Memórias Omitidas C.2



Oiiii

Tudo bem? Voltei rápido? Pois é, alguns leitores me empolgaram tanto com as teorias que eu acabei escrevendo esse capítulo em uma noite só kkkkkkkk então aqui está ele!!!

Espero MUITO que gostem, não se esqueçam de votar no coraçãozinho ali no final e deixar um comentários bacana me mostrando suas teorias hihi

Obrigada mesmo <33333


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2 Anos Atrás.

2 de Setembro.


Jeongguk desligou a cafeteira bonitinha que tinham comprado a alguns meses atrás, saiu da cozinha do apartamento e então rumou em direção ao quarto que lhe pertencia.

Passou pelos diversos jornais espalhados pelo chão, passou pelos dois violinos que tinha repousados em cima do sofá, passou pelos dois pacotes de ração que tinha comprado para dar de presente no abrigo que iria naquela tarde, passou pela maleta de Taehyung, passou pelas sacolas com suas peças de roupa, passou pelas tintas, linhas, pelas lindas sacolas personalizadas onde entregava as peças feitas por si mesmo.

Passou por muito trabalho e tempo gasto que ele e o próprio marido aplicavam em coisas que amavam, e abriu a porta de correr do quarto que dividiam, viu a escuridão que estava ali dentro devido as cortinas fechadas que escondiam o sol, o ar frio que saia do ar condicionado, algumas roupas espalhadas pelo chão.

Jeongguk estava somente com uma blusa social toda aberta, uma cueca preta e um par de meias cinzas que ia até acima de seus tornozelos.

Deixou a porta aberta e correu para a cortina, abrindo-as e deixando que os raios do sol entrassem no cômodo, fazendo com que logo atingissem o rosto de Taehyung que resmungou bem insatisfeito, remexendo-se na cama.

Estava por cima do edredom, mesmo com o clima frio Taehyung não parecia senti-lo, somente uma parte da manta que também usavam cobria suas pernas.

Jeongguk riu apaixonado.

Caminhou até a cama, pulando no colchão, e segundos depois colocou uma perna de cada lado de Taehyung que ainda mantinha os olhos fechados, mas já levava as próprias mãos até as coxas expostas do marido como se fosse uma obrigação sua fazer aquilo sempre que o outro estava perto.

Jeongguk se esticou um pouco, pegando a câmera que haviam comprado juntos e estava na pequena cômoda de cabeceira, começando a tirar diversas fotos de Taehyung dormindo, sorrindo com a visão preguiçosa do moreno.

— Está na hora de acordar já — resmungou batendo mais uma foto, vendo o momento em que Taehyung abriu os olhos, sorrindo quadrado para si no segundo em que lhe encarou.

Bateu mais uma foto, e outra, e mais uma.

Deixou a câmera de lado, espalmando as duas mãos no peito amorenado, subindo e descendo pelos ralos pelos que ele tinha no peito levemente definido até o umbigo, onde os pelos tinham um pouco mais de volume, descendo mais e mais, formando uma linha atraente que levava até o membro do Kim.

Jeongguk achava-o sensual demais.

— O que aconteceu pra estar feliz assim, hun? — Taehyung perguntou preguiçoso, rouco, a voz ficando bem mais grave, apertando um pouco as duas coxas macias.

Jeongguk se inclinou para beijar a ponta do nariz dele, mas uma das mãos que estavam em sua coxa logo foi para sua nuca, lhe segurando para que não se afastassem e compartilhassem um beijo bem preguiçoso de bom dia.

E foi isso o que fizeram, moveram suas línguas suavemente uma sobre a outra, lentamente, se enroscando deliciosamente, os dois arfando bem baixinho, os olhos fechados enquanto apreciavam todo aquele maravilhoso contato bem pela manhã, como se fosse uma ótima forma de começarem seu dia.

— E precisa acontecer algo? — Jeongguk perguntou depois de alguns segundos, ainda mantendo seus próprios lábios colados com o do mais velho.

Taehyung era três anos mais velho, era maduro, responsável, divertido e fazia Jeongguk transbordar, de todos os sentimentos, ele ficava feliz, apaixonado, quente, ia ao limite com tudo que envolvia aquele que estava abaixo de si… Taehyung chegou em sua vida de repente, lhe puxando para fora do armário e fazendo-o ter coragem de viver uma vida maravilhosa, como sempre desejou secretamente.

Era um homem educado, gentil demais, prestativo, másculo, com uma pegada que derretia o outro completamente… Jeongguk se via sempre perdido quando ele estava perto, suas pernas bambas e o coração quente.

Continuou passando as mãos pelo peitoral dele, deslizando a ponta dos dedos pelos mamilo, sentindo os pelinhos ali, sentindo a costela, o tronco firme, um pouquinho gelado devido ao clima do ar, a carne macia.

— Não sei, precisa?

Jeongguk soltou uma risada, mordendo e puxando um pouco o lábio inferior dele, soltando e indo morder seu queixo, os pelinhos crescendo ali também...

— Bom, o sexo ontem foi uma delícia, eu dormi bem, acordei sabendo que tenho vários pedidos no meu site e uma mensagem da diretora do abrigo Ming me falando que três cachorros com mais de cinco anos foram adotados — mordeu o queixo alheio novamente — tenho muito motivo para estar feliz.

