Memórias Omitidas C.4


Olá!!

Voltei com mais um capítulo fresquinho... Pois é, as atualizações andam demorando mais, porém espero que saibam que é porque eu ando bem ocupada, dividindo meu tempo em várias coisas.

Ainda assim, muito obrigada mesmo por todo o apoio!!! Espero demais que gostem do capítulo e que deixem um votinho e um comentário com sua teoria de que empurrou nosso neném Guk...

Obrigada por tudo <3


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— Pronto, aqui — Taehyung entregou um copo d‘água para Jeongguk que estava sentado melhor em cima da cama, um dos travesseiros em suas costas e as pernas um pouco esticadas.

Jeongguk tomou quase tudo em um gole só, vendo quando o Kim levantou parte da manta que cobria as pernas do bonito Jeon, pegando um dos pés dele suavemente, começando a fazer uma massagem bem suave em seu pé bonito que sempre foi fofo com dedinhos bem redondinhos.

Logo um relaxamento gostoso se apossou de seu corpo e seus ombros pareceram menos tensos, o que era ótimo, quase perfeito. Adorava receber massagens.

— Quando quiser me contar do que se lembrou, eu vou estar aqui — falou rouco, olhando-o nos olhos, o que somente deixava Jeongguk mais envergonhado ainda devido ao sonho que havia tido… O sonho, ou uma lembrança, algo que mexeu consigo, que foi forte, que foi assustador porque sentiu-se bem naquela visão, pareceu estar se sentindo maravilhosamente bem naquele momento que compartilhou com Taehyung.

E aquilo era muito assustador.

Era algo tão íntimo, tão próximo… Jamais imaginou que viveria isso com um homem.

E por ver na lembrança que Taehyung estava por cima, que ele quem estava penetrando… Aquilo o deixava com mais vergonha ainda porque em sua lembrança sua bunda ainda era totalmente virgem.

— Po-porque está fazendo isso?

— O que? — Perguntou com um semblante confuso, tombando levemente a cabeça para o lado, olhando bem atentamente para os olhinhos tão lindos de Jeongguk. As duas jabuticabinhas doces que sempre lhe encantaram.

— Isso… — olhou para baixo suavemente, apontando para a massagem que estava recebendo — me fazendo massagem.

Taehyung parou na mesma hora, afsatando suas mãos.

— É que — falou baixinho — você sempre relaxava com massagens e eu adoro demais cuidar de você, pode fazer você se sentir bem… Sempre ajudava...

Jeongguk corou.

— Mas se você não quiser, eu não vou te tocar — Taehyung esclareceu rapidamente, olhando em seus olhos, prestando atenção em qualquer expressão desconfortável que Jeongguk pudesse fazer devido a sua ação feita de forma impensada.

Taehyung somente agiu por impulso. Como se seu corpo — que já estava bem acostumado em fazer massagens em Jeongguk quando o via mal — já tivesse sido programado para realizar aquilo.

— Está tudo bem — Jeongguk respondeu baixinho, colocando o copo já vazio na cômoda ao lado da cama — eu estava gostando — comentou suavemente, desviando o olhar por alguns segundos, e então voltando a encarar o Kim, corando no mesmo segundo porque se lembrou da visão que teve…

Quase cobriu o rosto.

Estava tão envergonhado…

E Taehyung percebeu, por isso continuou não o tocando, crendo que foram suas ações que o haviam deixado daquele jeito.

— Você prefere voltar a dormir, ou — engoliu em seco, mordendo suavemente o lábio inferior — me contar do que pode ter se lembrado…

Jeongguk respirou fundo, jurando que estava sentindo o próprio coração batendo cada vez mais acelerado.

— Eu lembrei da gente — soltou de uma vez só, quase provocando uma parada cardíaca em Taehyung que triplicou o tamanho de seus olhos bonitos, deixando que sua boca ficasse aberta e seu corpo ficasse imóvel por alguns segundos enquanto não desgrudava do rostinho lindo e bastante envergonhado de Jeongguk.

— Ju-jura? — Perguntou já choroso, lágrimas se formando em seus olhos conforme continuava olhando Jeongguk, se arrepiando e emocionando com a possibilidade do marido realmente ter se lembrado de algo relacionado aos dois.

