Finish Him Off - Original: Prólogo


Oii pessoal, viemos aqui com mais uma novidade para vocês!

Estamos trazendo a maravilhosa história de Finish Him Off como original aqui para o Starmoon. Toda essa história foi publicada como livro independente pela @Kittenishi, e agora estamos trazendo para o site e possiblilitar o acesso de quem não conseguiu comprar o livro.

Esperamos que vocês gostem do prólogo e de todos os futuros capítulos que estão por vir e serão postados a cada duas semanas, somente nas quartas!

O próximo capítulo estará disponível dia 27 de outubro e todos serão monetizados a partir do próximo porque trata-se de uma obra completamente original.

Sem mais delongas, boa leitura <3






YOON TAEJOON (POV)



PRÓLOGO




AGOSTO DE 2007



EU ESTAVA DE FÉRIAS, ERA VERÃO E TINHA TANTA COISA ACONTECENDO. Meu papai estava me deixando bravo com tantos compromissos quando a única coisa que eu queria mesmo era estar em Daegu brincando com meus amigos.

Ao invés disso, fui obrigado a comparecer a essa festa beneficente que eles estavam promovendo. Eu vestia um daqueles ternos infantis que minha mamãe insistia que ficavam ótimos em mim, mas eu discordava. Aquela gravata apertava meu pescoço e o sapato social machucava meus dedos. Acho que a única pessoa realmente feliz com suas roupas era Nayun, minha irmãzinha caçula, que não escondia a alegria de poder exibir seu vestidinho rodado de cor azulada.

— TaeTae, vamos brincar de pique-esconde? — Ela perguntou, me fitando com olhinhos pidões. Estávamos parados em um canto do salão só nós dois com alguns seguranças de nossos pais nos vigiando. Mamãe dizia que como éramos filhos de pessoas importantes, algumas pessoas más poderiam querer fazer coisas ruins com a gente.

— Não tem muito lugar para se esconder aqui, NaNa — lamentei, olhando em volta. — Mas as outras crianças estão brincando ali, vamos lá falar com eles. Daí a gente pode talvez brincar de pique-esconde.

Empolgada, minha irmãzinha assentiu e se pôs a saltitar pelo salão. Eu a segui, vendo os seguranças em nosso encalço, olhando em volta e conferindo se estava tudo bem. Só que antes de chegar até a rodinha de crianças que brincavam de algo que eu não soube identificar, avistei um garotinho sentado num banquinho bem próximo à parede. Ele era claramente menor do que o próprio banco, pois suas perninhas balançavam de um lado para o outro enquanto seus olhinhos tristonhos observavam sua volta.

Fiquei encantado com a fofura dele. Ele era muito branquinho, suas bochechas eram gordinhas, tinha o cabelo pretinho e os olhinhos arregalados, sem contar o biquinho que fazia. Eu precisava chamar ele para brincar comigo, sempre gostei de fazer amigos.

Tendo certeza de que Nayun já estava com as outras crianças e se metia na brincadeira que faziam, caminhei de forma determinada até o garotinho. Assim que parei em sua frente, notei que ele só usava uma camisa social, uma calça jeans e um tênis, nada muito desconfortável como o meu terno. Seus olhos dobraram de tamanho assim que ele me viu, e logo, começou a mexer com os dedos de suas mãozinhas, claramente nervoso.

— 안녕하세요! 나난 윤태준 입니다! 이름이 뭐에요[1]? — Perguntei alegremente.

O garotinho se remexeu no assento, desconfortável. Seus olhinhos se encheram de lágrimas, e eu franzi a testa, confuso. O que eu fiz de errado?

— Me desculpa, eu não entendo você — respondeu em inglês.

Minha boca formou um “O”. Ele não falava coreano. Acho que era por isso que ele estava isolado, ele não entendia as outras pessoas.

Sorrindo em sua direção, tentei novamente, dessa vez, em inglês:

— Oi, eu sou Taejoon! Vamos brincar de pique-esconde?

Dessa vez, o garotinho pareceu surpreso.

— V-Você sabe inglês? — Resmungou, choroso.

— Claro que sei. Mamãe me disse que todos temos que saber muitas línguas — Afirmei, confiante. — Vamos brincar?

— N-Não quero — balançou a cabeça, negando veementemente, e fez um biquinho emburrado.

