Baem C.1: As Serpentes do Exército.

Atualizado: Set 30

Sinospe: Comandante; Coronel; Capitão; Tenente; Sargento; Cabo; Civil

Ishikawa Takashi com seus 27 anos já era o Capitão do exército e da unidade de elite mais eficaz que seu país tinha, sendo um gigantesco feito para si mesmo.

Era um líder bem disciplinado, preparado e excelente em tudo o que fazia. Todavia, líderes tão disciplinados assim não se envolvem com civis de 20 anos de idade, cuja a lei exclusivamente para militares, proíbe.

Ou pelo menos, assim deveria ser...


[Contém; Violência / Ação / Suspense / Romance / Cenas fortes / Lemon / Aventura / Linguagem imprópria]



País; Kah Ulleugao.

Localização; Base Militar da cidade de Pietra.

17 de Março, 2021. Quarta Feira.



Kah Ulleugao era um país insular habitado no Oceano Pacífico, ao sul do Japão e a nordeste das Filipinas.

O pequeno país que conseguiu sua total independência do Japão em 1949, continha atualmente trezentos mil habitantes em uma área de cinco mil quilômetros quadrados.

Seu idioma e a maioria de seus habitantes eram descendentes do próprio Japão devido à colonização que durou muitos anos, e também das Filipinas; que se tratavam de refugiados vindos da Segunda Guerra Mundial bem no fim de 1941, quando o Japão também invadiu o país e envolveu Kah Ulleugao na guerra.

Também havia poucos descendentes dos Estados Unidos, nação que ofereceu-se para ajudar a economia do pequeno país asiático após o fim do Confronto de Ulleugao, um enfrentamento contra o Japão após o fim da Segunda Guerra, para sair totalmente do domínio das forças japonesas e impor sua independência para o resto do mundo.

Não demorou muito para Ulleugao começar a mover o respectivo governo por conta própria, quando a ajuda dos Estados Unidos para com Ulleugao chegou ao fim em 1952, um ano antes do fim da Guerra das Coreias, cuja Coreia do Sul tornou-se a próxima beneficiada pela ajuda do país norte americano.

Após o tsunami de 2004, Kah Ulleugao aumentou suas forças militares a fim de oferecer ajuda e abrigo a diversos países asiáticos afetados pelo fatídico terremoto submarino, aumentando seu poderio sobre eles e garantindo a própria melhoria econômica e um crescimento ainda maior de suas forças armadas.

Nos tempos atuais, a força militar do país aumentou consideravelmente ao ponto de ser bastante reconhecida por seus soldados disciplinados e sua secreta equipe especial que agia com extrema perfeição em cada missão recebida, cujo nome poucos conseguiram ouvir falar.

E por ali, por entre o longo território de terra da Base Militar que pertencia a cidade de Pietra — primeira mulher militar de Kah Ulleugao —, estavam os soldados que corriam conforme seu Tenente dava as ordens, montando e desmontando suas armas e se envolvendo em combates físicos um contra o outro em prol do melhoramento físico e resistivo de cada um.

Mas também, de outro ponto de vista daquela Base Militar, sentado em sua cadeira bem estofada altamente confortável enquanto havia dois homens fardados parados à sua frente que permaneciam imóveis e batiam continência, estava o general Ueno Masao; Comandante do exército de Kah Ulleugao.

O sol estava entrando bem tímido através da grande janela semi aberta que tomava conta quase que completamente da parede direita aos dois homens batendo continência. E por essa mesma abertura, a visão de boa parte da base militar era bastante privilegiada para o comandante, que sempre mantinha-se bem atento a tudo o que por ali acontecia..

A primavera estava ali, chegando e dando um vago "olá" para todos com sua brisa fresca e as poucas árvores deixando toda a base com o cheiro adocicado das rosas.

O mundo, ou pelo menos boa parte da Ásia, conhecia Ueno Masao por ser o segundo maior general que Kah Ulleugao já havia tido em todos os seus anos após a independência, ficando atrás somente do grande comando que a própria Pietra já havia realizado para o crescimento do país.