Jeongguk corou ainda mais e ficou com mais vergonha ainda. Cobriu parte do rosto.

— Céus, assim eu fico com mais vergonha — soltou quase choroso também, melancólico enquanto mordia com bastante força o próprio lábio.

Taehyung franziu um pouquinho o cenho.

— É uma lembrança ruim? — Perguntou preocupado — estávamos brigando?

Se recordou rapidamente das brigas que tiveram, o que não haviam sido muitas… Mas Jeongguk poderia ter se lembrado de algo ruim que o próprio Taehyung poderia ter falado para Jeongguk, mas tudo que poderia ser considerado ruim foi dito antes dos dois se envolverem romanticamente.

Tudo quando Jeongguk ainda tinha vários preconceitos fixados em sua mente, quando os dois discutiam por conta daquilo…

E Taehyung se preocupou com o fato de ser uma lembrança daqueles momentos mais desagradáveis.

— N-não — Jeongguk respondeu com as bochechas coradas, começando a encarar as próprias pernas parcialmente cobertas — estávamos… Sabe — corou mais, querendo esconder o próprio rosto — estávamos dormindo juntos.

— Dormindo? — Taehyung não entendeu, como Jeongguk poderia se lembrar dos dois dormindo juntos? Só se… — Ah — arregalou um pouquinho os olhos.

Jeongguk fechou os olhos.

— É… Estávamos juntos — respirou fundo — muito juntos…

— Pior que eu nem sei qual dia pode ser realmente — Taehyung comentou com um pequeno sorriso no rosto, as bochechas amorenadas também ficando um pouco coradas.

Jeongguk também corou.

— Mas tudo bem, ao menos se lembrou de um momento nosso, estou muito feliz, Jeongguk, muito feliz de verdade mesmo — Taehyung aumentou ainda mais o sorriso, não conseguindo se conter por saber daquilo, sentindo tanta animação e empolgação por saber que sim, era possível que Jeongguk recuperasse as memórias.

Recuperasse todos os momentos que tiveram juntos, cada toque, beijo e declaração… Jeongguk voltaria a ser a doce e maravilhosa pessoa que tinha em seus braços todas as noites, que ajudava os outros, que era amigo para com todos…

— Também estou feliz por estar lembrando de algo — comentou baixinho, as bochechas ficando coradinhas.

Taehyung quis apertá-las.

— Espero que possa se lembrar de mais coisas o quanto antes — o Kim continuou comentando, levantando-se da cama sem conseguir parar de sorrir. — Bom, você vai querer dormir agora?

— Não sei se vou conseguir — comentou baixinho, encolhendo-se um pouquinho mais em cima da cama, — acho que perdi o sono.

— Ah — o olhou com um pouco de tristeza… Lembrando-se no mesmo segundo de quando Jeongguk ficava sem sono e Taehyung logo fazia um chocolate quente, deitando o garoto em seu peito, cantando uma música baixinho até que sono voltasse. — Quer que eu fique aqui até dormir?

— Pode contar histórias do que eu comia, ou coisas não tão recentes que eu fazia? — Pediu quase choroso, e Taehyung percebeu as entrelinhas daquele pedido, percebeu que Jeongguk não queria saber como todos consideravam ser um garoto incrível.

Não queria saber tão bruscamente que mudou e que fazia coisas que jamais pensou que faria.

Jeongguk só queria se lembrar e saber do que comia, de lugares que pode ter ido, coisas que não gritavam que todos amavam “o novo” Jeongguk que ele havia se tornado.

— Claro, tenho várias — sorriu e apagou a luz, caminhando até a cama, indo para o local onde dormia e Jeongguk chegou um pouquinho para o lado, vendo o Kim se sentar com as costas apoiadas na cabeceira, cobrindo as pernas com os lençóis enquanto observava seu lindo garoto todo encolhidinho ao seu lado.

Respirou fundo.

— Bom, teve uma vez que você teve que ir ao hospital, — contou baixinho, rouco, observando os olhinhos redondos ficando arregalados — você e o Yoongi. O Yoongi é um amigo nosso que estava aqui hoje… Naquele dia vocês pediram comida indiana, só que eu acho que o restaurante que vocês pediram era péssimo, porque vocês já tinham pedido aquela mesma comida algumas vezes… Só que nesse novo restaurante, vocês passaram mal e eu tive que os levar ao hospital.