Taehyung sorriu também, pegando uma das mechas de Jeongguk e colocando atrás da orelha, o cabelo azul estava começando a desbotar, e Taehyung ainda nem tinha se acostumado com aquele tom no garoto. Ele chegou em casa daquele jeito tão repentinamente semanas atrás, foi uma surpresa.

— Sim, são muitos motivos para estar feliz — beijou os lábios pequenos, fazendo força para se sentar também, abraçando o corpo de Jeongguk com os dois braços, contornando-o com força, puxando-o completamente para si, o cheiro do hidratante que ele passava antes de dormir ainda era bem presente.

Voltaram a se beijar mais um pouquinho, os olhos sempre ficando pesados durante aqueles momentos, os dois corpos se encaixando quase que perfeitamente. Era maravilhoso, Jeongguk empinava somente um pouco o quadril, e Taehyung já sabia que deveria aprofundar ainda mais o beijo, que deveria levar uma de suas mãos até a bundinha bonita, apertando-a um pouco somente, e depois contornando os braços ao redor daquele corpo com menos melanina.

Tudo pra Jeongguk suspirar e tremer um pouquinho.

— Eu sei, por isso estou — selou a boca de Taehyung outra vez, um, dois, três, quatro selinhos enquanto sentia os braços alheios se apertando ao seu redor, como se estivessem lhe tomando possessivamente — agora vem, eu fiz seu café já.

— Você odeia mexer com café — Taehyung resmungou soltando o corpo alheio, o vendo sair de cima de si e ir se levantando da cama também, caminhando até o controle do ar, desligando-o.

— Pois é, mas pra você ver como estou feliz, eu até fiz um delicioso café pra você beber e ficar com aquele bafo ruinzinho — falou todo doce, o sorriso não abandonando seu rosto.

— Besta, você nem se importa com isso… — Revirou os olhos e Jeongguk sorriu travesso, mostrando a língua.

Taehyung também se levantou.

Estava somente com um short bem folgado que chegava somente até acima de suas coxas cheias, cujo uma delas continha uma tatuagem de um dedo médio.

Foram em direção a cozinha, Taehyung abraçando Jeongguk por trás, o apertando com força, afundando seu rosto naquele pescoço cheirosinho demais, ouvindo-o arfar e se arrepiar por todo o caminho.

— Estava pensando em hoje a gente jantar fora, o que você acha? — Jeongguk falou baixinho, abrindo o armário quando Taehyung se afastou para se sentar no balcão da cozinha, as pernas abertas, o short subindo um pouco, cobrindo só as nádegas e seu membro desacordado.

Jeongguk pegou a caneca do marido, encheu de café com aquele cheiro horrível, colocou duas colheres de açúcar e entregou para Taehyung que agradeceu com um sorriso bonito e uma piscadinha safada.

Foi até o pote de biscoitos caseiros que tinha feito e pegou alguns, voltando até Taehyung para se colocar de pé entre as pernas abertas dele, beijando um dos peitos, dando dois selinhos antes de morder o biscoito.

Estava preguiçoso também, e sempre ficava mais carente pela manhã, gostando de ficar compartilhando aqueles tipos de beijinhos, aqueles carinhos, ficar somente juntinho do Kim antes de terem que sair para cumprirem com suas obrigações.

— Jantar onde?

Jeongguk fez biquinho.

— Não sei, você podia me surpreender — comentou com um resmungo e Taehyung soltou uma risada.

— Te surpreender? Mas você que veio com esse assunto de jantar fora, Jeongguk — tomou uma golada do café — sem contar que é impossível esconder algo de você, todas as surpresas que eu planejei pra gente você descobriu.

— Mesmo assim, — levou um dos dedos até o mamilo alheio, marronzinho, o acariciando devagar, subindo um pouquinho, deslizando para o lado, sentindo os pelinhos, amava tanto arranhar aquela parte enquanto cavalgava. — Você podia ver um lugar legal.

— Gosta de comida indiana?

— Gosto de comida nacional.

— Aish — revirou os olhos — você é fresco demais — resmungou tomando outra golada — e ainda diz que quer ir pra Itália, vai morrer de fome lá.

— Claro que não, eu amo pizza.

Taehyung soltou uma risada rouca, terminando toda a bebida, colocando a caneca ao seu lado no balcão, roubando um dos biscoitos de Jeongguk depois de dar um beijinho no nariz dele. Sempre amava vê-lo mais manhoso pela manhã assim, apreciava demais viver todos os seus dias com ele.

— Não existe só pizza na Itália, Jeongguk.

— Mas eu posso só comer pizza na Itália — Sorriu arteiro e foi sendo afastado, somente para que Taehyung saísse do balcão, pulasse no chão e continuasse olhando incrédulo para Jeongguk — e não me olhe assim, você também amaria comer pizza todo dia, — levou a mão para a barriga um pouquinho avantajada de Taehyung — isso aqui não é só de cerveja não.

— Não?

— Não! É essas besteiras que você come também! — Retrucou fazendo biquinho antes de ser pego no colo, sendo posto de cabeça para baixo, Taehyung lhe segurando no ombro ao andar em direção ao quarto dos dois — TAEHYUNG! Meu Deus! Você está maluco!

Os dois começaram a rir alto.

— Estranho, porque eu ando só comendo você, amor — Taehyung provocou dando um tapa na bundinha bonita virada para o alto, e também recebendo alguns tapas nas costas, e aquela altura, Jeongguk já tinha soltado os biscoitos que estava segurando devido ao susto que tomou, deixando-os caídos no chão da cozinha.