Mas, Ishikawa Takashi, o soldado que naquele momento permanecia batendo continência dentro da sala do Comandante, também conhecia Masao como “Tio”.

O homem que era irmão de seu falecido pai.

Quando Takashi tinha apenas quatro anos de idade, seus pais morreram em um acidente de carro, fazendo com que o jovem fosse acolhido pelo tio — único parente mais próximo — criado e educado pelo seu modo rígido e frio, criação essa que foi inteiramente a base da educação militar.

Mas, Takashi, diferente do que muitas pessoas poderiam chegar a pensar, gostava do modo como foi criado. Foi bastante duro? Sim, em alguns momentos duro demais, porém ele não teria se tornado o Capitão do Exército em plenos 27 anos se não fosse pelos grandes esforços do homem à sua frente que não poupou nenhum dia para treiná-lo devidamente.

— Vocês sabem porquê eu os chamei aqui, não é? Capitão Takashi, Tenente Liwei?

Takashi desfez a continência para responder ao seu superior no mesmo segundo em que a pergunta foi feita.

— É a respeito do possível rumor sobre os submarinos norte-coreanos que chegaram próximos demais de nossas terras, senhor? — questionou sério, voltando a bater sua continência.

— Não, não é sobre isso — Masao suspirou, jogando sem muita brusquidão uma pasta em cima da mesa, grudando suas costas com o estofado da cadeira. — Vocês podem relaxar, meninos...

Os dois desfizeram a continência.

— Eu os chamei aqui somente para parabenizá-los pela última missão de sucesso que os dois realizaram… — O homem que detinha mais poder do que qualquer outro ali, falou bastante calmo, e Takashi logo passou seus olhos castanhos pela pasta que Masao jogara em cima da mesa anteriormente, era nada mais do que as folhas com seus relatórios.

— Somente fizemos o nosso trabalho, senhor — Liwei falou tranquilo, mas ainda exalando bastante respeito e todo o tom de sua fala.

— Era uma missão importante, eu reconheço isso, e chutaria que poderia chegar a ter uma semana de duração, mas os dois a realizaram em três dias, estou surpreso, até o nosso Ministro da Defesa ficou surpreso com o desempenho — Masao juntou as duas mãos ao curvar seu corpo um pouco para a frente, pondo suas palmas em cima da mesa de madeira, hábito que sempre tinha ao contar algum notícia que tinha o teor mais calmo e menos sério.

— Assim como o Tenente Liwei falou, senhor, somente fizemos o nosso trabalho, senhor — Takashi o respondeu calmo, olhando nos olhos do homem que o havia criado e que naquele momento não mantinha nenhum vestígio de carinho ou orgulho familiar em sua íris.

A única emoção que Masao passava era a de satisfação por outra missão dada ter sido cumprida.

Somente isso.

— Bom, de qualquer forma, a equipe Baem tirará o resto dessa semana de folga — jogou as costas para trás novamente, recostando na cadeira. — Avise aos seus soldados, Capitão Takashi, mas na segunda-feira já os quero de volta à Base Militar novamente.

— Sim, senhor! — Os dois homens, anos mais novos, responderam de forma firme, batendo continência ao mesmo tempo.

Ambos saíram da sala sem ousarem abrir a boca. Na verdade, nem mesmo quando fecharam a porta e começaram a andar pelo corredor bonito e perfeitamente limpo, cujo vários soldados de patentes menores permaneciam imóveis batendo continência aí, Takashi e Liwei falaram alguma coisa. Os dois somente caminhavam calmamente enquanto observavam os rostos jovens dos outros soldados, algumas posturas minimamente tortas aos olhos bem experientes dos dois que estavam acostumados àquilo durante a maior parte de suas vidas.

Dois homens que estavam fardados de branco abriram a porta principal para eles e então saíram do principal prédio militar da Base.