Ele era tão fofo que me dava vontade de apertar suas bochechas.

— Então eu vou ficar aqui. E não vou sair até você sorrir — cruzei meus braços e fiquei parado ao lado do garoto, que me encarava de forma curiosa, como se não conseguisse entender o que eu fazia ali. — Qual o seu nome?

— J-John — respondeu, as bochechas corando e o biquinho nunca deixando seus lábios.

— Você é coreano, mas não fala coreano? — Franzi a testa, confuso. Ele tinha a aparência de uma criança coreana, como era possível que ele não soubesse?

— Meu papai e minha mamãe são daqui, m-mas eu nasci nos Estados Unidos. Estou aqui de férias — parecia envergonhado.

— Ah, mas você não acha que devia aprender um pouco de coreano? Você não vai conseguir falar com muitas crianças — comentei, pensativo.

O garotinho negou.

— Eu estou falando com você. E-Eu acho que já está bom — abaixou a cabeça, ainda mexendo com os dedinhos, envergonhado.

— Então, vem brincar comigo! — Fiz uma cara pidona.

— Não — balançou a cabeça, negando.

— Vamos! Você é tão fofo! — Tentei mais uma vez.

Mordendo o lábio, John recusou novamente. Suspirando, resolvi apelar para medidas drásticas: levei minhas mãos até seu pescoço e axilas, começando a fazer cócegas ali. Surpreso, o garoto tentou escapar, mas foi em vão, consegui prendê-lo na cadeira enquanto o fazia gargalhar pelas cócegas. Ele tinha um sorriso lindo e protuberante, como se seus dois dentinhos da frente lhe dessem a aparência de um coelhinho. Era tão fofo que eu quis apertar suas bochechas.

— Ta-Ta... Tae... — Tentava falar meu nome, se embolando completamente na hora de pronunciar “joon”. A língua dele enrolava e saía um som estranho. — Pare! Eu vou brincar com você. Pare! — Implorou entre risos.

Os olhinhos dele estavam cheios de lágrimas, mas dessa vez era porque ele ria e não chorava. Isso me alegrou bastante.

— Você não consegue falar meu nome — soltei um risinho divertido.

Ele corou ainda mais.

— Eu posso te chamar de TaeTae? — pediu.

— Claro que pode, John.

— Johnnie. Eu gosto de ser chamado de Johnnie. Minha mamãe e meu papai me chamam assim — sorriu de forma tão fofa que me fez querer apertar suas bochechas.

— Você é tão fofo, Johnnie! — Elogiei mais uma vez, encantado por ele.

— O-Obrigado — agradeceu, parecendo acanhado.

— Quantos anos você tem? Eu tenho 11 anos, farei 12 em novembro — Contei, decidindo considerar minha idade internacional ao invés da coreana para ele.

— Eu tenho 9 anos, meu aniversário é mês que vem — respondeu.

Ele só era dois anos mais novo? Eu daria uns 7 ou 8 anos para ele, pois ele era tão baixinho.

— Eu sou seu hyung, então — conclui, satisfeito.

— Como se fala isso? — Franziu a testinha.

— Não precisa falar, você não consegue pronunciar direito — dei de ombros, não ligando para honoríficos naquela situação.

Mesmo que seus pais fossem daqui, ele ainda era um garoto estrangeiro que só falava inglês, e não parecia saber muito disso. Resolvi tirá-lo dali para a gente brincar um pouco.

— Vem? — Estendi minha mão para ele, e, sem hesitar, desceu do banquinho e juntou sua mãozinha à minha.

— Não me deixa sozinho — fez mais um biquinho.

— Eu não vou — assegurei. — Vou ficar do seu lado a tarde toda.

John pareceu incerto, mas no fim, resolveu acreditar em mim. De mãos dadas com ele, o guiei através do salão da grande mansão. Sequer notei que os pais dele estavam próximos de nós durante toda nossa conversa, e observavam enquanto eu o levava para brincar comigo.

Tinha uma árvore no jardim da mansão, e eu conseguia escalá-la muito bem. Do galho mais alto era possível ver Seul sobre os muros do local, e eu decidi que seria legal mostrar isso a John. Estávamos entrando no final da tarde naquele dia e o clima estava agradável.