— Nossa, — sussurrou baixinho — se pediamos sempre no mesmo lugar, porque mudamos?

— Porque naquele dia ele estava fechado e vocês estavam com muita vontade de comer Curry Kissed Salmon — comentou o nome estrangeiro de forma fofa — minha suspeita é que o salmão não estava nem um pouco fresco, ou que o curry estava estragado…

— Nossa — Jeongguk comentou com uma risadinha — mas ficamos bem?

— Ficaram sim, contavam direto essa história — revirou os olhos — e também teve uma vez em que você cismou demais que queria pescar, quase caiu do barco porque um peixe grande mordeu a isca…

Jeongguk soltou uma risada gostosa, quase desacreditado.

— Mentira — suspeitou.

— Não, é sério, eu juro! — Taehyung se defendeu rapidamente — eu juro que tem fotos suas pescando com o Namjoon e o Jimin naquele dia, eu não fui, tive que trabalhar — sussurrou ainda com arrependimento com o fato de realmente não ter ido — eu vou procurar essas fotos amanhã pra te mostrar — falou com certeza — naquele dia o Jimin chegou a cair do barco, mas você foi segurado, acho que aprenderam a ficar atentos em cima do barquinho em que estavam — soltou uma pequena risada e Jeongguk riu também.

Tentava imaginar um momento como aquele, uma vivência sua que colocava os dois rapazes que estavam no seu quarto de hospital quando acordou, os três pescando em um barco, rindo, se divertindo… Era um pouco difícil. Jeongguk nunca teve vontade de pescar, mas não era algo que considerava impossível de acontecer.

E imaginar se divertindo naquele momento parecia bom demais, realmente uma lembrança que seria feliz.

— Pelo menos conseguimos pegar alguma coisa nesse dia? — Jeongguk perguntou mais sonolento, quase nada, mas Taehyung já percebia surgindo ali.

— Sim, vocês pegaram sim, foi nosso almoço no dia seguinte — mostrou um sorriso bonito e continuou falando — você cozinhou com o Jimin e o Namjoon, ficou muito bom — comentou baixinho, mais rouco — nesse dia você e o Jimin se beijaram.

Jeongguk arregalou os olhos.

— Sério? Mas e você? — Perguntou surpreso, desconcertado, tentando imaginar que contexto aquilo poderia ter acontecido.

— Bom, eu não senti ciúme se é isso que você quer saber — explicou mais baixinho, o olhando por alguns segundos, mostrando um pequeno sorriso ladino nos lábios mais fartos — é que naquele dia vocês tentaram loucamente convencer o Namjoon a comer os olhos de um dos peixes, disseram que se ele comesse, vocês iriam fazer o que ele queria.

Jeongguk sorriu ainda um pouco desacreditado.

— Meu Deus… — Sussurrou baixinho — e ele disse para a gente se beijar?

— Sim — Taehyung respondeu soltando uma risadinha — e antes que me pergunte, rolou um pouquinho de língua sim, mas não foi algo que abalou a amizade de vocês dois.

— Nossa…

— Bom, também teve muitas coisas, como os gatos que já quis adotar… Seus pais já pegaram a gente transando uma vez — comentou sorridente e Jeongguk arregalou um pouco seus olhos —, você sabia tocar violino com o Jin em algumas praças…

— Jin?

— Sim, Seokjin, ele estava aqui hoje também, vocês eram amigos.

— Muito amigos?

— Acho que sim, mas brigavam algumas vezes — comentou rouco — você fazia muitas coisas, então algumas vezes não tinha tempo pra ir tocar com ele…

— Ah sim — resmungou ainda mais sonolento — e essa menina? Que estava até mesmo lá como eu acordei. Sou realmente próximo dela?

— Ah, a Jihyo… Bom, ela é sua melhor amiga, você a chamava de confessionário particular — comentou mais calmamente — vocês faziam muitas coisas juntos, e quando você percebeu que estava gostando de mim, ela te ajudou, te ajudou a te entender o que sentia, e a se confessar pra mim…

— Como foi? — Perguntou ainda se sentindo um pouco enjoado com aquilo, por pensar em ter relações com Taehyung, com outro homem… Era muito diferente, muito estranho.