Takashi mantinha somente um único pensamento em sua mente enquanto sentia o sol bater em seu corpo vestido com o uniforme e ouvia suas botas pretas baterem nos cascalhos do chão conforme andava; será que seu peixinho dourado ainda estava vivo depois de tanto tempo sem ele próprio estar no apartamento?

— O que vai fazer? — Liwei perguntou baixo, caminhando ombro a ombro com seu Capitão, e amigo.

— Como assim? — Takashi estreitou as sobrancelhas levemente grossas e escuras assim que virou seu rosto para Liwei. Observou o nariz curto que ele tinha e pele com menos melanina que a sua, olhos tipicamente orientais como os seus.

— O que você vai fazer com esses dias de folga? — O outro, que ainda era dois anos mais velho que Takashi, explicou mantendo um sorriso no canto dos lábios.

Liwei, assim como Takashi, era filho de um homem importante do exército de Ulleugao e filho de uma taiwanesa que havia conhecido quando estava em missão. Nasceu e cresceu em Taiwan até os oito anos de idade, quando sua mãe morreu e então foi enviado para Kah Ulleugao e viver sob os cuidados do pai, um Capitão honrável que morreu nove anos atrás.

Liwei e Takashi se aproximaram justamente por esse motivo, duas crianças que foram criadas — e treinadas — de maneiras rígidas e que seguiam esses ensinamentos até os dias de hoje. Se tornaram amigos, quase irmãos, mostrando sempre excelentes notas e performances quando trabalhavam juntos.

Mantinham certa competitividade natural um com o outro, gostavam de deixar as coisas mais interessantes quando iam participar de alguma simulação ou treinamento mais privado para os soldados de elite que o exército possuía.

Tornaram-se conhecidos tanto dentro do exército de Ulleugao, quanto pelo exército de outros países. Iniciaram secretamente uma unidade de forças especiais para missões mais perigosas e sigilosas, essa nomeada de Baem. Receberam medalhas de honra, bravura e muitas outras que foram fortemente escondidas pela mídia. Porque, para o mundo dos civis, Baem não existia. Para os exércitos inimigos, Baem era altamente temida.

Takashi era quem comandava a unidade, enquanto Liwei era o segundo no comando.

Contando com eles dois, eram apenas cinco homens e duas mulheres que faziam parte daquela unidade. E por mais que Takashi gostasse de atuar internacionalmente com sua unidade especial, também apreciava ficar na Base Militar, treinando novos recrutas e executando missões simples, tal como uma das últimas, onde teve que ir até a China acompanhar o Ministro da Agricultura de Ulleugao em uma reunião importante. Ou outra vez em que comandou um dos pelotões para ajudar em uma simulação de bombardeio que poderia acontecer em Taiwan.

— Eu devo ficar em casa, bebendo cerveja até esquecer meu próprio nome enquanto dou descarga no Golden, o peixinho dourado que eu tinha comprado. Você se lembra dele, não é? — Finalmente respondeu, voltando a encarar todo o terreno à sua frente, todos os soldados em treinamento.

— Lembro que apostei um almoço dizendo que você não o manteria vivo, coitado — sorriu para o homem dois anos mais novo, balançando sua cabeça negativamente. — Está na hora de me pagar.

— Eu não me recordo disso — sorriu ladino.

Liwei respondeu apenas com um bater de ombro fraco.

— Eu vou avisar ao pessoal agora sobre a folga repentina que ganhamos e já vou sair daqui, você vai fazer algo? — Takashi perguntou, retomando ao assunto do porquê caminhavam em direção ao alojamento especial que pertencia a Baem.

— Eu tenho assuntos a resolver com o Tenente Toshio, depois ainda tenho que passar na sala do Seiji — suspirou pesado, cansando-se apenas por citar que teria que ter uma conversa com o outro Tenente de quem não gostava muito, mas era seu superior hierarquicamente.

— Está encrencado?