Foi jogado na cama do quarto, olhando surpreso e já animado para o marido.

— Está dizendo que eu sou uma besteira?

— Isso é você quem diz, pelo o que eu saiba, só como coisas gostosas — brincou e foi subindo em cima do de fios azuis, vendo seus olhos lindos e redondinhos — e você é a maior delas.

— Sou? — Levou as mãos até a nuca do Kim, o apertando um pouco por debaixo do mullet, mordendo o lábio inferior alheio, abrindo as pernas para que Taehyung se encaixasse entre elas.

— Claro que é… E eu te quero de café da manhã hoje — falou ainda mais rouco, afundando o próprio rosto no pescoço de Jeongguk, começando a beijá-lo com vontade, um beijo pornográfico de língua sendo dado em seu pescoço, na epiderme bem sensível daquela região.

— Ah — contorceu-se um pouco, fechando os olhos e cravando as unhas nas costas do Kim — Tae, amor, não podemos demorar, t-temos coisa pra... Ah… — Contorceu-se mais, arqueando as costas quando uma das mãos de Taehyung entrou na cueca que Jeongguk usava. — Isso, isso…

Taehyung sorriu, começando a masturbá-lo com vontade, sentindo-o se tremer todo, os dois corpos começando a se enroscar mais ainda sobre aquela cama.

— O que estava dizendo sobre demora, hein amor? — O olhou nos olhos, sorrindo provocativo demais e Jeongguk estava prestes a desfalecer.

— Idiota — resmungou — vai logo — puxou o rosto do marido para perto, começando um beijo quente e quase desesperado.

[...]


Dois Anos Atrás.

10 de Setembro.

Jeongguk ajeitou as próprias botas militares pretas antes de sair da livraria, o cachecol amarelo vivo bem comprido fazia um contorno ao redor do seu pescoço e ainda assim as duas pontas quase chegavam ao chão.

Estava com uma calça jeans bem folgadinha, um gorro, cachecol, uma blusa de manga comprida branca, e uma jaqueta jeans bem surrada.

Segurava a bolsa com três livros novos e mais um saco de ração que tinha comprado. Terminou de ajeitar a bota e andou bem apressado por aquela rua, virando a esquina onde já viu Taehyung lhe esperando em cima da moto estacionada próxima de uma padaria.

Se aproximou dele e já foi colocando as bolsas em cima do colo do mais velho.

— Você nem vai acreditar em quem eu vi lá na livraria — comentou empolgado, selando rapidamente os lábios de Taehyung — a Jihyo! Ela fez algumas mechas verdes, meu deus você tem que ver, ela está linda — sorriu animado demais, pegando a carteira do bolso da própria calça — mas peraí que eu vou ali comprar pão e alguns doces porque hoje eu estou inspirado — falou todo acelerado, somente ganhando os olhos de Taehyung todo apaixonado, vendo o marido se afastar correndo levemente desajeitado até a padaria.

Entrou e foi logo na parte dos doces, apontando para vários com um sorriso todo empolgadinho, sorrindo para atendente antes de se debruçar sobre o balcão e começar a rir mais, engatando em uma conversa que sempre iria demorar…

Taehyung conhecia Jeongguk.

A mensagem de “estou saindo da livraria” era pura balela porque Taehyung teve que esperar quase quinze minutos ainda até que ele de fato saísse de lá, tudo porque deve ter encontrado a Jihyo e começaram a conversar, e era a mesma coisa naquela padaria, Jeongguk era doce, sociável e amável demais.

Ele conversava feliz com todos, mesmo que nem sempre tivesse sido assim, mas agora ele conversava sem medo de receber julgamento algum

Sem medo de ser criticado por estar usando cachecol mesmo que nem estivesse um real frio ali.

Jeongguk agora fazia e dizia o que pensava sem medo.

Nisso, ficou minutos ali, conversando, comprando doces porque certamente iria virar a noite costurando roupas e desenhando novos modelos... E então, ele saiu de lá, com mais bolsas ainda, subindo na garupa da moto ainda empolgadinho.

— Você sabia que o sobrenome daquela atendente ali também é Jeon? Ela é um amor, podíamos comprar nessa padaria mais vezes — comentou tentando se ajeitar com as bolsas que levava, colocando o capacete na cabeça.

— Tem outras três padarias perto de casa, e todas são mais próximas.

— Mas são esses empregados legais que sempre atraem clientes — resmungou, finalmente se ajeitando e abraçando o corpo bonito do marido vestindo com uma jaqueta de couro linda e uma blusa de manga azul mais aberta em seu peito.

— Bom, de todo jeito, pensei em jantarmos lá na minha irmã hoje, mas qualquer coisa vamos lá amanhã, porque hoje você deve querer trabalhar — Taehyung comentou começando a fazer o motor da moto roncar.

— Obrigado — agradeceu mesmo sabendo que não ia precisar. Estavam somente agindo com cumplicidade. — Deixa que eu ligo pra ela, me desculpo e remarco.

— Tudo bem — tirou o pé do chão, começando a pilotar o veículo.

[...]


2 Anos Atrás.

5 de Outubro.


Jeongguk estava perto da janela mais baixa da sala, sentado no chão enquanto observava o bonito bairro onde moravam.