Taehyung se ajeitou um pouquinho mais na cama, deitando-se um pouquinho mais.

— Você me mandou mensagem perguntando se poderia vir ao meu apartamento… Mas depois pediu desculpa dizendo que não poderia mais ir… Um tempo depois disse que ia tentar se confessar nesse dia, mas desistiu.

— Você morava onde?

— Eu morava aqui, você morava um andar acima… E então depois que a gente se casou você passou a morar aqui também, na nossa casa — respondeu baixinho, olhando-o diretamente nos olhos, as duas orbes redondinhas, bem lindas — você se mudou e eu já morava aqui, você conheceu primeiro o Yoongi e a Jihyo, logo depois o Yoongi te apresentou ao Namjoon, e então ele me apresentou a você.

— Já sei que não foi paixão à primeira vista — comentou bem baixinho, os olhos também cravados nos do Kim.

— Você era cheio de preconceitos, eu assumidamente bissexual, e você vivia dizendo que era confusão, e coisas assim sobre mim — revirou os olhos — e a gente brigava direto, muito, os meus amigos também te conheceram, e eles também não gostavam muito de você, mas também diziam que você parecia legal, que só era confuso e precisava entender as coisas.

— Nosso primeiro beijo?

— No seu antigo quarto, você estava meio bêbado, e a gente se beijou quando eu fui colocar na cama depois que estávamos na casa da Jihyo bebendo demais… — Soltou um pouco envergonhado.

— E então passamos a nos gostar?

— Não — Taehyung foi sincero, — você me xingou no outro dia falando que eu fui idiota de aceitar que você queria mesmo um beijo já que você era hetero e tudo mais, e eu já estava me sentindo péssimo demais, achando que tinha me aproveitado e coisas assim…

— Não deve ter se aproveitado.

— Você me convenceu disso um tempo depois — sussurrou ainda mais rouco — mas mesmo assim… Na hora me senti péssimo, ainda mais porque não nos gostávamos.

— E minha declaração?

— Essa foi no meu quarto… — Comentou com um pequeno sorriso e os olhos de Jeongguk ficaram ainda mais curiosos, deitando-se mais na cama, ficando mais pertinho de Jeongguk — eu estava dando uma festa… Tinha uma menina e, bom, a gente estava se curtindo na hora, e aí você me chamou pra cá, e confessou que estava com ciúme de mim com ela, e eu perguntei porque teria ciúme de mim, e aí você me beijou.

Jeongguk arregalou um pouquinho os olhos.

— Assim do nada?

— É… — Soltou uma risada pequena — foi do nada mesmo, e o beijo foi ótimo, mas você começou a chorar, e então eu te abracei — levou uma das mãos até os fios de cabelo dele, tirando alguns da frente de seus olhos — e você chorou, chorou e chorou por bastante tempo porque estava tão confuso, Jeongguk, se xingava e perguntava porque estava sentindo aquilo, porque não conseguia se entender…

— Nesse mesmo quarto? — Perguntou baixinho.

— Nesse mesmo quarto. Nessa mesma cama, eu te abracei e tentei entender, tentei ser compreensível com sua própria confusão… Você disse então que gostava de mim, que estava confuso por gostar de um rapaz também.

— E então?

— E então a gente dormiu, a gente dormiu junto, mas só dormimos mesmo… E na manhã seguinte a gente conversou, você continuava falando umas coisas tão toscas e eu te explicava, a gente conversava, limpamos a casa da festa, e a gente ficou junto o dia todo, foi bom, e depois de dias com a gente não se vendo mais, nós fomos nos tratando melhor, e nossos sentimentos foram se fortalecendo e se construindo com o tempo — sussurrou ainda mais rouco, se aproximando um pouco mais — e eu tenho muita esperança de que eu consiga ter seu coração um dia de novo.

Jeongguk já tinha lágrimas nos olhos e então se aproximou de Taehyung, o abraçando enquanto chorava baixinho.

— Me desculpa — sussurrou ainda mais choroso.

