Finish Him Off - Original: Prólogo


Oii pessoal, viemos aqui com mais uma novidade para vocês!

Estamos trazendo a maravilhosa história de Finish Him Off como original aqui para o Starmoon. Toda essa história foi publicada como livro independente pela @Kittenishi, e agora estamos trazendo para o site e possiblilitar o acesso de quem não conseguiu comprar o livro.

Esperamos que vocês gostem do prólogo e de todos os futuros capítulos que estão por vir e serão postados a cada duas semanas, somente nas quartas!

O próximo capítulo estará disponível dia 27 de outubro e todos serão monetizados a partir do próximo porque trata-se de uma obra completamente original.

Sem mais delongas, boa leitura <3






YOON TAEJOON (POV)



PRÓLOGO




AGOSTO DE 2007



EU ESTAVA DE FÉRIAS, ERA VERÃO E TINHA TANTA COISA ACONTECENDO. Meu papai estava me deixando bravo com tantos compromissos quando a única coisa que eu queria mesmo era estar em Daegu brincando com meus amigos.

Ao invés disso, fui obrigado a comparecer a essa festa beneficente que eles estavam promovendo. Eu vestia um daqueles ternos infantis que minha mamãe insistia que ficavam ótimos em mim, mas eu discordava. Aquela gravata apertava meu pescoço e o sapato social machucava meus dedos. Acho que a única pessoa realmente feliz com suas roupas era Nayun, minha irmãzinha caçula, que não escondia a alegria de poder exibir seu vestidinho rodado de cor azulada.

— TaeTae, vamos brincar de pique-esconde? — Ela perguntou, me fitando com olhinhos pidões. Estávamos parados em um canto do salão só nós dois com alguns seguranças de nossos pais nos vigiando. Mamãe dizia que como éramos filhos de pessoas importantes, algumas pessoas más poderiam querer fazer coisas ruins com a gente.

— Não tem muito lugar para se esconder aqui, NaNa — lamentei, olhando em volta. — Mas as outras crianças estão brincando ali, vamos lá falar com eles. Daí a gente pode talvez brincar de pique-esconde.

Empolgada, minha irmãzinha assentiu e se pôs a saltitar pelo salão. Eu a segui, vendo os seguranças em nosso encalço, olhando em volta e conferindo se estava tudo bem. Só que antes de chegar até a rodinha de crianças que brincavam de algo que eu não soube identificar, avistei um garotinho sentado num banquinho bem próximo à parede. Ele era claramente menor do que o próprio banco, pois suas perninhas balançavam de um lado para o outro enquanto seus olhinhos tristonhos observavam sua volta.

Fiquei encantado com a fofura dele. Ele era muito branquinho, suas bochechas eram gordinhas, tinha o cabelo pretinho e os olhinhos arregalados, sem contar o biquinho que fazia. Eu precisava chamar ele para brincar comigo, sempre gostei de fazer amigos.

Tendo certeza de que Nayun já estava com as outras crianças e se metia na brincadeira que faziam, caminhei de forma determinada até o garotinho. Assim que parei em sua frente, notei que ele só usava uma camisa social, uma calça jeans e um tênis, nada muito desconfortável como o meu terno. Seus olhos dobraram de tamanho assim que ele me viu, e logo, começou a mexer com os dedos de suas mãozinhas, claramente nervoso.

— 안녕하세요! 나난 윤태준 입니다! 이름이 뭐에요[1]? — Perguntei alegremente.

O garotinho se remexeu no assento, desconfortável. Seus olhinhos se encheram de lágrimas, e eu franzi a testa, confuso. O que eu fiz de errado?

— Me desculpa, eu não entendo você — respondeu em inglês.

Minha boca formou um “O”. Ele não falava coreano. Acho que era por isso que ele estava isolado, ele não entendia as outras pessoas.

Sorrindo em sua direção, tentei novamente, dessa vez, em inglês:

— Oi, eu sou Taejoon! Vamos brincar de pique-esconde?

Dessa vez, o garotinho pareceu surpreso.

— V-Você sabe inglês? — Resmungou, choroso.

— Claro que sei. Mamãe me disse que todos temos que saber muitas línguas — Afirmei, confiante. — Vamos brincar?

— N-Não quero — balançou a cabeça, negando veementemente, e fez um biquinho emburrado.

Ele era tão fofo que me dava vontade de apertar suas bochechas.