Estava com uma taça de vinho vazia do lado, observando a chuva começar a cair.

Vestia um dos shorts folgados de Taehyung e um moletom escuro e bem antigo.

Derramou mais uma lágrima, fungando baixinho e começando a colocar mais vinho na taça.

— Beber vai mesmo ajudar? — A voz rouca de Taehyung perguntou baixo, aparecendo no meio da escuridão da casa, deveria ter saído do quarto e Jeongguk nem percebeu.

— Não sei, podia — resmungou e foi vendo o marido se aproximar, caminhando até si suavemente, usando um dos típicos shorts folgados e curtos que era a única coisa que usava para dormir sempre.

Deitou-se no chão, a cabeça em cima da coxa de Jeongguk, olhando-o debaixo, vendo o nariz redondinho ficando vermelho.

— Mas você sabe que não ajuda de verdade, amor — pegou a mão dele, a beijando suavemente, segurando os dedos alheios, tocando-os suavemente, não desgrudando-os da sua boca. — Sabe, quando eu briguei com meu melhor amigo, a gente ficou sem se falar mesmo, é normal.

— Mas tem duas semanas já que ela não fala comigo — derramou mais uma lágrima — eu sinto saudade dela.

— Então diz isso pra ela, manda uma mensagem e diz, se quiser, vai lá no andar dela, se quiser eu vou com você, te carrego se precisar, mas não quero mais ver você mal assim por estar brigado com ela — beijou mais uma vez os dedos dele, se levantando devagar, puxando o corpo bonito para mais perto, o abraçando suavemente.

— Poxa… Só queria que ela tivesse me contado antes, e não ter pego os dois transando do nada — resmungou ainda mais choroso, lembrando-se da cena que jamais esperou ver, ainda mais porque a melhor amiga jamais tinha lhe dito que estava gostando de alguém.

— Essas coisas acontecem — beijou a bochecha dele — lembra quando seus pais foram no seu primeiro apartamento cheio de balões de aniversário e pá, nos pegaram transando na cozinha?

Jeongguk soltou uma risada.

— Aquilo foi horrível — admitiu baixinho — e eles nem sabiam que você também gostava de um cara…

— Eu na verdade falava muito mal de você para eles, lembra? A gente se bicava um pouquinho naquele tempo.

— Você fazia era minha caveira, Jeongguk, eu soube de coisas terríveis que você dizia depois.

Jeongguk soltou outra risadinha.

— E depois do nada meus pais me vêm dando pra você — soltou com vergonha e ainda desacreditado, colocando o rosto no vão do pescoço amorenado do Kim.

— Sim, então… — Fez carinho nos fios de cabelo dele — as vezes ela só não estava pronta pra contar, se bobear nem sabia se ia levar a algum lugar e coisas assim, já te falei — o apertou ainda mais no braço, a lua parcialmente coberta por aquela chuva era a única testemunha e fonte de luz que os dois estavam recebendo — não fica triste, não perde tempo em reatarem essa amizade poxa, só vai lá, pede desculpa por ter sido bem grosso e dramático e pronto…

— Obrigado — agradeceu baixinho, se afundando mais naqueles braços, sentindo quando Taehyung já estava se arrumando para pegá-lo no colo, levá-lo até a cama e ficar o abraçando até que dormissem.

Taehyung era daquele tipo.

Maravilhoso com as palavras e com as ações. Ele sempre gostava de pegá-lo no colo, era como uma mania, um vício, e Jeongguk amava aqueles momentos.

E foi exatamente aquilo que aconteceu.

Foi colocado na cama com cuidado, foi coberto e abraçado enquanto continuavam a conversar, baixinho, sonolentos demais conforme os minutos iam passando e carinhos eram trocados entre os dois.

Taehyung puxou a coxa de Jeongguk para que ela ficasse em cima de seu corpo, como tanto adorava, e Jeongguk deitou melhor em seu peito, passando a mão pelo peitoral dele, subindo e descendo sua palma, fazendo os planos do que iriam fazer no dia seguinte no fim de semana, e isso incluía fazer as pazes com Jihyo, e Yoongi também…

— Obrigado por ser maravilhoso pra mim — sussurrou antes de adormecer completamente.

Taehyung sorriu, sentindo uma absurda satisfação por saber que estava sendo bom para Jeongguk.

— Só cumpro minhas obrigações como amor da sua vida...

Jeongguk sorriu e os dois dormiram.


Tempo Atual.


— Só estou fazendo minha obrigação como seu marido — Taehyung falou assim que recebeu um olhar confuso de Jeongguk por estar tirando o calçado dele depois de se tocar que Jeongguk, sentado na cadeira de rodas, ainda sentia um pouco de dor ao fazer aquilo.

Tirou o par e colocou no móvel de madeira que ficava na entrada junto com todos os outros sapatos dos convidados que estavam ali.

— Obrigado.

Taehyung não respondeu.

Ainda doía demais ver aquele olhar frio e sem amor, ainda doía não ter sido tocado em nenhum momento, só ter recebido palavras duras e cruéis.

Taehyung logo abraçou a irmã que estava ali, mas Jeongguk não sabia quem era a morena bonita que ele estava abraçando. Sabia somente que não era a mesma menina do hospital.

