um ano antes de você ter se mudado.

Jeongguk arregalou bastante os olhos e recuou um passo.

— P-porque eu te contei isso? — Perguntou chocado, nem fazendo ideia do porque contou tal coisa já que havia ocorrido antes que os dois se conhecessem e se envolvessem.

— Bom — Taehyung mostrou um sorrisinho bem presunçoso — um dia eu estava te chupando bastante lá, e tinha uma pequena cicatriz que eu já tinha reparado, mas naquele dia eu perguntei e você me contou — deu os ombros, observando o rostinho de Jeongguk ficar idêntico a um tomate.

Taehyung somente riu ainda mais.

Jeongguk cobriu o rosto com as duas mãos.

— Meu Deus…

Taehyung achou aquilo uma graça.

— Não precisa ter vergonha… Eu amo saber que sei tudo sobre você, porque é ótimo pra te agradar ou evitar situações chatas.

Jeongguk continuava escondendo o próprio rosto.

— Deixa de bobeira, vem — passou um dos braços em volta dos ombros dele e o guiou para que continuasse andando por aquele corredor.

Depois daquele momento os dois não voltaram a falar muito mais sobre aquilo, terminaram suas compras em silêncio, pagaram por tudo e depois foram pra casa segurando apenas uma única bolsa, enquanto que as outras o Kim pagou um aplicativo de entrega para levar até o apartamento dos dois.

A janta já estava pronta, precisava apenas ser esquentada e logo os pais de Jeongguk iriam chegar.

[...]

Jeongguk tomou banho por último, primeiro foi Taehyung para logo ir esquentar a comida que iriam comer naquela noite que estava esfriando um pouco.

O Kim estava novamente ali, somente com um shortinho folgadinho e leve, sem blusa, descalço, mostrando-se bastante confortável na própria casa. O peitoral todo a mostra, e Jeongguk continuava com um short um pouco maior e uma blusa de manga.

— Você guardou todas as compras? — Jeongguk perguntou baixinho, vendo como tudo já estava organizado na cozinha — eu disse que iria guardar.

— Eu sei, mas acontece que eu fiquei sem fazer nada por uns minutos — Taehyung deu os ombros enquanto misturava o ensopado que esquentava lentamente para não correr o risco de queimar — mas se quiser, pode pegar uma nova caixinha de creme de leite pra mim, acho que está no armário — comentou depois de experimentar o molho que estava um pouco picante demais para o paladar da própria sogra.

Jeongguk foi até o armário, sentindo o cheiro maravilhoso invadindo todo o cômodo. Abriu as duas portas que ficavam no alto e esticou-se para pegar a caixinha, acabando por fazer ser inevitável para Taehyung não olhar a bunda levemente empinada de Jeongguk ao se esticar para pegar o creme de leite.

Olhou por alguns segundos, sabendo exatamente como aquelas duas nádegas eram sem roupa alguma.

Desviou o olhar rapidamente, sentindo mal e culpado por aquilo… De alguma forma parecia errado, não sabia definir o sentimento que se apossou de si.

Fechou os olhos por alguns segundos, gostaria de poder sair daquela cozinha, ir para o banheiro e chorar um pouco. Porque era bem doloroso para Taehyung parar e refletir sobre aquilo que estava acontecendo… Não havia passado por um término para superar com o tempo e parar de desenvolver sentimentos por Jeongguk.

Não.

Jeongguk estava bem ali. Estava cheiroso, estava de banho tomado, com um short seu que ele nem tinha conhecimento, as pernas bonitas de fora… Em qualquer outra circunstância, Taehyung já estaria beijando aquele pescoço, abraçando aquele corpo, soltaria alguma coisa suja e os dois iriam rir e provavelmente se beijar.

Mas agora, o próprio Taehyung sentia-se sujo somente por imaginar algo assim. Por olhar e desejar o corpo ao seu lado, tudo porque Jeongguk não queria aquilo. Ele não queria ser desejado por outro homem e também não queria desejar um.