Ele não perguntou nada, apenas me seguiu, apertando minha mão com força, e eu apertava de volta, tentando passar segurança. Assim que chegamos à árvore, apontei para o galho que ficava bem no topo com um sorriso gigante estampado no rosto.

— Vamos subir até lá! É bem bonito, você vai gostar.

— Eu nunca escalei árvores — admitiu, envergonhado. — Não sei como se faz isso.

— Eu vou te ajudar. Você confia em mim?

Sem hesitar, John assentiu freneticamente, me fazendo rir mais uma vez. Com cuidado, coloquei o pé numa fresta do tronco da árvore e sentei num galho mais baixo, esticando meus braços para ajudá-lo. Ele agarrou meus ombros, e eu segurei sua cintura, lhe dando apoio para subir.

— TaeTae, quem são esses homens que estão olhando para gente? — Perguntou, baixinho, com medo.

— São os seguranças dos meus pais. Eles me vigiam quando eles não estão por perto — expliquei.

— E eles não vão fazer nada com a gente? Deixar a gente de castigo?

— Claro que não — baguncei seu cabelo pretinho de forma afetuosa.

Continuei a subir na árvore, e a cada galho e tronco que a gente avançava, eu parava e dava apoio para John subir. Ele confiava em mim plenamente, nunca questionando quando eu lhe instruía para colocar o pé em algum lugar, ou apoiar a mão em outro.

Ajudava também o fato de ele ser um garoto magrinho apesar das bochechas gordinhas. Ele era incrivelmente leve e toda a vez que eu lhe ajudava, não tinha trabalho de erguê-lo ou puxá-lo. E logo estávamos no galho mais alto da árvore. Ele observava a cidade sobre os muros com olhos encantados enquanto eu segurava sua cintura com um dos braços, impedindo-o de cair, pois ele perdeu o equilíbrio em um segundo e quase tropeçou.

— Uou, aquele ao longe é o Rio Han? — Perguntou, encantado.

— É sim, Johnnie.

— Eu queria poder nadar em um rio, mas meu papai não deixa — comentou, melancólico. — Sabe, eu sou o melhor aluno da minha turma de natação. Na verdade, eu sou muito bom com muitas coisas e meus pais ficam muito felizes quando eu ganho algum prêmio. Eu gosto de ver eles felizes, gosto de fazer eles felizes.

— Você é o filho perfeito? — Perguntei, rindo.

— Não sei, TaeTae. Eu quero ser — afirmou.

— Eu sou bom em algumas coisas, mas não em tudo — contei. — Tenho feito aulas de tênis já faz algum tempo e consegui ganhar duas competições mirins no terceiro lugar, mas eu sou muito fraco e magro. Já me falaram para desistir porque eu não tenho jeito de tenista.

— E você vai desistir? — Me encarou com os olhinhos negros.

— Não, não vou. Eu posso não ser o melhor hoje, mas sei que serei um dia. Eu vou chegar lá — falei, convicto.

— Eu quero muito estudar na ASU. Meu papai já me falou que seria um orgulho eu estudar lá. É uma das melhores universidades do meu estado, e eu vou entrar lá um dia. — Ante ao meu olhar confuso, ele especificou. — Eu moro em Phoenix, no estado do Arizona. A ASU é uma das universidades mais importantes de lá.

— Oh sim — assenti, compreendendo.

— Vamos descer? — Pediu.

E sem condições de negar qualquer coisa àquele garotinho fofo, assenti bobamente.

Com mais cuidado do que antes, desci da árvore, ajudando-o a passar de galho em galho até finalmente chegarmos ao chão do jardim. No retorno para dentro da mansão, segurei a mãozinha de John, e ele não soltou por um segundo sequer, grudando em mim como chiclete

— Você é o garoto mais fofo que eu já vi, Johnnie. — Falei de repente.

— Para com isso — corou da cabeça aos pés, apertando minha mão.

— Não posso te elogiar?

— Eu... Eu não sei — dei uma risadinha e mais uma vez, baguncei seu cabelo.

— Vem! Vamos nos juntar às outras crianças — chamei.

— Eu não entendo o que elas falam — reclamou, choroso.

Virando-me em sua direção, dei um sorriso afetuoso.

— Eu vou te falar tudo o que elas falarem, eu prometo que você não vai ficar de fora — garanti. — Não vou te deixar sozinho, Johnnie.

Assentindo, ele soltou minha mão apenas para entrelaçar nossos dedos e resmungar alguma coisa baixinho que soava como concordância.