A outra garota em questão estava ali, parada em um canto ao lado de um rapaz baixinho e olhos pequenos, lhe olhando chorosa e parecendo segurar o próprio corpo para não correr e abraçar o garoto.

— Meu amor, venha cá — sua mãe lhe chamou, fazendo com que Jeongguk fosse logo até ela, que estava próxima de um casal de idosos

— Oi — respondeu baixinho e então abaixou um pouco a cabeça para os outros dois — oi…

— Meu amor, esses são os senhores Lee — os apresentou — são seus vizinhos de frente — sua mãe explicou calma — o cachorro que eles tem foi você que os ajudou a ter, do abrigo onde você era voluntário.

Jeongguk engoliu em seco.

Nada.

— Oh, meu Jeonggukie — a senhora Lee falou toda chorosa e trêmula, deveria ter quase oitenta anos, a pele toda enrugadinha, os olhos cansados, cabelo branquinho na altura de seus ombros — é tão terrível isso que aconteceu — falava chorosa — vê-lo assim, oh Jeonggukie, e eu já tinha falado tanto de você sempre correndo por aí…

Taehyung, que estava próximo, soltou uma pequena risadinha e Jeongguk logo mirou seus olhos nele. Confuso e surpreso.

— É que você realmente corria e era todo desajeitado quando estava animado com algo, a senhora Lee se preocupava com isso — justificou baixinho, dando os ombros, mantendo um sorriso bonito como quem se lembra de uma boa recordação.

Jeongguk jamais conseguiria imaginar-se daquele jeito.

— É… — Olhou para baixo, respondendo a mulher — eu devia ter te ouvido — foi a única coisa que pensou em dizer.

— Você vai sair dessa, menino, não precisa se preocupar — o senhor Lee deu dois tapinhas em seu ombro — vai voltar a fazer suas coisas e ser o jovem garoto feliz de sempre.

— Obrigado.

— Aqui, Jeongguk, essa daqui é a senhora Kang — informou sua mãe — ela que te encontrou naquele dia — comentou baixinho.

Jeongguk logo prestou atenção na mulher, cabelo escuro, um pouco longo, olhos gentis, porém com uma postura mais retraída, parecia bem desconfortável por estar ali, como se também tivesse no meio de estranhos.

— A senhora me conhecia? — Jeongguk perguntou baixinho.

— Não, meu querido — falou com lamento — eu sou do último andar, não posso pegar o elevador com meu cachorro então subimos a escada e te encontrei lá… — Fechou os olhos por alguns segundos — foi horrível — colocou a mão no peito — eu já tinha lhe visto somente duas vezes, mas nem fazia ideia de que andar você era, ou se morava mesmo aqui, mas liguei logo para a ambulância e tentei chamar alguém que pudesse te conhecer.

— Ela me chamou — o rapaz baixinho que estava em seu quarto quando acordou falou de repente e Jeongguk cravou seus olhos nele — eu estava entrando no prédio quando a senhora Kang veio gritando sobre um garoto morto na escada, eu corri e quando vi que era você eu me desesperei… — Jimin se encheu de lágrimas.

— E então Jimin correu até a oficina do Namjoon, me chamando aos prantos falando que você tinha sofrido um acidente — Taehyung quem concluiu e Jeongguk voltou a encará-lo, sentindo sua espinha congelar ao ouvir aquela história e não se lembrar de nada, não se lembrar daquelas pessoas, daquele cenário, de nada — eu corri e cheguei poucos minutos antes da ambulância, você estava vivo, mas não acordava, t-tinha m-muito sangue — calou-se assim que a mulher morena o abraçou novamente, começando a dizer que ia ficar tudo bem, que o próprio Jeongguk estava vivo.

— E então quando te levaram para a cirurgia, Taehyung nos ligou — seu pai terminou a história e Jeongguk o encarou — eu fiquei paralisado e sua mãe teve que pegar o telefone da minha mão para entender tudo e então pegamos o primeiro voo para a Coreia, chegamos aqui e já ficamos sabendo que você tinha sido induzido ao coma…

Jeongguk respirou fundo, sentindo o peito doer e a falta de ar começar a lhe atingir, aquela casa, aquelas pessoas, a história… Estava tudo estranho, sufocante demais.

— Vou pegar uma água pra você, calma — sua mãe logo foi até onde deveria ser a cozinha, voltando segundos depois com um copo de água na mão.

Jeongguk tomou tudo e ficou alguns segundos em silêncio, tentando não chorar por não saber mais que tipo de pessoa era, mas tentando se controlar para que não enlouquecer de vez.

Respirou fundo mais uma vez e então voltou a olhar a senhora Kang.

— Muito obrigado por ter me encontrado naquele dia — Jeongguk falou baixinho, sorrindo suavemente.

E a senhora Kang sorriu de volta.

— Essas são Jiyeon e Hyoin, — sua mãe comentou apontando para as duas mulheres com mais idade — elas são dos abrigos onde você era voluntário Jeongguk.

— Olá, Jeongguk, ficamos muito feliz de ver que você está se recuperando bem — Jiyeon comentou com um sorriso doce, abrindo a própria bolsa no segundo seguinte e tirando de lá um saquinho de plástico com diversos papéis dentro — aqui, essas cartas são do pessoal lá do abrigo, eles não puderam vir porque sabiam ser algo mais íntimo, mas escreveram cartas para você — as entregou com o mesmo sorriso doce.