— Então eu vou ficar aqui. E não vou sair até você sorrir — cruzei meus braços e fiquei parado ao lado do garoto, que me encarava de forma curiosa, como se não conseguisse entender o que eu fazia ali. — Qual o seu nome?

— J-John — respondeu, as bochechas corando e o biquinho nunca deixando seus lábios.

— Você é coreano, mas não fala coreano? — Franzi a testa, confuso. Ele tinha a aparência de uma criança coreana, como era possível que ele não soubesse?

— Meu papai e minha mamãe são daqui, m-mas eu nasci nos Estados Unidos. Estou aqui de férias — parecia envergonhado.

— Ah, mas você não acha que devia aprender um pouco de coreano? Você não vai conseguir falar com muitas crianças — comentei, pensativo.

O garotinho negou.

— Eu estou falando com você. E-Eu acho que já está bom — abaixou a cabeça, ainda mexendo com os dedinhos, envergonhado.

— Então, vem brincar comigo! — Fiz uma cara pidona.

— Não — balançou a cabeça, negando.

— Vamos! Você é tão fofo! — Tentei mais uma vez.

Mordendo o lábio, John recusou novamente. Suspirando, resolvi apelar para medidas drásticas: levei minhas mãos até seu pescoço e axilas, começando a fazer cócegas ali. Surpreso, o garoto tentou escapar, mas foi em vão, consegui prendê-lo na cadeira enquanto o fazia gargalhar pelas cócegas. Ele tinha um sorriso lindo e protuberante, como se seus dois dentinhos da frente lhe dessem a aparência de um coelhinho. Era tão fofo que eu quis apertar suas bochechas.

— Ta-Ta... Tae... — Tentava falar meu nome, se embolando completamente na hora de pronunciar “joon”. A língua dele enrolava e saía um som estranho. — Pare! Eu vou brincar com você. Pare! — Implorou entre risos.

Os olhinhos dele estavam cheios de lágrimas, mas dessa vez era porque ele ria e não chorava. Isso me alegrou bastante.

— Você não consegue falar meu nome — soltei um risinho divertido.

Ele corou ainda mais.

— Eu posso te chamar de TaeTae? — pediu.

— Claro que pode, John.

— Johnnie. Eu gosto de ser chamado de Johnnie. Minha mamãe e meu papai me chamam assim — sorriu de forma tão fofa que me fez querer apertar suas bochechas.

— Você é tão fofo, Johnnie! — Elogiei mais uma vez, encantado por ele.

— O-Obrigado — agradeceu, parecendo acanhado.

— Quantos anos você tem? Eu tenho 11 anos, farei 12 em novembro — Contei, decidindo considerar minha idade internacional ao invés da coreana para ele.

— Eu tenho 9 anos, meu aniversário é mês que vem — respondeu.

Ele só era dois anos mais novo? Eu daria uns 7 ou 8 anos para ele, pois ele era tão baixinho.

— Eu sou seu hyung, então — conclui, satisfeito.

— Como se fala isso? — Franziu a testinha.

— Não precisa falar, você não consegue pronunciar direito — dei de ombros, não ligando para honoríficos naquela situação.

Mesmo que seus pais fossem daqui, ele ainda era um garoto estrangeiro que só falava inglês, e não parecia saber muito disso. Resolvi tirá-lo dali para a gente brincar um pouco.

— Vem? — Estendi minha mão para ele, e, sem hesitar, desceu do banquinho e juntou sua mãozinha à minha.

— Não me deixa sozinho — fez mais um biquinho.

— Eu não vou — assegurei. — Vou ficar do seu lado a tarde toda.

John pareceu incerto, mas no fim, resolveu acreditar em mim. De mãos dadas com ele, o guiei através do salão da grande mansão. Sequer notei que os pais dele estavam próximos de nós durante toda nossa conversa, e observavam enquanto eu o levava para brincar comigo.

Tinha uma árvore no jardim da mansão, e eu conseguia escalá-la muito bem. Do galho mais alto era possível ver Seul sobre os muros do local, e eu decidi que seria legal mostrar isso a John. Estávamos entrando no final da tarde naquele dia e o clima estava agradável.

Ele não perguntou nada, apenas me seguiu, apertando minha mão com força, e eu apertava de volta, tentando passar segurança. Assim que chegamos à árvore, apontei para o galho que ficava bem no topo com um sorriso gigante estampado no rosto.