Seguindo o fluxo de crianças, percebi que elas estavam correndo escada acima para um dos quartos da mansão, então, sem perder tempo, guiei John junto de mim para onde todos estavam indo. Quase tropecei em um degrau, incomodado com meu terno, mas rapidamente me equilibrei e continuei. O mais novo me encarava com os olhos arregalados, visivelmente preocupado, pois eu havia soltado sua mão. Porém, assim que viu que eu estava bem, mais uma vez agarrou minha mão, esperando que eu continuasse.

Chegando no andar de cima, fomos até o quarto onde estavam as crianças reunidas, e assim que nos juntamos a rodinha, John se encolheu atrás de mim sem soltar minha mão. Eu podia ver seu rostinho, sua expressão era ansiosa e nervosa enquanto ele olhava de um lado para o outro. Ele não estava entendendo o que estava acontecendo.

— Eles estão combinando o que vamos brincar — expliquei baixinho, puxando-o para o meu lado com sua mãozinha. Para lhe passar segurança, abracei seus ombros com meu braço, mantendo-o perto de mim.

Agradecido, John assentiu e usou o outro braço para abraçar minha cintura.

— Taejoon-ah, você é amigo do garoto estranho? — Um dos meninos presentes ali, Youngbae, perguntou para mim.

— Ele não é estranho! Ele só não é da Coreia, então, ele não fala coreano — respondi, sabendo que nossa conversa devia estar deixando John desconfortável, até porque estávamos conversando em coreano.

— Se ele não sabe coreano, ele não devia estar na Coreia — Youngbae retrucou.

— Tae, o que ele está falando? — John perguntou baixinho em meu ouvido.

— Nada — respondi em inglês, sorrindo nervosamente em sua direção. — Nada importante.

Inseguro, ele assentiu, confiando em mim.

— Ninguém precisa saber uma língua para visitar um país, Youngbae — falei em coreano para o garoto que cruzou os braços, visivelmente contrariado.

— A gente vai brincar de sete minutos no paraíso, então. Se você gosta tanto do seu amigo estranho que não fala coreano, fica com ele por sete minutos dentro do armário assombrado. — Apontou para o armário que ficava no aposento.

Diziam que o espírito de uma velhinha habitava aquele armário após uma mulher que trabalhava na mansão há alguns anos atrás matar uma idosa dentro daquele quarto. Era tudo uma lenda que contavam para nos assustar, mas minha mamãe já tinha dito que era mentira e nada daquilo tinha acontecido.

Mas as outras crianças ficaram verdadeiramente aterrorizadas com o que ele falou.

— Eles são meninos, Youngbae — uma menina protestou — meninos não podem fazer a brincadeira dos sete minutos.

— Podem sim, ou vocês entram no armário por 7 minutos, ou eu vou contar pra todo mundo que seu amigo é burro e esquisito, incluindo os seus pais — ameaçou, sorrindo maldosamente.

As outras crianças nos fitavam de forma confusa. Eu não queria que ele fizesse aquilo, que ele fosse até os meus pais para falar mal de John. Isso não podia acontecer. Então não pensei duas vezes antes de soltar o ombro de John, pegar sua mãozinha e caminhar com ele para dentro do armário.

— TaeTae? O que houve? O que a gente vai fazer? — Indagou, perdido.

— Vamos ter que brincar de sete minutos no paraíso dentro desse armário — escondi o fato de ter uma lenda sobre aquele lugar.

— Sete minutos no paraíso? Igual o que a gente vê na televisão? Com beijos? — Perguntou, tropeçando em um sapato quando adentramos o armário e fecharam a porta.

— Er... Sim — respondi.

— Vocês têm sete minutos! — Youngbae afirmou do lado de fora.

— Johnnie?

Para minha surpresa, o garoto ficou olhando de um lado para o outro no armário, respirando de forma desregulada. Ele estava entrando em desespero. Será que ele tinha medo de espaços pequenos?

De repente, ouvi um choro baixinho e comecei a entrar em pânico. John estava com medo, e eu não sabia o que fazer, ele não parava quieto e não parecia sequer ouvir a minha voz.

— TaeTae, eu não estou vendo nada, estou com medo desse armário — reclamou, chorando.

Meu coração se apertou ao vê-lo chorar daquele jeito.