— Ah… Obrigado — já dizia mais choroso, agradecendo ao abaixar a cabeça e ficar tremendo um pouquinho… Não imaginava que aquelas pessoas fossem realmente lhe achar querido, tivesse aquele carinho consigo.

E então a senhora Hyoin começou a mover as mãos suavemente e lhe entregou uma carta também.

— Ah, a senhora Hyoin é muda, Jeongguk, você chegou a aprender libras por conta dela — sua mãe explicou suavemente — o abrigo em que ela trabalha é pra um auxílio maior para animais com algum tipo de deficiência.

Jeongguk abriu a carta quase as lágrimas… Não sabia mais libras, jamais um dia chegou a pensar que fosse aprender.

Abriu a carta.

“Oi Jeongguk, sua mãe me contou o que aconteceu e as sequelas que você teve… Realmente não posso dizer como sinto muito por isso, mas espero que saiba que tem todo o meu apoio e ajuda caso precise de alguma coisa que possa agilizar sua melhora e te fazer voltar para nós rapidamente…

Estamos lá todos com saudade de você, queremos abraçar e reencontrar o doce menino e voluntário que é o preferido de todos os nossos animais… Se cuida tá bom? Estamos todos torcendo por você!”

Jeongguk começou a chorar ainda mais, cobrindo parte do rosto como se aquela carta tivesse sido um grande tapa em seu rosto, uma facada forte em seu coração.

Começou a soluçar, tremendo e chorando por conta de algo que parecia bem simples, mas que tinha lhe atingido em cheio, lhe fazendo chorar como uma simples criança daquele jeito… Parecia tão bobo, tão besta, mas ali estava Jeongguk, sem conseguir se lembrar nada do que tinha lido, sem conseguir se quer saber quem poderiam ser as pessoas desses abrigos que lhe mandaram cartas também, que estavam com saudade.

Não conseguia ver rostos, nomes, não sabia nem mesmo quem eram aqueles à sua frente, tudo o que Jeongguk sabia fazer era ficar chorando, mas não porque sentia pena de si mesmo, e sim por que estava sentindo-se extremamente apavorado, assustado com a vida que levava, uma vida tão diferente, com uma rotina tão louca e um casamento que jamais pensou ter.

Era sufocante demais, horrível.

— M-me deixa sair daqui — tentou se afastar, se afastar de todos, movendo a cadeira para longe de cada uma daquelas pessoas, ofegante, sentindo-se ainda pior com tudo aquilo.

— Jeongguk-

— N-não, não, não! — Estava nervoso, as lágrimas saindo em abundância, olhando ao redor, todos os desconhecidos tão preocupados consigo — eu não aguento mais, não aguento mais, e-eu quero sair daqui — continuou pedindo.

— Calma, calma — foi Taehyung quem falou, caminhando até Jeongguk para pegá-lo no colo, nem dando tempo para que o garoto pensasse ou falasse qualquer coisa, o Kim somente pegou Jeongguk e foi caminhando com ele até um outro cômodo, passando pelas pessoas com um semblante sério, ignorando a todos e só focando em tirar o garota daquela situação.

Abriu a porta de correr, permitindo que Jeongguk visse que se tratava do quarto, muitas coisas bagunçadas e uma cama bonita. O guarda roupa era embutido na parede, um ar condicionado na parede onde ficava grudada a cabeceira da cama, tapete felpudo vermelho perto da janela que estava aberta, as cortinas puxadas para o lado.

Vários porta retratos por cômodas, pelas paredes...

Sentou Jeongguk na cadeira próxima da janela, voltando para trancar a porta e então indo até onde ele estava, sentando-se no chão, em cima do tapete, encarando a parede e sentindo que os olhos bonitos de Jeongguk estavam bem mirados em si.

Jeongguk olhou para o lado de fora, vendo a rua onde morava.

— Você gosta de ficar olhando pela janela quando está chateado ou nervoso — Taehyung explicou e o Jeon, ainda choroso e nervoso logo olhou para o lado de fora novamente, observando as poucas pessoas que passavam por ali… Realmente, tinha aquela mania desde pequeno, quando brigava com seus pais, ficava olhando pela janela do quarto, observando a rua, as árvores, aquilo lhe acalmava.

Voltou a encarar Taehyung.

— Eu te conheço, Jeongguk — o rapaz comentou um pouco seco, a voz rouca, não lhe encarando de volta — eu sei que essa ideia toda foi horrível porque eu não lembro somente de como você era feliz e animado antes desse acidente — finalmente o encarou, os olhos estavam entristecidos — eu lembro como você era assim que se mudou, como era quieto e bem na sua, como era retraído e tinha muitas palavras rudes na ponta da língua — Jeongguk abaixou a cabeça — sei que você era tímido e tinha muitas inseguranças, por isso as colocava para fora em ações grossas e mais solitárias…Assim como anda fazendo agora.

Taehyung fez uma pequena pausa.

— Você era, e agora voltou a ser, a mesma pessoa de cinco anos atrás que não gosta de estar cercado de pessoas e não gosta de ser o centro das atenções — falou sincero, soltando um pequeno suspiro cansado — e era horrível saber que eu amava uma pessoa que ainda nem tinha se descoberto e parecia não querer fazer isso.

Jeongguk engoliu em seco, agora realmente se lembrando de quem era… Ele sabia que tinha muitos defeitos e fazia aquilo, Jeongguk sabia que tinha todas aquelas falhas e tentava melhorar, agora enxergava a si mesmo nas descrições que estava ouvindo.