A pessoa ao seu lado não era mais seu marido, não era mais o mesmo que aprovava seus toques. Que dava liberdade para que Taehyung passasse a mão nele.

Tinha o mesmo rosto, a mesma voz, o mesmo cheiro.

E não era Jeongguk.

Não era o seu Jeongguk.

Como superar? Como não ter mais sentimentos se as falas são gentis? Se moram juntos? Se parecem estar se esforçando para ter a mesma vida que antes?

Como lidar com o que se está sentindo?

— Taehyung!? — Jeongguk chamou alto, provavelmente tendo chamado outras vezes, mas o próprio Kim não escutou.

Virou-se para ele, vendo os olhos redondos no meio daquele rostinho redondo também.

— Ah, oi, perdão, estava pensando em algo…

Jeongguk soltou uma pequena risada.

— Tá aqui, oh — entregou a caixinha do creme de leite, ainda soltando uma risadinha.

Taehyung a pegou, vendo como a pontinha já estava cortada, e sorriu, começando a jogar um pouco em sua comida.

Jeongguk sentou-se nos bancos perto do balcão.

— Me fala… Como foi o seu trabalho hoje? — Perguntou bem levianamente, e Taehyung virou-se para encará-lo.

— Normal, mas não deveria ter sido eu a perguntar como foi a fisioterapia?

— Mas já perguntou lá no mercado… Foi normal, não tenho nenhuma lesão grave, nada que tenha atrofiado meu corpo, tanto que estou andando normalmente agora…

— Tem ainda muita dormência?

— Um pouquinho… — Respondeu fazendo um pequeno biquinho, balançando as pernas.

— Isso é bom — Taehyung comentou balançando a cabeça positivamente. — Melhor ainda é tentar fazer alguns exercícios pra se fortalecer lá na fisioterapia.

— Sim, ela falou exatamente isso — respondeu baixinho. — Mas e no seu emprego? — Parecia bem interessado — sei que trabalha com alguém que temos em comum, — foi falando mais baixinho.

— Sim, o Namjoon, ele estava aqui ontem e estava no seu quarto quando acordou.

— O que me fez beijar aquele tal Jimin? — Perguntou soltando uma risadinha. Talvez no começo fosse absurdamente pior para Jeongguk pensar que havia beijado um garoto, mas agora nem parecia tão enojado mais por saber que havia beijado mais de um.

— Esse mesmo… Ele perguntou de você, quer te ver, acho que todos querem bastante pra falar a verdade… — Comentou rouco, apagando o fogo e rumando em direção ao outro banco, sentando-se um pouco próximo de Jeongguk, apoiando seu próprio cotovelo no balcão.

— Mas posso ver somente um por vez?

— Claro que sim, mas acho que temos que fazer minuciosamente essa lista — soltou uma pequena risada e Jeongguk concentrou-se na voz grave e nas dobrinhas da barriga que Taehyung tinha ao sentar sem uma postura correta. — Alguém deve ficar chateado por ser o último da lista já que todos realmente se importam muito com você.

— Eu imagino — comentou baixinho, olhando para baixo por alguns segundos.

— Posso te fazer uma pergunta? — Taehyung perguntou rouco, cerrando os olhos ao observar as expressões que o garoto fazia.

— Claro.

— Você está tentando fazer dar certo entre nós?

— Que? — Soltou na mesma hora, todo confuso.

— Não, não me leve a mal — levantou as duas mãos rapidamente — é que você voltou cinco anos atrás, quer dizer, sua mente está em cinco anos atrás, e você naquele tempo era desagradável, e depois que você acordou do coma, você realmente ficou assim no começo… Mas agora, — coçou a nuca suavemente, — não sei, você parece muito receptivo a mim, a estarmos assim, juntos, se parece mais com o meu Jeongguk.

O moreno abaixou a cabeça, deixando que seus olhos redondinhos ficassem focados no chão limpo da cozinha.

E quando soltou uma fungada, Taehyung sabia que ele estava chorando.

O Kim se arrependeu amargamente de ter puxado aquele assunto… Porque simplesmente não poderia deixar as coisas como estavam?