— Vamos subir até lá! É bem bonito, você vai gostar.

— Eu nunca escalei árvores — admitiu, envergonhado. — Não sei como se faz isso.

— Eu vou te ajudar. Você confia em mim?

Sem hesitar, John assentiu freneticamente, me fazendo rir mais uma vez. Com cuidado, coloquei o pé numa fresta do tronco da árvore e sentei num galho mais baixo, esticando meus braços para ajudá-lo. Ele agarrou meus ombros, e eu segurei sua cintura, lhe dando apoio para subir.

— TaeTae, quem são esses homens que estão olhando para gente? — Perguntou, baixinho, com medo.

— São os seguranças dos meus pais. Eles me vigiam quando eles não estão por perto — expliquei.

— E eles não vão fazer nada com a gente? Deixar a gente de castigo?

— Claro que não — baguncei seu cabelo pretinho de forma afetuosa.

Continuei a subir na árvore, e a cada galho e tronco que a gente avançava, eu parava e dava apoio para John subir. Ele confiava em mim plenamente, nunca questionando quando eu lhe instruía para colocar o pé em algum lugar, ou apoiar a mão em outro.

Ajudava também o fato de ele ser um garoto magrinho apesar das bochechas gordinhas. Ele era incrivelmente leve e toda a vez que eu lhe ajudava, não tinha trabalho de erguê-lo ou puxá-lo. E logo estávamos no galho mais alto da árvore. Ele observava a cidade sobre os muros com olhos encantados enquanto eu segurava sua cintura com um dos braços, impedindo-o de cair, pois ele perdeu o equilíbrio em um segundo e quase tropeçou.

— Uou, aquele ao longe é o Rio Han? — Perguntou, encantado.

— É sim, Johnnie.

— Eu queria poder nadar em um rio, mas meu papai não deixa — comentou, melancólico. — Sabe, eu sou o melhor aluno da minha turma de natação. Na verdade, eu sou muito bom com muitas coisas e meus pais ficam muito felizes quando eu ganho algum prêmio. Eu gosto de ver eles felizes, gosto de fazer eles felizes.

— Você é o filho perfeito? — Perguntei, rindo.

— Não sei, TaeTae. Eu quero ser — afirmou.

— Eu sou bom em algumas coisas, mas não em tudo — contei. — Tenho feito aulas de tênis já faz algum tempo e consegui ganhar duas competições mirins no terceiro lugar, mas eu sou muito fraco e magro. Já me falaram para desistir porque eu não tenho jeito de tenista.

— E você vai desistir? — Me encarou com os olhinhos negros.

— Não, não vou. Eu posso não ser o melhor hoje, mas sei que serei um dia. Eu vou chegar lá — falei, convicto.

— Eu quero muito estudar na ASU. Meu papai já me falou que seria um orgulho eu estudar lá. É uma das melhores universidades do meu estado, e eu vou entrar lá um dia. — Ante ao meu olhar confuso, ele especificou. — Eu moro em Phoenix, no estado do Arizona. A ASU é uma das universidades mais importantes de lá.

— Oh sim — assenti, compreendendo.

— Vamos descer? — Pediu.

E sem condições de negar qualquer coisa àquele garotinho fofo, assenti bobamente.

Com mais cuidado do que antes, desci da árvore, ajudando-o a passar de galho em galho até finalmente chegarmos ao chão do jardim. No retorno para dentro da mansão, segurei a mãozinha de John, e ele não soltou por um segundo sequer, grudando em mim como chiclete

— Você é o garoto mais fofo que eu já vi, Johnnie. — Falei de repente.

— Para com isso — corou da cabeça aos pés, apertando minha mão.

— Não posso te elogiar?

— Eu... Eu não sei — dei uma risadinha e mais uma vez, baguncei seu cabelo.

— Vem! Vamos nos juntar às outras crianças — chamei.

— Eu não entendo o que elas falam — reclamou, choroso.

Virando-me em sua direção, dei um sorriso afetuoso.

— Eu vou te falar tudo o que elas falarem, eu prometo que você não vai ficar de fora — garanti. — Não vou te deixar sozinho, Johnnie.

Assentindo, ele soltou minha mão apenas para entrelaçar nossos dedos e resmungar alguma coisa baixinho que soava como concordância.

Seguindo o fluxo de crianças, percebi que elas estavam correndo escada acima para um dos quartos da mansão, então, sem perder tempo, guiei John junto de mim