— Está tudo bem! — Tentei assegurar.

— A gente tem que beijar mesmo? E-Eu nunca beijei! Eu tenho vergonha — confessou, surpreendendo-me quando abraçou minha cintura com força, claramente com medo.

Com carinho, abracei seu corpinho junto do meu e o apertei em meus braços, sentindo as lágrimas dele molharem o meu terno, mas eu não me importava.

— Eles deram sete minutos para a gente. Não precisam saber do que aconteceu aqui — assegurei mais uma vez — eu posso falar que a gente beijou quando não aconteceu nada!

— Jura? — Se acalmou um pouco com as minhas palavras.

— Sim, não precisa se preocupar — afirmei, apertando-o ainda mais, enquanto isso, John afundou o rosto em meu pescoço, procurando se acalmar.

Decidi não falar nada, ele estava nervoso e choroso, o melhor era esperar até que os sete minutos acabassem, e a gente pudesse sair. Mas na medida que o tempo foi passando, o choro foi cessando e John pareceu ficar melhor.

Tirando sua cabeça de meu pescoço, sem deixar de abraçar a minha cintura, ele olhou para mim com aqueles olhinhos brilhantes e úmidos. Nós tínhamos uma diferença notável de altura, então não reagi quando ele se colocou na pontinha dos pés e, fechando os olhos, selou seus lábios nos meus, num mero beijo inocente. Ele estava tendo seu primeiro beijo, e eu também, eu nunca havia beijado.

Mas não me importei. O apertei um pouco mais e pressionei meus lábios com cuidado. Eu não sabia como beijava, será que eu iria machucar ele?

Infelizmente, não obtive resposta, pois John se afastou e na hora, abriram as portas do armário. Ele estava com as bochechas úmidas e coradas enquanto olhava para os próprios pés, não tendo coragem de me encarar. As outras crianças perguntaram coisas para nós, mas ignorei tudo. Eu estava eufórico, eu estava muito feliz. Não esperava que aquilo fosse acontecer, que ele fosse me beijar, mas não senti repulsa, nem estranheza. Eu gostei. Aquilo me fez ficar ainda mais encantado pelo garotinho.

Sem esperar, apanhei uma de suas mãozinhas e marchei com ele para fora dali, vendo Nayun conversar com um garoto que eu já tinha visto antes, Bae Jiyong, numa das poltronas que havia no quarto. Os dois pareciam estar engajados numa conversa animada.

Puxei John comigo novamente até o jardim da mansão, e apertando minha mão como fez durante todo o dia, ele correu junto de mim, não se importando em estar sendo levado.

Ao pararmos ao lado da árvore onde subimos, eu parei em sua frente e o encarei sorridente.

— Eu gosto de você, Johnnie — confessei, não sabendo ao certo o que aquilo significava, mas sentindo que as palavras pareciam certas para mim.

— Eu também gosto de você, TaeTae — afirmou, soltando minha mão e sorrindo de forma radiante, mostrando o sorriso lindo. — Eu-Eu gosto muito. Assim como gosto muito do Homem de Ferro!

Sentando na grama do jardim, esperei John fazer o mesmo e o abracei pelos ombros. Se aconchegando perto de mim, ele fechou os olhinhos e começou a resmungar uma música em inglês que eu desconhecia. Dizendo ele que era de uma banda de garotas que sua mãe gostava muito de ouvir.

Não dei muita atenção, apenas ouvindo tudo com um sorriso satisfeito nos lábios.

— O sol já está se pondo — comentei, suspirando.

— É lindo! — Exclamou, alegre. — Você precisa ver como o sol brilha em Phoenix. É tão quente.

— Eu gostaria de ir lá algum dia — John me encarou, se virando de costas para o sol. — Mas não faço viagem internacional de avião ainda. Eu sou muito pequeno, meus pais não deixam.

— Você podia morar comigo lá — sugeriu, animado. — Ia ser muito legal!

— Ia ser, mas não sei se isso poderia acontecer — lamentei.

Para meu desespero, John começou a chorar mais uma vez, seus olhinhos se enchendo de lágrimas grossas.

— Você não pode mesmo morar comigo nos Estados Unidos? — Perguntou, arrasado.

— Não, eu sou muito pequeno ainda. Meu papai não deixaria — lamentei, verdadeiramente triste.