— Me descu-

— E-eu to tentando — Jeongguk começou a falar, baixinho, gaguejando um pouco — poxa, — passou as mãos nas bochechas cheias — eu ouvi tanto você dizer que eu era desagradável, horrível, que você me odiava-

— Hey, claro que não, — se colocou de pé — eu não vou pedir desculpa porque você era assim mesmo, mas não tem que se sentir culpado agora… Era o você de antes.

— Mas o eu de agora sou o eu de antes!

Levantou o rosto para encará-lo, os olhos cheios de lágrimas.

— E-eu to tentando, eu não quero ser desagradável com você que está me ajudando, que parece realmente se importar e querer me ajudar, então eu não quero chatear ou ser horrível pra você — foi falando enquanto soluçava um pouco, vendo Taehyung se aproximar um pouquinho mais — mas é difícil também, eu estou confuso e muito sufocado, saber que estou casado, acordar sabendo que tenho um relacionamento com um homem, é muito estranho, e então ao longo do dia eu rio com você, eu descubro as coisas e gosto de ouvir você falar sobre coisas que você sabe que eu gosto, mas então, quando eu vou dormir, eu, eu… — Mordeu o lábio inferior, — eu fico querendo estar em casa, longe daqui, que isso tudo jamais tenha acontecido.

Taehyung recuou um passo, uma fina lágrima escorrendo por sua bochecha amorenada.

— Está sendo difícil pra mim, m-mas eu to tentando, Taehyung — respirou fundo — e-eu to realmente tentando não ser desagradável com você, me esforçando pra essa situação não ficar pior comigo te tratando mal ou sendo muito indiferente, rude. Porque não quero que a gente não se machuque mais nisso tudo.

Taehyung mostrou um pequeno sorriso, pegou uma das mãos dele, a envolveu entre as suas e a beijou suavemente.

— Obrigado, — disse sincero, — obrigado por estar tentando, Jeongguk.

O moreno balançou a cabeça positivamente.

Os dois voltaram a passar as mãos pelos próprios rostos, limpando os fracos resquícios de lágrimas que haviam estado ali. Taehyung se afastou completamente para servir um copo de água para os dois, que beberam e continuaram em silêncio por mais alguns minutos.

— Sabe… — Taehyung começou a falar de repente — teve um dia, antes da gente se envolver, que eu te vi na rua, te vi pela minha janela, você estava sentado no meio fio, era noite, a rua cheia de neve, e você lá, com um casaco gigante, sentado, e você parecia estar chorando… Eu quis descer e perguntar o que aconteceu, mas naquele dia você tinha me dito coisas ruins demais, e então eu só torci para que você pegasse um resfriado — soltou uma pequena risada e Jeongguk riu também.

— Que ruim…

— Eu estava com muito rancor — se justificou ainda em tom de humor — mas os meses passaram, a gente se envolveu e eu nunca perguntei porque estava daquele jeito, nunca soube porque parecia tão triste naquele meio fio… — Respirou fundo — e talvez eu realmente nunca saiba.

— Talvez eu estivesse daquele jeito por ter falado essas coisas ruins para você…

Taehyung o olhou bem nos olhos.

— Talvez eu tenha me arrependido — mostrou um pequeno sorriso doce, sem deixar que seus dentes aparecessem — talvez eu estivesse me sentindo muito mal e achei que deveria pegar um resfriado.

Os dois começaram a rir, Taehyung passou a mão no rosto enquanto sorria, voltando a manter a postura toda torta e as gordurinhas ficaram em evidência novamente.

— Como foi quando você me beijou? — Perguntou fazendo com que o Kim mudasse rapidamente de expressão — no começo eu parecia gostar?

— Foi o que eu te falei, você parecia sofrer, Jeongguk, — foi sincero, — você chorava e parecia sofrer por estar se entregando a um cara, estava muito confuso.

— Mas como foi pra você? Na hora do beijo eu parecia gostar? Mesmo que depois eu chorasse?