— Não tem que se desculpar — também sussurrou, — vai ficar tudo bem — foi o acariciando, de forma suave, deixando-o chorar enquanto se abraçavam — vai ficar tudo bem, Jeongguk…

Fechou os olhos.


[...]


Jeongguk já estava conseguindo andar um pouquinho melhor.

Não havia tido nenhum ferimento grave nas pernas, mas elas pareciam falhar quando caminhava, e por isso dali algumas horas iria para a fisioterapia.

Suspirou quando abriu a gaveta que Taehyung disse que continha mais roupas que eram suas. Mas eram roupas que não pareciam muito ser o seu estilo.

Mordeu o lábio inferior, pegando uma calça jeans simples e uma blusa preta de manga, o que acreditou ser melhor para vestir.

Jeongguk saiu do quarto usando um longo guarda chuva como apoio para ir caminhando em direção a sala, as pernas tremendo um pouquinho, mas ainda assim conseguindo chegar ao sofá e logo ir se sentando nele, mirando seus olhos na visão de um Taehyung somente com short folgado, sem blusa, o corpo a mostra, o cabelo preto bagunçado e levemente úmidos pelo banho recente que havia tomado.

Também conseguiu ver que a tatuagem em sua coxa estava à mostra. Uma tatuagem curiosa que Jeongguk ainda não tinha muita coragem para perguntar o que ela significava.

— Essa camisa é minha — Taehyung comentou divertido enquanto levava uma tigela de cereais até Jeongguk — não, você não precisa tirar — falou rapidamente assim que o garoto fez menção de que iria para o quarto tirar aquela peça de roupa — aqui — entregou a tigela — pode comer, você tem que comer antes de sair.

Sentou-se ao seu lado no sofá, e depois pareceu se lembrar de algo, se levantando e indo novamente até a cozinha.

Voltou depois de alguns minutos, segurando uma maçã verde e uma caneca de café.

Tomou um gole e se sentou novamente ao lado de Jeongguk, dando uma mordida mediana na fruta que também segurava.

Jeongguk torceu um pouquinho o nariz devido ao cheiro daquela bebida que achava muito ruim. Segundos depois Taehyung soltou uma pequena risada.

— É, você detestava café — comentou, atraindo o olhar de Jeongguk que corou um pouco. — Detestava me beijar depois que eu tomava, mas depois se rendeu… E houve somente umas três ou quatro vezes que você preparou café para mim… — Taehyung comentou e Jeongguk ficou em silêncio por alguns segundos, pensando em como o outro parecia lhe conhecer perfeitamente bem, era um tanto quanto absurdo pra falar a verdade, qualquer mínima ação que o Jeon fizesse, lá estava Taehyung, interpretando de forma quase exata o que ele sentia e pensava.

— Eu detesto mesmo — comentou baixinho, dando uma colherada no cereal e mastigando enquanto via o Kim dar outra mordida na maçã bem suculenta.

Até mesmo deu vontade de Jeongguk comer uma maçã como aquela.

— Como sabia que eu gostava desse cereal? — Perguntou e logo se arrependeu. Era lógico que ele deveria saber, moravam juntos.

— Bom, você comia quase toda manhã, e me implorava pra comprar quando eu ia no mercado.

— Ah — soltou baixinho — você pode me mostrar onde o mercado fica?

— Claro, podemos passar lá depois da sua fisioterapia, o que acha? Eu te mostro o caminho, bom que mostro o caminho da drogaria também embora o telefone esteja grudado na geladeira e você pode pedir o que quiser.

— Como vou me sustentar?

— Você não tem que se preocupar com isso nesse momento, — comentou calmamente — eu trabalho, temos dinheiro e você só tem que se preocupar em lembrar das coisas e seguir com a vida no seu tempo.

— Minha mãe disse que você quem pagou todas as despesas do hospital… — Sussurrou abaixando um pouco a tigela, olhando para os cereais que haviam ali, boiando naquele leite com uma pitadinha de açúcar, assim como Taehyung aparentemente já sabia também.

— Claro que paguei, sou seu marido.

Jeongguk corou.

— Foi muito caro? — Perguntou baixinho.

— Nada que fez eu duvidar de que deveria pagar imediatamente para que você ficasse bem no final.