Aquilo lhe acalmou de certa forma.

— Então se eu nunca mais recuperar a memória, você vai deixar de ter esse interesse em mim? — Perguntou e engoliu em seco novamente.

— Não é simplesmente um interesse, Jeongguk — foi mais duro — me casei com você porque eu te amava, eu amava e amo você, é amor — insistiu em dizer, em alto e bom som — e foi porque eu te amava que te levei a Taiwan, casamos só eu e você em uma praia linda de lá, e ficamos por lá durante horas, você ficou queimado e voltamos pro hotel onde eu tive que cuidar de você e mal te tocar na hora da gente transa-

— Para — pediu baixinho, as lágrimas voltando a encher seus olhos, aquelas coisas bonitas que não pareciam reais, a imagem de si próprio transando com um homem… Não conseguia sequer imaginar.

Taehyung respirou fundo.

— E-eu, — mordeu o lábio inferior — e-eu era o que? — As bochechas coraram e os olhos só ficaram encarando o chão.

— Como assim?

— É… Dessa relação — mordeu o lábio com mais força ainda cheio de vergonha de realmente perguntar o que queria, com vergonha do assunto que estava tendo, parecia realmente tão absurdo para si, jurava que ainda podia se lembrar do último beijo que havia dado em Eunji, uma mulher… Somente havia beijado mulheres em sua vida porque só se interessava por elas, mas agora perguntar sobre sua relação com outro homem… Uma relação que durou tanto assim, que resultou em um casamento, era estranho — o-o que eu era…

— Está querendo saber com relação ao sexo? — Taehyung cerrou um pouquinho os olhos e Jeongguk balançou a cabeça positivamente — vai sofrer mais se eu falar que é passivo? Vai ser mais “doloroso” pensar que você era o passivo da nossa relação sexual? Você não era menos homem por isso, Jeongguk, jamais foi.

Jeongguk o olhou nos olhos.

— Entenda que eu não só-

— Cinco anos atrás eu entendi, eu esperei o momento em que você se livraria desses tipos de pensamento, esperei e esperei até que você se apaixonasse e todas essas outras coisas parassem de importa pra você, deixassem de ser relevantes — foi falando de forma séria, dura — eu esperei, eu me apaixonei, e continuei esperando, e então você se permitiu aceitar, você se conheceu e essa transformação que você sozinho fez em si mesmo foi linda, você se tornou uma pessoa linda, querida, adorável, que todos gostam, uma pessoa mais livre, sem jamais se importar com qualquer comentário — fechou os olhos por alguns segundos, jogando a cabeça para trás, apoiando-a na cama, seu pomo de adão subindo e descendo por ele engolir em seco — você era incrível, eu acordava feliz por ver você, não porque te amava, mas porque você como humano era incrível, eu te admirava, tudo que fazia, pelo o que lutava, o que se interessava em aprender para ajudar os outros — voltou a encará-lo, vendo lágrimas novamente naqueles olhos, mas não se deixou afetar, não daquela vez pelo menos — você era um ser humano que me ajudou a ser melhor, mas isso depois que você também melhorou, e era por isso que eu mais te amava, por conta de tudo de bom que você sempre exalava, cozinhando, falando, pintando, tocando, andando, até no sexo, você mostrava que era bom, que me amava, juntos a gente transbordava tantos sentimentos que eu jamais quis outra pessoa…

Também estava chorando, abaixando a cabeça por alguns segundos, passando as mãos pelo rosto, soluçando um pouco.

— Achar que te perdi foi horrível, mas te ver na minha frente e saber que agora me olha com esse desprezo, com esse ódio somente porque sou um homem que te-

— Me desculpa — Jeongguk o cortou rapidamente, em meio às lágrimas — me desculpa por falar essas coisas, me desculpa parecer tão ingrato — falou sofrido, cobrindo o rosto com as duas mãos enquanto soluçava — me desculpa, me desculpa.

Taehyung respirou fundo, passando a língua nos lábios, ficando de joelho e começando a ir até o garoto, segurando os pulsos dele, querendo ver seu rosto.

— Calma, calma, Jeonggukie — foi falando mais baixo, bem rouco, atraindo as duas orbes bem redondinhas para si, ele sempre ficava com uma aura tão fragilizada quando chorava, era horrível de ver — calma, por favor — ousou beijar um dos dedos dele e o viu puxar a própria mão desconfortável.

Taehyung entendeu.

Era lógico que entendia.

Jeongguk ainda não se conhecia, ainda não se aceitava, e o Kim só temia que ele jamais fosse se aceitar novamente agora que havia uma pressão imposta para que ele se lembrasse de tudo e se entregasse para outro homem. Antes tudo tinha ocorrido de forma natural, mas agora era tudo totalmente diferente.

— Olha — voltou a falar, mais mansamente — eu sou seu marido, mas não porque tínhamos relações sexuais, eu era seu marido porque me importava com você, queria estar com você e eu vou te ajudar com isso, Jeongguk, mesmo que jamais me ame de volta e deseje o divórcio futuramente…

Jeongguk continuava derramando lágrimas e Taehyung as limpou.