— Não. É mais aquela burocracia chata de rever meus documentos e ações envolvendo minha família em Taiwan — balançou as mãos em descaso — mais drama por ter um Tenente Taiwanês no exército de Kah Ulleugao...

— Chorarei por ti, então — sorriu abertamente, recebendo outro bater de ombro.

Antes que finalmente chegassem ao alojamento, os dois se separaram com leves acenos. Takashi continuou sua caminhada, sozinho, até o local. Abriu a porta devagar, caminhando sem pressa até o lugar exato em que sua unidade ficava alojada.

Eram sete camas, vários armários, cabides espalhados, uniformes jogados e cinco pessoas paradas de frente para si, batendo continência.

Park James. 26 anos.

Renalyn Dagamac. 26 anos.

Nyt Yougi. 26 anos.

Thomas Nallos. 28 anos.

Undayan Aiko. 25 anos.

— Vocês não precisam fingir que me respeitam tanto assim... — Takashi sorriu vendo os demais abaixarem seus braços e soltarem baixas risadinhas. — O comandante nos deu até segunda-feira de folga pelo excelente trabalho que desempenhamos nas Maldivas.

Sentou-se em sua própria cama, somente para jogar-se de vez no colchão em seguida.

— Descansem, se alimentem bem, vejam suas famílias e estejam aqui segunda-feira às cinco da manhã. — Falou calmo, olhando o teto, perdido nos próprios pensamentos do que ele próprio poderia fazer naquele tempo longe da Base Militar. — Estão dispensados.

Os cinco bateram continência mais uma vez, antes de começarem a arrumar suas coisas.

Ishikawa Takashi continuou perdido nos próprios pensamentos enquanto permanecia fitando aquele teto.

Para o de fios castanhos escuros, não existia muita coisa para si além do exército. Amava aquilo, amava a adrenalina, amava ajudar seu país e ser reconhecido por isso. Gostava do respeito e da admiração que todos tinham por si, mesmo sendo tão jovem; gostava de algumas regras, gostava de toda aquela disciplina; gostava da área que executava suas especialidades e amava o fato de proteger as pessoas. Havia a pressão de ser o líder, mas nunca falhava. Então sua confiança — e ego — estavam sempre inflados.

Era como ver em filmes de ação, onde os soldados ajudam os civis, aparecem de repente fortemente armados, exibindo toda aquela presença incrível e salvando o mundo. Takashi vivia naquele enredo de filme hollywoodiano embora todas as questões fossem muito mais sérias e menos “romantizadas” do que de fato acontecia nos filmes.

Demorava anos para conseguir realmente ir onde civis estavam para poder ajudá-los tendo perigosas armas de fogo, porque Kah Ulleugao priorizava bastante um real e pesado treinamento para poder fazer com que seus soldados fossem os melhores possíveis.

Ainda assim, Takashi amava aquilo. E por mais que às vezes fosse muito exaustivo e arriscado, não era fã número um de ganhar dias de folga.

Isso é claro, até conhecer e fazer uma estranha amizade com Jekt Aniyok. Um barman que trabalhava em uma das mais famosas boates de Buanduli, cidade vizinha a de Pietra, onde ficava a Base Militar principal de todo o exército pertencente de Kah Ulleugao.

Conheceram-se ao se oferecerem juntos para ajudar uma idosa que carregava bolsas demais na rua, os dois ajudaram a mulher e iniciaram uma conversa simpática enquanto acompanhavam a senhora até em casa. Tudo aquilo despertou interesse em se conhecerem ainda mais.

Depois daquilo, Aniyok ofereceu um cartão vip para o de fios castanhos, sorrindo e dizendo que Takashi deveria ir até a Ghost — boate em que trabalhava — e tomasse alguns drinques. Levou Liwei consigo naquela noite.

E Takashi ainda agradecia imensamente á três coisas:

1. Ter recebido o convite de Aniyok.

2. Liwei ter insistido muito para que fossem à boate naquela noite mesmo.

3. E por ter sido agraciado com a visão de ver Nomura Ethan dançando.

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