Jeongguk corou ainda mais.

— E se não ficarmos juntos? Você vai se arrepender?

— Nunca.

— Nunca mesmo? Porque podemos nos separar e você terá uma dívi-

— Nunca, Jeongguk… Fiz pra salvar sua vida, jamais vou me arrepender de ter feito isso.

— Mas vai me odiar? Tipo, se mesmo que eu lembre, eu não queria ter esse — engoliu em seco — esse casamento mais… — Seu coração estava tão pesado.

— Não vou, Jeongguk… — Virou-se mais de frente para o garoto — eu jamais vou odiar você por isso… Eu te odiava muito quando te conheci, mas porque você era preconceituoso, dizia coisas que ofendiam a minha sexualidade, que ofendiam a minha existência, minhas lutas e crenças… E então você se tornou alguém ótimo, alguém que me respeitava, que me amava e me permitia ser esse ser humano falho, e muito grudento — soltou uma pequena risada — você se dispôs a aprender as coisas, me entender, conhecer e se conhecer também… Nosso namoro começou quando você percebeu que me amava, que estava gostando de mim, e nosso casamento começou quando soubemos que queríamos ficar juntos para sempre… — Soltou um pequeno suspiro — se você acordar e perceber que realmente jamais vai voltar a me amar e não quer mais tentar ter nossa relação de volta, eu vou entender… Vou sofrer e chorar muito, vou sentir desesperadamente a sua falta, mas eu não vou morrer, eu vou respeitar você e vou respeitar que nossa relação chegou ao fim…

Jeongguk balançou a cabeça positivamente, mordendo o lábio inferior e então respirou fundo.

Voltou a ficar encarando seu cereal já mais amolecido. Os grãos não estavam mais tão crocantes.

— Você é bem legal, Taehyung… — Foi totalmente sincero, apontando aquilo porque era verdade, estava percebendo que era verdade pela forma como falava, como se portava, como pensava e como era paciente… Era um rapaz legal. Jeongguk não poderia duvidar em momento algum.

— Que bom que acha isso — levantou ainda mantendo um sorriso no rosto, indo até a cozinha novamente, dando mais uma golada na bebida. Taehyung ficou olhando suas costas, seus ombros largos, seus braços bem definidos.

Bonito demais. Curvas bonitas, um corpo que realmente poderia atrair muitas pessoas.

— Você dizia que eu tinha uma cabeça muito grande pro meu corpo — Taehyung comentou risonho, se lembrando das ofensas que se tornaram grandes absurdos com o passar do tempo — também dizia que eu só dizia ser bi para chamar atenção. Tentar bancar o diferente.

Jeongguk corou de vergonha.

— Me desculpa — pediu rapidamente.

— Não acha que eu tenho uma cabeça grande? — Taehyung perguntou e Jeongguk logo balançou sua cabeça negativamente, os lábios formando um biquinho bonitinho naquela boca rosinha — não precisa pedir desculpa, você já pediu muitas vezes quando assumiu o que sentia, e depois quando percebeu quão bestinha tinha sido.

— Eu demorei muito? — Perguntou baixinho — pra tipo, falar que sou bissexual?

— Bom, você se mudou pra cá, tem o que? Uns cinco anos… Nos primeiros quatro meses era só ódio e repulsa por sua parte, mas acho que no quinto e sexto mês foi quando a gente se beijou com você bêbado, ficamos sem nos falar por algumas semanas e então na festa você se declarou… Não voltamos a ficar, mas a nos conhecer… No oitavo, nono mês mais ou menos a gente ficou novamente, e fomos indo ficando escondido, quando formou um ano da sua mudança a gente começou a namorar e contamos pro pessoal, mas você ainda se dizia confuso… Com um ano e meio de mudança você sussurrou que se achava bi, semanas depois realmente se assumiu… Com três anos de mudança a gente se casou — soltou uma risadinha — nós fomos bem rápidos, só dois anos e alguns meses juntos, e já estávamos casando, nossos amigos nos chamavam de “emocionados” e ainda assim não nos importamos, a gente se casou e éramos bem felizes.

— Brigávamos com alguma frequência?