— Primeiro de tudo, vou expulsar essas pessoas da nossa casa — falou firme — vou agradecer a todos por terem vindo para tentar ajudar, mas você não precisa disso agora, o que você precisa é de paz, — continuou tirando as lágrimas dele — vou tirar eles e então pedir uma porção grande de frango frito com aquela cerveja horrível que você gosta — suspirou — você vai tomar banho, vai ficar no sofá, vai ver alguma série atual que possa chamar sua atenção e então vai ficar em paz, com seus pensamentos, vai respirar e saber que eu não vou incomodar você, ficarei no quarto, e quando você quiser dormir, eu ligo para os seus pais virem e eu vou pra casa da minha irmã dormir lá.

— Não precisa — falou baixinho — é sua casa, você não tem que sair.

— Você não vai ficar confortável comigo aqui, eu sei disso.

— M-mas não é justo — fungou, a fala saindo toda trêmula, seus olhos não parando de focar nos do Kim que estava bem próximos — e, depois de tudo isso, eu não vou me sentir bem de te tirar daqui.

— E seus pais? — Perguntou rouco, se afastando um pouquinho para parar de tocá-lo, temia o deixar ainda mais desconfortável por passar de algum limite.

— Eles podem dormir aqui hoje, mas moram em outro país…

— Não vai mais os querer por perto?

— Claro que vou, mas também não é justo, eu que fiz essa merda toda acontecer, eu acho certo que eu mesmo conserte as coisas e não dê mais trabalho para ninguém — sussurrou baixinho, desviando o olhar, encarando a rua do lado de fora.

— Você não dá trabalho, Jeongguk. Sofreu um acidente, só estamos te ajudando.

— Mesmo assim — insistiu baixinho, voltando a olhar para baixo por alguns segundos — quando for falar com eles lá fora, pode falar para os meus pais entrarem aqui? Eu queria falar com eles sobre isso...

— Claro que sim, eu os chamo aqui — sussurrou suavemente — vai querer mesmo o frango frito e a cerveja ruim? — Perguntou antes de se levantar.

Jeongguk soltou uma risadinha.

— Eu realmente amo frango frito — mostrou um pequeno sorriso para si e somente com aquilo Taehyung ficou completamente apaixonado novamente.

— Eu sei disso, uma vez comeu quase dois baldes sozinho — comentou fazendo com que o outro arregalasse os olhos.

— Jura? — Perguntou, continuando a manter aquele mesmo sorriso. Nunca foi de comer tanto assim, então aquilo o surpreendia.

Taehyung sabia que estava indo pelo caminho certo.

— Whum, sério, eu fiquei chocado também — comentou sorridente, lembrando-se daquele dia — você culpou uma briga que teve com a Jihyo, sua melhor amiga.

— Ah — o sorriso foi diminuindo, mas os olhos dele pareciam mais vivos — mas, não sei que cerveja é essa que você falou.

— É uma horrível, horrível mesmo — falou sério, não poupando ofensas — ela me deixa enjoado demais, porém por algum motivo você adora!

Jeongguk soltou outra risada, vendo Taehyung ficar de pé, e por um milésimo de segundo, desejou que ele continuasse somente abaixado a sua frente, falando aqueles detalhes mais suaves que não envolviam sua personalidade… Apenas gostos e feitos cômicos que Jeongguk poderia sim se imaginar fazendo.

— Pede ela então — comentou risonho — vai que eu ainda gosto né — deu os ombros — mas pede alguma outra que seja boa, porque vai que meu gosto ainda está alguns anos atrasado.

Taehyung soltou uma risada gostosa, balançando a cabeça negativamente, passando uma última vez as mãos no rosto para limpar os últimos resquícios de lágrimas.

— Tudo bem, vou pedir sim. — Foi caminhando em direção a porta — o Jeongguk de cinco anos atrás gosta do molho picante? Dessa informação eu não sabia naquele tempo.

Jeongguk mostrou um pequeno sorriso.

— Então o seu Jeongguk do futuro gostava?

Taehyung quase paralisou quando ouviu aquilo, quando escutou o “seu Jeongguk” ser dito por ele, mesmo que nem tivesse sido no mesmo sentido que o Kim tinha pensado, mesmo que não houvesse conotação romântica alguma.

Ainda assim o coração de Taehyung se viu encantado, totalmente entregue novamente.

— Ele gostava sim — seus olhos estavam prestes a se encher de lágrimas novamente — gostava bastante e quando exagerava, tomava um gole da cerveja ruim.

Jeongguk riu com aquilo e Taehyung sentiu que ainda havia esperança.

Seu Jeongguk ainda estava ali, estava bem ali, naquele minúsculo pontinho no meio das risadinhas de Jeongguk, quase inexistente, mas estava ali sim.

— Então pode pedir o molho, vai ser bom se eu acabar me lembrando de algum momento assim.

— Tem muitos para se lembrar…

— Que bom — começou a brincar com os próprios dedos — obrigado.

— Minha obrigação como seu marido, Jeonggukie… Eu sempre vou cuidar de você.

Jeongguk corou e olhou para baixo, não vendo quando Taehyung lhe deu um último sorriso e então saiu do quarto, pronto para expulsar as pessoas do lado de fora do quarto e poder realmente criar um ambiente mais confortável para Jeongguk naquele momento tão delicado.

Jeongguk estava verdadeiramente grato por isso.



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Obrigada mesmo pessoaaaaal, espero continuar melhorando com essa história, amo vocês <333333


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