— Mas eu não quero me separar de você nunca mais, TaeTae! — Afirmou, pulando em meus braços e me abraçando com força.

— Eu também não quero — a sinceridade das minhas palavras me assustou. Eu tinha acabado de conhecer aquele garoto. Bastou uma única tarde junto dele e um beijo para que eu não quisesse me separar.

— Então me promete uma coisa! Você precisa me prometer que irá atrás de mim quando você crescer! — Implorou.

— Eu vou, Johnnie! Eu vou atrás de você! — Exclamei, convicto.

— Me promete! Me promete três vezes porque aí você vai ter que cumprir — insistiu.

Sem hesitar, pronunciei três vezes em voz alta:

— Eu prometo que quando a gente crescer, eu vou atrás de você nos Estados Unidos. Vou estudar na mesma universidade que você, vou te achar, e nós vamos ficar juntos para sempre. Vamos brincar juntos e escalar muitas árvores. Eu juro, Johnnie! Prometo que nunca vou te esquecer, eu vou atrás de você. Eu sempre cumpro as minhas promessas, confia em mim!

— Eu confio, TaeTae! — Me abraçou com força. — Eu gostei de conhecer você. Nunca vou te esquecer! Eu não vou te esquecer, T-Tae-joon.

Ele falou de forma estranha, mas acabou por pronunciar meu nome, e eu me senti feliz apenas por ouvi-lo.

Passamos o resto do pôr-do-sol abraçados, até que para minha grande surpresa, os pais de John vieram até o jardim. Estavam procurando o filho para irem embora.

— Quem é esse garoto, filho? — A mulher perguntou.

— É o TaeTae, mamãe — respondeu a ela.

— Oh, o filho dos Yoon. O casal que está dando a festa — arregalou os olhos ao me encarar seriamente.

De forma educada, fiz uma reverência.

— É um prazer conhecê-la.

— Oh, querido, igualmente. Apenas lamento que tenhamos vindo buscar o Johnnie, estamos indo embora pois precisamos ir até Busan arrumar nossas coisas. Vamos voltar para os EUA depois de amanhã — comentou.

— Não! — John gritou, pulando em meu pescoço e grudando com força em mim. — Eu não vou embora.

— Filho, nós temos que ir — seu pai afirmou.

— Não, eu não vou — fez birra.

Sua mãe tentou tirá-lo de meu pescoço, mas o aperto dele era forte. Ele não queria me largar de forma alguma.

— Johnnie, está tudo bem — assegurei. — Eu te fiz uma promessa, lembra? Nós vamos nos encontrar, eu te prometi isso!

— Mas vai demorar tanto — choramingou.

— Vai passar bem rapidinho! Eu sei que vai!

John fungou e assentiu, me abraçando com força mais uma vez, não querendo me soltar, claramente. Dei um sorriso confiante e acreditando em mim, ele me soltou. Escondendo-se na minha frente, o garotinho levou as mãos até a nuca e tirou de lá um colarzinho. Certificando que a mãe dele não estava vendo, ele colocou o colar em minhas mãos.

— Toma. Para você lembrar — afirmou, dando um beijo rápido na minha bochecha e corando da cabeça aos pés.

Antes que eu pudesse reagir, John correu em direção à mãe e pegou na mão dela. Ele acenou e eu só vi quando ele foi para dentro da mansão novamente, me deixando ali no jardim.

Sem perceber, levantei minha mão esquerda, acenando também e sentindo uma única lágrima escorrer por minha bochecha.

Cada palavra que falamos aqui valeu algo para mim. Ele tinha me encantado como ninguém fez antes e agora me deixava ali.

Mas, um dia, eu iria atrás dele.

Apertando o colarzinho em minha mão, abri um sorriso, voltando para a mansão. Eu precisava conversar com minha mamãe, afinal ela precisava saber que eu gostaria de estudar nos Estados Unidos quando crescesse.

E eu já tinha o destino em mente.



[1]1 Tradução: Olá! Eu sou Yoon Taejoon! Qual o seu nome?


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Esperomos que tenham gostado <33

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Oiiiii!!! Demorou, mas chegou!! Aqui está mais um capítulo de Memórias Omitidas! Eu espero demais que vocês gostem do capítulo, e quero agradecer muito por todo o apoio de vocês <333 XXXXXXXXXXXXXXXXX