— Sem querer taxar nosso namoro como perfeito, mas era bem raro haver uma briga mesmo, pequenas discussões por opiniões diferentes, mas tudo suave — Taehyung comentou risonho — todas as brigas foram esgotadas quando nos conhecemos…

— Então demorei quatro meses pra te dar um beijo?

Taehyung coçou a nuca.

— Acha que vai demorar esse mesmo tempo para voltar a me beijar? — Levantou uma das sobrancelhas. Sendo ousado demais.

— Aish! — Corou — não estou falando disso… É que se eu sentia tanta repulsa assim, foi meio rápido, não sei...

— Você descobriu há dois dias que é casado com alguém que jamais viu e estamos aqui, conversando, dormimos juntos ontem porque você confiou em mim — abriu um sorriso bem largo e bonito — acho que tenho esse poder sobre você, não?

Jeongguk ficou corado novamente, não conseguindo conter a pequena risadinha que saiu baixinha pelos seus lábios.

Aparentemente Taehyung também tinha aquele poder.

— Talvez tenha mesmo… — Foi cutucando o cereal de sua tigela — mas acho que foi rápido pra você também, já se envolver com alguém que te ofendia tanto assim.

O Kim cerrou os olhos, mostrando um bonito sorriso divertido nos lábios.

— Verdade, nosso coração é bem burro.

— Fale por você, o meu é esperto.

— Ah é? — Taehyung levantou novamente as sobrancelhas — posso saber o porquê?

— Bom, acho que o meu coração deve ser né, — deu os ombros levemente — você é alguém bem legal que parece realmente se importar comigo.

Taehyung estava com o olhar apaixonado.

O mesmo olhar apaixonado direcionado a si naquela foto que viu no dia anterior… Sentia-se envergonhado demais.

— Terminei aqui — tentou mudar de assunto rapidamente, levantando-se com um pouco de esforço para entregar a tigela.

— Você deu três colheradas, não terminou nada — pegou a tigela das mãos do rapaz anos mais novo — isso está cheio ainda, senta aí no banco do balcão que vou preparar outro pra você, esse está todo mole.

Jeongguk sentou, observando o corpo de Taehyung trabalhando.

Ele exalava bastante virilidade ao mesmo tempo que parecia super gentil. O corpo dele era bonito, a barriga, os traços, a cor da pele… Os braços cheios de pelinhos enquanto despejava o leite em outra tigela, a mão grande segurando a garrafa, o peitoral a frente, a bunda que se destacava no short folgadinho assim que ele virou-se de costas.

Era errado e muito rápido já o achar bem bonito?

— Aqui — deu a nova tigela para Jeongguk — come tudo dessa vez. — Caminhou em direção a geladeira para guardar o leite e então pegar alguns potes — já vou preparar o almoço e deixar pronto, eu vou te levar lá pra fisioterapia, enquanto você está lá eu vou ir trabalhar um pouco, e quando terminar, me liga que eu te busco… Seus pais vão vir aqui antes de voltarem pro Japão, aí só esquentar a comida pra gente comer.

— Você cozinha?

— Cozinho sim — pegou uma das panelas, colocando em cima do fogão, mas sem acender o fogo de fato — e você sempre gostou de tudo que eu já preparei.

— Você pode fazer algo com frutos do mar pra gente comer? — Perguntou mais baixinho, fazendo com que o Kim se virasse para ele no mesmo segundo, olhando em seus olhos com um pequeno sorriso, exalando bastante confiança.

Taehyung caminhou até o freezer, tirando dois saquinhos de algumas coisas que estava congelada.

— Eu vou fazer lagosta ensopada com camarão então, você gostava — sorriu já tirando a lagosta do saquinho, colocando em prato e levando ao microondas para descongelar um pouco. — Vou picar uma pimentinha, cebola, alho poró e creme de leite…

A barriga de Jeongguk já roncou e sua boca salivou no mesmo instante somente por imaginar aquilo.

— Obrigado… — Agradeceu, realmente grato por aquilo.

— Tudo por você, neném — Taehyung piscou e então apontou para o cereal no mesmo segundo — e come tudo logo!

Jeongguk realmente voltou a comer, não conseguindo tirar um pequeno sorrisinho do rosto.



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